Tem um Barça pelo caminho, mas Dybala está no lado certo

Não me recordo de outra oportunidade em que Francesco Totti e Andriy Shevchenko foram tão bonzinhos com a Juventus. O clube foi sorteado num grupo longe de ser complicado. Já que tinham adversários sacanas nos potes 2 e 3, enfrentar Barcelona, Olympiakos e Sporting saiu melhor que a encomenda. Imagina encarar Manchester United, Besiktas e Leipzig logo na primeira fase da competição? Ou PSG e Liverpool?



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As atenções do grupo se voltam, certamente, para a cabeça-de-chave e os espanhois, com o reencontro da última fase de quartas de final. O caminho pode não parecer longo, pois a Juve só pega Genoa e Chievo antes de viajar para enfrentar o Barça. Cinco semanas é um tempo descomunal no futebol, em que tudo muda em segundos e alegrias perduram por horas até um novo baque para estabilizar a empolgação.


As partidas da Supercopa da Espanha só enalteceram o tamanho do buraco que separa Barcelona e Real Madrid. Os merengues mostraram todas as fraquezas dos culés em mais de uma oportunidade. Já seria bastante interessante acompanhar Lionel Messi no pior time que já atuou. Vê-lo de perto, então, nesse grupo é ainda melhor.


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Dybala vai para o segundo ano na lista de reforços do Barcelona


Logo de cara, na primeira rodada, Paulo Dybala no Camp Nou será emocionante. Ainda mais depois de uma pré-temporada cheia de especulação sobre uma possível saída para a Catalunha, intensificada após a venda de Neymar. Mesmo que ele não fosse o jogador ideal para substituir o brasileiro, esta é a chance do argentino firmar sua credencial de atleta do primeiro escalão.


Olympiakos, campeão grego, deixou Partizan e Rijeka, que encerrou uma dinastia do Dinamo Zagreb com o título croata, para trás. No retrospecto, seis vitórias da Juve em 10 partidas - sendo as últimas naquela Liga perdida para o próprio Barça, há dois anos. O ineditismo é o confronto com o Sporting, 3º colocado no último Português que eliminou o Steaua Bucuresti. Tudo bem que Bas Dost e Gelson Martins são perigosos, mas a zaga formada por Sebastián Coates e Jérémy Mathieu…


Totti deu um sorriso irônico ao selecionar o Barcelona no grupo da Juventus. O último riso foi do juventino, que viu a Roma cair com Chelsea, Atlético de Madrid e Qarabag - aquela derrota no Azerbaijão, ela virá. Entre os italianos, Napoli também se deu bem com um grupo relativamente fácil do que o pior dos pesadelos.


Ganhar os seis jogos não é muito Juventus, mas avançar às oitavas com a primeira colocação é crível. A meta é chegar ao Real Madrid. De novo.


O reforço


Alguém precisa ser escalado à direita da defesa. Andrea Barzagli? Stefan Lichtsteiner? Mattia De Sciglio? Stefano Sturaro ou Juan Cuadrado, em funções adaptadas? O paliativo vai perseverar, uma vez que a Juventus está fechando a contratação de Benedikt Höwedes.


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Höwedes foi substituto não utilizado na estreia vitoriosa do S04 na Bundesliga



“Entre a zaga e a lateral, Höwedes atuou em diferentes funções e sofreu com a sucessivas trocas de técnico do Schalke (um por temporada nos últimos 4 anos). Sacrificou o melhor da sua carreira por um clube desorganizado como o S04 e como prêmio lhe foi arrancada a faixa de capitão, de forma inesperada e sem motivo aparente. Muito competente na bola aérea, de poucas lesões e potencial para se destacar mais em um sistema melhor organizado, faz bem ao subir um degrau na carreira.” (Walter Paneque, do Muralha Amarela)



Importante compreender o perfil do atleta de 29 anos, aliás. O novo técnico do clube alemão, Domenico Tedesco, acreditava que Höwedes era um dos principais problemas do S04 nas últimas temporadas exatamente por assumir a responsabilidade em qualquer situação. Ao invés de cobrar o elenco, o zagueiro carregava toda a cobrança nas costas. Desta forma, viu a faixa de capitão ser repassada para o goleiro Ralf Fährmann - uma iniciativa que fala sobre a divisão de atribuições e deveres entre os mais experientes e jovens do elenco.


Acertar com o ex-capitão do Schalke 04 é a resposta da diretoria que passa pela comissão técnica: pode ser pouca, mas há confiança de tirar leite de pedra (no caso de Lichtsteiner) e reviver os bons momentos de quem era um dos jogadores mais promissores do Belpaese (o antigo lateral do Milan).