Szczesny e Schick: histórias com finais bem distintos do mercado bianconero

As oportunidades de mercado aliadas às perspectivas técnicas mudaram a reserva do gol bianconero. Enquanto Neto deixa Turim para suceder Diego Alves no Valencia, Wojciech Szczesny foi confirmado na Juventus. A principal meta do polonês é manter o foco e fortalecer a mentalidade: só um ano no banco para, potencialmente, se tornar o titular do clube mais vitorioso da Itália.



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Posso dizer que Szczesny foi, subjetivamente, um dos melhores goleiros da Serie A em 2016-17 ou que, de forma objetiva, foi o arqueiro com a maior porcentagem de defesas e jogos sem sofrer gols no campeonato. Entre as experiências continentais, o polonês de 27 anos leva muita vantagem em relação a Neto, de mesma idade: além das convocações recentes para a seleção, costuma atuar na Liga dos Campeões.


Dá para afirmar que o ex-Roma tem ambição e coragem para aceitar a posição ingrata. O próximo goleiro da Juve vai sofrer uma pressão imensa exatamente por substituir um colosso do esporte – mesmo se o contratado fosse Manuel Neuer. Um exemplo semelhante foi o da Itália campeã mundial em 2006: qualquer técnico que entrasse na vaga de Marcello Lippi sofreria (e Roberto Donadoni não aguentou mais de dois anos, ou uma Eurocopa, no cargo).


Divulgação/Juventus FC
Divulgação/Juventus FC

"A Juventus me escolheu. Minha decisão foi fácil", disse


Soma-se a isso, então, a possibilidade de Buffon esticar a carreira por mais uma temporada. A ideia dele é aposentar após a Copa do Mundo na Rússia, mas ele admitiu a chance de prorrogar – só não deu para interpretar se o camisa 1 jogaria somente uma Supercoppa, por exemplo.


No dois anos que vestiu a camisa bianconera, Neto jogou 22 vezes. Já foi um avanço em relação a Rubinho (duas partidas em quatro temporadas), Antonio Chimenti (34 em seis), Alexander Manninger (42 em quatro) e com média quase superior a do excelente suplente Marco Storari (64 em cinco). Os números mostram a longevidade técnica e física de Buffon, que se lesionou feio pela última vez em 2010 - exatamente quando Storari fez 29 partidas na temporada. O escolhido para a posição ter força mental para entender que Gigi ainda manda, mas o tempo está se esgotando.


A vivência que Szczesny adquiriu no futebol o faz ser uma boa escolha para a Juventus nesse momento de transição. Mesmo que o clube queira um italiano entre as traves, o bianconero não pretende jogar um jovem do Belpaese aos lesões, seja ele Simone Scuffet, Alex Meret ou até mesmo o inexperiente Emil Audero.


Triste fim de Policarpo Schick


Nem Sampdoria nem Velha Senhora disseram abertamente porque a negociação de Patrik Schick falhou. Os resultados dos exames médicos que o tcheco fez na última semana não foram divulgados, aumentando a especulação dos problemas cardíacos do jovem – uma forma de blindá-lo. Os relatos foram múltiplos. Gazzetta dello Sport, La Stampa e o genovês Il Secolo XIX escreveram sobre as condições do atleta. Enquanto Schick terá de parar de jogar durante dois meses, os médicos irão monitorar todo o progresso – que não é genético nem sério, mas que condiciona atenção.


O tcheco era um “pedido especial” de Pavel Nedved. O corpo técnico identificaram que Schick era um reforço indispensável, porém foi o diretor que conversou e convenceu o conterrâneo a aceitar a Juve. O loiro, aliás, ligou para o jogador, que está de férias e o tranquilizou: a porta está aberta para os dois lados. O clube ainda pode correr atrás dele em caso de recuperação até o fechamento do mercado.


Por outro lado, a negociação interrompida (depois da Juventus tentar renegociar a compra por um empréstimo) vem num momento em que o bianconero descobriu que tinha totais capacidades de contratar Douglas Costa e Federico Bernardeschi no mesmo período de transferências. Com a dupla, o clube terá sete jogadores para quatro posições.


De qualquer forma, a saúde de Schick vale mais que uma compra. Melhoras.