O dilema da Juve: Szczesny ou Donnarumma?

Ao rejeitar a renovação de contrato, Gianluigi Donnarumma plantou uma bomba no mercado de transferências. Todas as especulações ganham corpo quando o futuro bandeira empurra o Milan para escanteio à espera do fim do vínculo, em 2018. A revelação anunciada pelo CEO rossonero, Marco Fassone, afeta, entre outras equipes, a Juventus.



Curta o Gazzebra no Facebook. Siga Murillo Moret no Twitter.



Na véspera da final da Liga dos Campeões, o noticiário deixou a partida de lado para avisar que Wojciech Szczesny foi o escolhido para se juntar ao bianconero na próxima temporada. O negócio era uma surpresa; nenhum boato caiu na mídia, só que a Juventus conversava com Arsenal e goleiro desde janeiro último.


Getty Images
Getty Images

Milan diz que decisão de Donnarumma é 'definitiva'


Nem Juve, Arsenal, Roma ou o próprio polonês falaram sobre a transferência não confirmada. Os torineses acharam em Szczesny o substituto perfeito para Gianluigi Buffon após o Mundial do ano que vem, quando ele planeja se aposentar - ainda disputaria Supercopa Europeia e Interclubes em caso de vitória na Champions. O técnico Massimiliano Allegri declarou que o goleiro foi um pedido dele.


De qualquer forma, a proposta veiculada (12 milhões de euros e bônus que atingem, no máximo, outros 2M) é uma barganha para o goleiro com o maior número de partidas sem sofrer gols na última Serie A. Fora isso, o arqueiro teve o segundo maior índice de defesas do campeonato. Szczesny não é mais aquele goleiro extremamente irregular que deixou Londres há dois anos. Ele evoluiu bastante - ao ponto de Buffon vir a público dizer que o polonês seria uma excelente aquisição.


Mas aí entra Donnarumma. Não importa a vontade de Real Madrid, qualquer clube inglês, Paris Saint-Germain e mais 35 times à sua escolha. A Juve tem a necessidade de sondá-lo. Mesmo que seja nada mais, o diretor Giuseppe Marotta tem de verificar se o goleiro tem vontade de deixar a torcida do Milan ainda mais raivosa se permanecer na Itália.


O interesse da Juve no prodígio não é novo. O clube, por meio do dirigente, já tinha avisado que gostaria de um italiano para entrar na vaga de Buffon, mantendo a tradição da nacionalidade na posição - Dino Zoff, Angelo Peruzzi, Giampiero Combi, Stefano Tacconi... À época, escrevi que a fala de Marotta indicava a futura saída de Neto. A transferência de Szczesny, mesmo não confirmada – representantes dele falaram que o anúncio está próximo – e tampouco ele sendo oriundo do Belpaese, comprova que o brasileiro não é visto como titular.


O problema é lidar mais uma vez com Mino Raiola. O agente é um predador sem escrúpulos - e é por isso que os clientes o escolhem. Ele sabe que tem em mãos alguns atletas de potencial altíssimo e vai, sim, buscar o melhor para ele e para si mesmo. É um caminhão desgovernado, passa em cima de todo mundo. Juve encararia outra guerra extra-campo por Donnarumma, em caso de contratação, igual à protagonizada com Paul Pogba? Além disso, o bianconero que se esperte, pois uma das grandes promessas do clube, Moise Kean, é agenciado pelo empresário egocêntrico - como escreveu Gian Oddi no ESPN.com.br.


Falta um bocado para o início do campeonato - nas minhas contas, uns 45 anos -, mas o anúncio milanista foi um despertar num mercado saturado de não-novidades. Que comece a guerra.