Dribles e velocidade: é só isso que a Juve ganha com Douglas Costa?

A Juventus chegou a um patamar de indefinições. São poucos os jogadores negociáveis que conseguem alcançar o time titular de bate-pronto, ao mesmo tempo que o elenco precisa de renovação. Adquirir Douglas Costa por empréstimo foi excelente para a situação, pois agrada direção, treinador e, não obstante, o próprio jogador, que consegue dar muito além que dribles e velocidade à equipe que procura ampliar seus domínios além fronteiras italianas.



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O brasileiro pode não ser a primeira lembrança como reforço para seu time, mas seu desempenho teve um peso decisivo para a negociação. Apesar de ver mais banco que grama em 2016-17 (devido às lesões), o meia acumulou estatísticas expressivas para alguém que não se mantinha à frente de Arjen Robben e Franck Ribéry entre os titulares: quase 2,5 dribles certos por jogo e 1,5 passes-chave por partida da Bundesliga. Nas fintas, ele supera Juan Cuadrado e Paulo Dybala; nas assistências, fica somente um pouco atrás do argentino. Na temporada anterior, 2015-16, Costa chegou a 3,3 dribles de média, mas com aproveitamento inferior (beirando 55% contra 62% em 2017).


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Marotta viajou para Munique para trazer Douglas Costa na bagagem


Fora isso, seja coincidência ou não, a Senhora aposta num ofensivo da Bavária que destruiu o bianconero na Liga dos Campeões. Mario Mandzukic acabou com a Juve naquele confronto de semifinal em 2013; Costa colocou a zebra no bolso nas quartas-de-final épica de 2016.


A apresentação de Costa teve nada de especial - e quando alguma tem? São aqueles excessos de dizer nada, mas dizer tudo para agradar o novo empregador. Porém, ele ainda levanta dúvidas acerca do físico: ele aguenta o tranco? Quem sabe a Juve não consegue lidar com os machucados assim como tratou Sami Khedira, refugo do departamento médico de Madri?


A situação na qual o bianconero vive é complicada porque jogadores excelentes não são baratos. O agravante é que eles ainda precisam ser transferíveis. Alexis Sanchéz, por exemplo, era um alvo que se encaixaria perfeitamente ao que a Juve deseja. Além de ser caro, ele jamais expressou vontade de retornar à Itália – bem diferente do que acontece com Federico Bernardeschi.


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Pelo Bayern, ninguém driblou mais que o brasileiro no Alemão e Liga dos Campeões



O negócio por Costa, por outro lado, tem outros benefícios. A Juventus contratou um jogador que atingiu o auge da carreira há pouco. Aos 26 anos, o brasileiro ainda tem muito a oferecer – sobretudo em campo, por ser um meio-campista com mentalidade ofensiva ao invés do contrário. Mesmo que não tenha familiaridade com o gol, esse pensamento, a imprevisibilidade e o repertório de soluções faz com que o ex-Bayern aumente a presença da equipe no campo de ataque, muito benéfico para que Gonzalo Higuaín e, sobretudo, Dybala permaneçam mais tempo no terço final.


Ademais, há a Copa do Mundo. Na Itália, o meia tem a oportunidade de enfrentar adversários que ainda não estão acostumados ao estilo de jogo dele - algo que dificultou o segundo ano de Bayern, quando os rivais já sabiam a melhor forma de marcá-lo – e apresentar um futebol convincente para chegar à Rússia. Aliás, não somente: há espaço para jogar e brilhar na Juve, enquanto as chances ficariam remotas com a concorrência demasiada em Munique.


A primeira escolha desta janela juventina finalmente chegou. Em nota relacionada, Patrik Schick ainda não foi acertado em definitivo (exames médicos serão refeitos, e Senhora procura um novo acordo de transação) e Cuadrado deve permanecer mesmo que Bernardeschi seja contratado, já que Marko Pjaca só retorna em outubro. Costa não era meu preferido, mas agora bateu a ansiedade para vê-lo jogando com a camisa 11.