Contratar Matuidi não é o fim do mundo e equilibra setor capenga da Juve

A pré-temporada nos Estados Unidos ajudou. Em dois dias, Blaise Matuidi fez exames médicos, foi anunciado e teve o nome selecionado para compor a equipe que enfrenta o Cagliari, na estreia da Serie A, neste sábado (19). O francês até custou pouco em um mercado abarrotado de negócios financeiramente chamativos - ou até alarmantes -, mas até que ponto isso é uma vantagem para uma Juventus que busca dar cartadas finais nesta janela de transferências?



Curta o Gazzebra no Facebook. Siga Murillo Moret no Twitter.



O acordo com o PSG foi fechado em 20 milhões de euros, que serão pagos em três anos (o mesmo tempo do contrato inicial de jogador). Os bônus incluem um valor máximo de 10,5 milhões de euros se uma cota de partidas for atingida. É um acerto bastante inferior aos de Nemanja Matic (29 anos, 45 mi), Corentin Tolisso (23 anos, 50 mi) e Tiemoué Bakayoko (23 anos, 45 mi), e das cláusulas de Steven N’Zonzi e Sergi Roberto, estipuladas em 40 mi. Pessoalmente, ainda acho muito para um atleta de 30 anos que vem numa curva de declínio e tinha apenas mais um ano de vínculo na França – mesmo que, objetivamente, Matuidi tenha sido “trocado” por Mario Lemina no Southampton.


Getty Images
Getty Images

A felicidade de quem não vai ser reserva de Rabiot


O novo camisa 14 dá muito mais profundidade ao elenco que o gabonês e Tomas Rincón, emprestado ao Torino com obrigação de compra. A presença dele sugere um meio de campo com três jogadores por algumas razões: o físico privilegiado e fôlego interminável equipara a balança dos atletas que já estavam no elenco (Tolisso, por exemplo, jogou ao lado de dois jogadores com capacidades defensivas latentes na estreia do Bayern de Munique na Bundesliga; um perfil um pouco diferente do que a Juventus queria); atuar na vaga de Sami Khedira é trocar seis por meia dúzia, pois ele oferece algo muito similar ao alemão, que vive, talvez, o pior momento da carreira em Turim, ao lado de Miralem Pjanic; abrir espaço para Claudio Marchisio garantir minutos e proteção quando em campo.


Nesta visão, as posições seriam revezadas entre Khedira/Marchisio, Pjanic/Marchisio e Matuidi/Stefano Sturaro/Rodrigo Bentancur. Para as funções, aliás, a escolha é até uma vantagem para os “reservas de Matuidi”, que têm menores chances de serem espectadores. Com somente dois no meio, é muito mais difícil que joguem – e o técnico Massimiliano Allegri deseja a dupla no elenco para a temporada. A abundância de jogadores que podem atuar entre meio e ataque também é algo para ser avaliado. Sugerir um trio de ataque parece não ser o indicado para Dybala, retirando-o da posição que mais lhe agrada e que melhor pode contribuir.


A entrada de Matuidi chega a ser até um anti-clímax para um clube que tentou buscar alternativas para a criação das jogadas. Nem Matic, nem Leon Goretzka são esse tipo de atleta. Minha preferência por eles é pelo conjunto (o primeiro, mais completo; o alemão, o promissor-quase-realidade). Hoje, esses game-changers seriam Marco Verratti, Luka Modric ou Isco. Em todo o caso, agora é o francês quem precisa auxiliar o clube a prover soluções para um dos maiores problemas do time: a construção do jogo em partidas complicadas – principalmente quando está atrás no placar.




Assim como há esperança de Mattia De Sciglio retomar o bom futebol - apresentado pela última vez quando Allegri era o técnico do Milan -, existe a expectativa de Matuidi reviver os melhores momentos de duas temporadas atrás. Desde então, ele tem driblado menos, desarmado com menor eficiência e chutado de maneira pior, enquanto passes importantes aumentaram minimamente. O amigo Filipe Papini, especialista em futebol francês, avaliou como boa a contratação do camisa 14.


A velocidade do novo contratado tende a relembrar momentos de contra-ataque rápidos de Roberto Pereyra, Carlos Tévez e Alvaro Morata – pense em chegada, não em qualidade. Não é a ideal, mas também não é o fim do mundo.