Saída de Dani Alves mostra bem o que é birra de torcedor

De um dia para o outro, Daniel Alves não serve mais. O romance entre fãs e o lateral-direito, de atitude e personalidade fortes, acabou do pior jeito possível. O brasileiro foi uma paixão de verão que acabou pisando no coração de cada um dos torcedores da Juventus, ao que parece. Nada disso: apesar de algumas dúvidas sobre uma transferência ao Manchester City, a torcida pegou no pé do jogador injustamente por postagens no Instagram. Isso é demais.



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Na última quinta-feira (16), a entrevista de Alves ao Esporte Interativo foi ao ar. O barulho aconteceu na manhã seguinte, sobretudo com a frase sobre Paulo Dybala. O brasileiro afirmou que conversou com o argentino sobre o futuro dele, que ele precisava sair da Juve, “um dia”, para evoluir. Até as críticas ao desempenho da final da Liga dos Campeões foram deixadas de lado.


Getty Images
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O último jogo de Alves na Juve não teve um final feliz


No mesmo dia, o jogador respondeu a Mediaset Premium no Twitter com “não fale bosta. Higuaín me mandou um vídeo num programa de televisão”. A rede italiana estava sugerindo que a mensagem de Gonzalo, também ao EI, indicava que Alves queria sair de Turim. Ainda no fim de semana, o brasileiro compartilhou uma foto no Instagram com a chuteira que usou na decisão europeia de 2015, exatamente quando venceu a Velha Senhora pelo Barcelona. O caos foi instaurado.


Alves foi acusado de não respeitar o clube. Ele não pediu para Dybala deixar a Juventus, apenas opinou. Caso Dybala saia, é um problema ou vontade do argentino. É até normal que o lateral pense isso sobre a joia. Qual foi o último jogador do Belpaese que realmente encheu os olhos do público? Provavelmente Kaká, em 2007, na temporada que levou a Bola de Ouro. Isso foi há uma década. Sobre a chuteira, respeitar o quê? Que ele ganhou a Champions e se orgulha merecidamente disso? Apagaremos o passado? Aliás, pedir para o brasileiro “respeitar a instituição” enquanto não respeita o jogador é de ironia ímpar. E isso aconteceu pouquíssimo tempo depois do mundo ficar de queixo caído e aplaudindo o texto que ele escreveu ao The Players’ Tribune.


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A maior crítica – e nem foi tão chocante assim – que o brasileiro fez ao jogo do título continental passou despercebida. Na TV, o brasileiro afirmou que o Real Madrid permitiu que a família dos jogadores ficassem perto deles em Cardiff. Preparação é importante, mas detalhes como esse, de acordo com o lateral, fazem a diferença.


A Juventus só não pode reclamar da personalidade de Alves. Quando contratou, sabia muito bem quem ele era e o que tinha feito. O brasileiro é brincalhão, fala o que precisa ser dito e contagia o ambiente - e assim será até o fim da carreira. Mesmo que escolha bem as palavras, as vastas opiniões podem dividir as pessoas. Algumas dúvidas, porém, cercam essa saída de Vinovo. Ele ficou incomodado com a atitude dos torcedores? Algo aconteceu dentro do clube para que ele tomasse essa decisão? A vontade de ser treinado novamente por Pep Guardiola era demais? O lateral forçou uma renovação, mas a jogada voltou contra ele?



Assim como o Barcelona sentiu saudades dele, o mesmo deve acontecer com o bianconero. Ele sofreu bastante, principalmente no início da temporada, para entender os conceitos do jogo na Itália, mas engrenou nos momentos de decisão, a partir de março. A Juventus buscaria um substituto a ele inevitavelmente em 2018. A decisão de sair neste momento para um time que oferece um aumento de 40% de salário apenas antecipa o planejamento.


Talvez tenha faltado sutileza ao atleta num momento em que tudo e todos são motivos para conspirar. Um like no Instagram já basta para um jornal fazer matéria dizendo que jogador "X" está interessado em mudar de clube. Talvez o erro de Alves tenha sido amar demais o jogo.