Dybala precisa dar um passo adiante se quer suceder Messi e Ronaldo

Paulo Dybala é uma ilhota exuberante num oceano de mesmice: socialmente engajado, inteligente e, em campo, faz maravilhas. Idolatria vem com o tempo, mas ele é um dos jogadores mais adorados pela torcida da Juventus exatamente pelo o que cumpre. Ganhar de presente a camisa 10 foi os louros depois da tristeza da Liga dos Campeões. O argentino tem feito por merecer os aplausos nesta temporada: artilheiro da Serie A sem jogar todos os minutos e com duas triplettas - sendo uma que decidiu o clássico de Turim -, e o prazer de carregar o time nas costas. Só que ele precisa dar um passo adiante se deseja alcançar o panteão dos grandes...



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A Joia não é uma realidade bianconera; ele é uma certeza no Belpaese desde que despontou no Palermo. Em 102 jogos pela Juve, 54 gols tiveram o nome dele. Ao mesmo tempo, o argentino é uma promessa. É difícil desassociar a pecha de “somente bom jogador” para alguém que se sobressai em confrontos caseiros e domésticos. Na temporada passada, por exemplo, foram 19 gols em todas as competições - 16 deles no Allianz. A grande apresentação de 2016-17? Contra o Barcelona, pela Liga. Em casa. O último jogo, nesta quarta-feira (27) ante o Olympiacos, foi bom, mas sem gols: parou em Silvio Proto e participou do gol de Mario Mandzukic. (De positivo fica a figura do coletivo da Velha Senhora, conseguindo resolver sem precisar tanto do atacante).


Getty Images
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Sete finalizações e nenhum gol no Olympiacos: Juve conseguiu se virar sem Dybala dessa vez


O ano começou bem demais para ele, e não somente pelos 12 tentos em oito partidas. Dybala tem assumido a responsabilidade, chamando o jogo para si. (Apesar do desempenho positivo contra os gregos, o argentino ficou um pouco atrás dos recentes confrontos da Serie A. Falta de Miralem Pjanic, talvez?) É um Paulo que tenta ser o que ele ainda não conseguiu. Os hat-tricks, veja só, saíram como visitante contra potenciais rebaixáveis. Por enquanto, faz o que Zlatan Ibrahimovic cansou de realizar na Itália e França: aparecer – muito bem – em momentos secundários.


Esta época de 2017-18 é um novo capítulo para Dybala: mandou o agente Pierpaolo Triulzi embora; terminou o namoro com Antonella Cavalieri; e interrompeu o relacionamento que tinha com a camisa 21. Ele é cobrado porque as pessoas sabem e reconhecem que o atacante é muito talentoso. Não faria sentido exigir o mesmo de Stefano Sturaro, certo? E ser cobrado por assumir essa responsabilidade é o mínimo que pode acontecer, uma vez que foi a Juventus - e não eu ou você - que admitiu que ele continuasse a escrever a fábula da #10 bianconera.



A goleada aplicada no Torino, na última rodada da Serie A, foi expressiva pela exclusão de Daniele Baselli ainda no primeiro tempo. Com um jogador a mais por 70 minutos, a Juventus teve tudo menos dificuldade para vencer. Ao mesmo tempo, esta foi a melhor apresentação da Velha Senhora na temporada. Tudo funcionou e os destaques foram muitos: Mandzukic, Pjanic, Blaise Matuidi… Dybala, no fim da fila, resolveu, encerrando a jornada com a maior quantidade de dribles por jogo no campeonato e o segundo maior índice de finalizações por partida. Na Europa, não há ninguém mais eficaz que ele - nem mesmo Radamel Falcao, artilheiro da Ligue 1, nem Lionel Messi.


Há uma semana, Antonio Cassano declarou que comparar os argentinos é injusto, já que “um é o melhor da história e inalcançável”. Cristiano Ronaldo, porém, “dá para ser levado em consideração”. O passo além que Dybala tem de dar é atuar em alto nível (quase) sempre. É, talvez, esta passada, a consistência técnica e mental, que lhe falta para atingir o status de world class.


E mesmo que alcance a excelência, jamais será para competir com Messi e Ronaldo. Dybala e tantos outros vieram para suceder a dupla. Apesar da contemporaneidade, ele está incluso noutra geração. A grandeza dele para o esporte será medida ao rivalizar com uma lista que não inclui um alienígena nem um robô.