​Quem são os protagonistas que a Juve precisa contratar?

As férias começaram para os jogadores que não estão compromissados com a seleção em junho. Para Giuseppe Marotta e Fabio Paratici, o trabalho está no início. São eles os responsáveis para trazer um ou dois craques que a Juventus necessita urgentemente. O investimento para 2016-17 em contratações pontuais deve ser alto, mas essencial para tornar o time completo e com alternativas.



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O contrato: há um ano, o diretor de futebol da Juventus pagou o que o Napoli pediu. O artilheiro recordista de Serie A, Gonzalo Higuaín, jogaria no bianconero por 90 milhões de euros. Foi a maior compra feita por uma gestão que procurava pechinchas até o último minuto - de acordos a custo zero, como Sami Khedira, Andrea Pirlo e, recentemente, Daniel Alves; e patinhos feios ou promessas, como Alessandro Matri, Kingsley Coman e Paul Pogba. Ali, a Velha Senhora mostrou que estava pronta para dar o próximo passo - e ele precisa ser agora.




Os próximos dois meses serão de especulações em todos os lugares. Abri duas enquetes só para entender o que uma parte mínima do Twitter pensa sobre os candidatos. Para o meio, Marco Verratti é o favorito, seguido por Corentin Tolisso, Leon Goretzka e Leandro Paredes. Entre os pontas, vitória apertada de Alexis Sánchez sobre Douglas Costa, Angel Dí Maria e Federico Bernardeschi.


A capa da edição deste sábado da Gazzetta dello Sport afirma que a Juventus conseguiu a aprovação de Steven N'Zonzi e busca fechar negócio com o Sevilla por 40M. Preço não significa necessariamente o valor real de um atleta. Tempo de contrato, avaliação de mercado, hype, títulos... São muitas variáveis que interferem na transação, porém, permita-me resumir com é quanto comprador e vendedor acham que ele vale. Se a Juventus tem esse dinheiro e 40M não fará diferença no balanço, que gaste em N'Zonzi. Mas é errado. A falha consiste em gastar esse valor num atleta que não mudará o status da equipe. O francês é bom jogador, entretanto, aos 28 anos, é somente uma opção a mais no meio de campo.


Getty Images
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Verratti e Alexis seriam perfeitos para a Juve da próxima temporada


Na final em Cardiff, o Real Madrid impôs a Juventus a fazer exatamente o que ela tem dificuldade: criar em situações adversas. A mudança no esquema tático para suportar Higuaín, Paulo Dybala, Mario Mandzukic e Juan Cuadrado/Alves mostrou solidez, efetividade e, sobretudo, sucesso quando o time conseguia marcar antes do adversário. Barcelona, Napoli e Monaco sucumbiram a isso. Eles não conseguiram passar pela defesa juventina e o bianconero não precisava propor o jogo. Roma e Madrid, não. O meio com somente dois jogadores - Sami Khedira e Miralem Pjanic - foi completamente dominado no País de Gales. A similaridade entre o futebol líquido existia, mas a superioridade madridista foi numérica, tática e física, mal-tratando o alemão e o bósnio durante todo o segundo tempo.


Se Massimiliano Allegri voltar ao esquema com três meio-campistas, e é provável que aconteça, Khedira e Pjanic têm de compartilhar o setor com alguém que contribua com eles - a alteração feita pelo técnico em janeiro foi justamente para acomodar as principais peças sem Claudio Marchisio, de físico frágil. N'Zonzi não é esse tipo de jogador, tampouco Goretzka (meu preferido há tempos) ou Paredes (um vice-Verratti de potencial altíssimo, porém, não para o momento). Nesta carência, o italiano do PSG e Tolisso são os fundamentais. Nenhum é barato - principalmente o primeiro, que tem um agente que fala muito -, porém, seriam titulares em qualquer proposta do treinador.




A discussão entre os atacantes laterais é um pouco diferente. De fato, a opção certa e única deveria ser Alexis. Ele provou ser o cara em Údine e Londres. Nem em Barcelona fez feio. Esta é outra posição que precisa chegar alguém para assumir uma posição entre os 11 iniciais e o protagonismo em momentos complicados. Dybala até pode se beneficiar com isso e, aos poucos, agregar esse papel ao repertório. Tenho muitas incertezas sobre Di María, responsável pela conquista europeia do Madrid em 2014 e inconstante desde então, e Douglas Costa, que até o amigo Rainer Pompermayer, blogueiro do Bayern de Munique aqui no ESPN FC, deseja longe da Baviera. Bernardeschi, por outro lado, chegaria para disputar vaga no time com Marko Pjaca. A Fiorentina pede, também, 40M. Baldé Keita é desses de finta fácil, mas sem o índice de protagonismo - a favor dele fica o custo-benefício.


Mais ou menos, ganhar custa. Para a Juve, vai ser um pouco caro. É o preço que ela paga para deixar de ser Borussia Dortmund ou Atlético de Madrid e tirar o troféu mais cobiçado do continente das mãos lambuzadas dos três principais candidatos: Real, Barcelona e Bayern de Munique, exatamente os algozes bianconeros das últimas três temporadas.