Derrota na Supercoppa reforça pontos frágeis da Juventus

A história da Supercoppa 2017 pende mais para o derrotado que ao vitorioso. A narrativa não é tão próxima ao pessimismo, mas volta a indicar pontos frágeis numa Juventus que está acostumada a fazer jogos ruins na Itália. Na decisão entre o vencedor da Serie A e o vice-campeão da Coppa, já que o bianconero conquistou as duas competições, brava seja a Lazio. Ainda que a equipe romana tenha superado as expectativas, é o momento propício para acompanhar a Senhora bem de perto.



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Era difícil esperar uma goleada, mas não uma atuação convincente. O técnico Simone Inzaghi provou, na temporada anterior, que era capaz de mostrar um futebol divertido sem tanta pompa. Nesta final, porém, a Lazio já estava sem Lucas Biglia, que reforçou o Milan, enquanto Felipe Anderson e Balde Keita ficaram de fora. O brasileiro se recupera de lesão e o atacante foi preterido mesmo – o presidente Claudio Lotito disse que ele “estava com a cabeça noutro lugar”.


Horas depois do apito final, as críticas não se basearam no resultado da partida. O título ficou com a equipe que melhor num jogo de cinco gols (e podia ter sido muito mais) em Roma. Surpreende muito pouco que já estejam pedindo a cabeça do técnico Massimiliano Allegri. Vou além.



A escalação inicial da Juventus – errada, segundo os torcedores – contava com Andrea Barzagli na lateral, Mehdi Benatia ao lado de Giorgio Chiellini e Juan Cuadrado pelo flanco direito. Nada tão diferente do que a Juve costumou apresentar em 2016-17. Esse time era um pouco diferente das inúmeras prévias, que mostravam Stephan Lichtsteiner pelo lado da defesa, Barzagli no meio e Douglas Costa na vaga do colombiano. De qualquer forma, compreensível se pensarmos que a opção defensiva sugeriria a flexibilidade de jogar com três zagueiros e liberar Alex Sandro.


O bianconero passou longe de tentar. Até porque mal conseguia sair do próprio campo no primeiro tempo devido às péssimas exibições de Cuadrado e Sami Khedira. Depois da ligeira pressão nos minutos iniciais, onde o sul-americano conseguiu perder um gol a três passos afastado da trave e Gonzalo Higuaín foi negado por Thomas Strakosha, a posse de bola superior foi burra. Aqui, no entanto, parabenizo o adversário: Ciro Immobile, Sergej Milinkovic-Savic, Luis Alberto e Marco Parolo foram muito bem na marcação pressão.


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Costa deveria ter começado o jogo? Discutível. Allegri sempre deu chances aos novatos nas primeiras partidas: Kingsley Coman, titular na partida inicial de 2014 contra o Chievo; Mario Mandzukic, que começou ante a Lazio na Supercoppa da época seguinte; e Daniel Alves, jogando na ala na vitória contra a Fiorentina, temporada passada. Contudo, nem ele, nem Federico Bernadeschi, que iniciou a pré-temporada com atraso em relação aos demais, mostraram coisas diferentes que indicassem a titularidade.


O técnico tem bastante convicção do que faz e quem está apto para realizar o pretendido. É uma linha tênue. Um pisão ligeiramente torto pode ser a glória ou o problema. A Supercoppa foi a resolução negativa, espelhada em erros anteriores encobertos, muitas vezes, pela superação e decisão de outros jogadores. Khedira, por exemplo. O alemão teve regularidade, uma vez livre das lesões graves, mas está falhando em ser o parceiro ideal para quem atua no meio-campo. O ideal seria Claudio Marchisio em todos os jogos, mas até quando o corpo dele aguentaria?


Getty Images
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Os árbitros já não caem mais no teatro de Cuadrado


Mattia De Sciglio era um lateral promissor que, aos 24 anos, estagnou completamente, tornando-se um jogador OK. Nem mais, nem menos. O drible que levou do Lukaku menos famoso, Jordan, fez com que questionassem novamente a contratação dele. Bode expiatório no gol decisivo de Alessandro Murgia, aos 51 minutos do segundo tempo, que estava completamente sozinho dentro da área, próximo a marca do pênalti. Chiellini e Pjanic deixaram o jovem laziale sem qualquer problema para escorar o cruzamento – mas o culpado único foi o lateral.


É compreensível ver Daniele Rugani bancar para Benatia, já que essa foi a tônica do último ano. Porém, é de se lamentar que o marroquino ainda tenha muitas chances para errar na hora H. Nem Ciro Immobile acreditava, depois da partida, que tinha feito um gol de cabeça – óbvio que com erro do camisa 4. Bayern de Munique e Roma devem estar rindo com o presente de grego.


A falta de força no meio foi o fator decisivo de uma Juventus sem possibilidades de dar munição a Paulo Dybala e Gonzalo Higuaín, e que só chegou a um empate improvável em dois lances de bola parada. O diretor Giuseppe Marotta avisou antes da partida que um novo meio-campista chegará até o fim da janela de transferências. O setor se mostrou carente no Olímpico enquanto as especulações sobre Blaise Matuidi (PSG) e Emre Can (Liverpool) continuam.