Vontade e bola: as marcas de uma Juventus vencedora

O que deixa Massimiliano Allegri realmente puto é quando o time não se compromete. Pode acontecer na primeira rodada de um campeonato ou numa final de Coppa Italia, como nesta quarta-feira (17). Basta um erro para acontecer o show de fúria na área delimitada ao técnico.



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A Juventus que jogou contra a Lazio foi uma que queria ganhar. O mistão derrotado pela Roma e que não alcançou a pontuação necessária para comemorar o título italiano antecipado, não. No último fim de semana, uma Juve pueril foi engolida por um giallorosso que passaria o trator em quem estivesse pela frente.


Inexperiência laziale? Difícil colocar na conta de um ou de outro. Porque a Lazio precisava de mais uma partida desatenta do adversário para conquistar uma chance. Porque necessitava, também, interromper uma série negativa de 14 jogos sem vencer a Juve - sendo nove derrotas em nove partidas contra Allegri -, marcando somente um gol.


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O time rival não é ruim. A vaga na competição europeia já foi garantida em uma temporada muito boa, no primeiro ano de Simone Inzaghi. Fora jogadores irregulares aqui e acolá, a coluna laziale é interessante: Thomas Strakosha mostra sinais de um bom goleiro; Wallace é um substituto interessante para a dupla de zaga, Stefan De Vrij e Wesley Hoedt; Lucas Biglia e Marco Parolo controlam o meio; e Baldé Keita saracutica pelos cantos da área. Ciro Immobile lidera a artilharia do time na Serie A - mas encontra dificuldade ante a Juve (um gol em nove confrontos) -, entretanto, o destaque-revelação é Sergej Milinkovic-Savic. Esse moleque é o demônio no meio de campo.


Getty Images
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O gol desse rapaz com a camisa 23 está logo abaixo. Repare no lançamento de Alex Sandro


Destes, somente Keita realmente incomodou a Juve. O chute na trave foi o único que passou por Neto, que somou cinco defesas na partida - sendo uma gigantesca contra Immobile, em cima da linha. A equipe que atropelou a Roma na semifinal ficou aquém de um vencedor em potencial na finalíssima. A dificuldade para criar foi muita (e ainda Parolo, jogando no sacrifício, não aguentou um tempo sequer) e ainda esbarrou numa Senhora a ponto de bala.


Andrea Barzagli, mais uma vez, parecia um jovem de 20 anos correndo atrás dos atacantes. Alex Sandro e Dani Alves foram excelentes. Mario Mandzukic, gigante. Aliás, o atacante-que-jogava-na-ponta-mas-agora-é-surpreendente-porque-ninguém-sabia terminou a partida com oito bolas recuperadas. Ninguém teve mais.


E voltemos ao treinador, Allegri. O resultado era favorável em 2-0, com o segundo tempo rolando, e uma bobeira defensiva acabou com chance da Lazio. A fúria veio em gesto: aquele típico italiano, xingando Deus e o mundo em direção ao banco de reservas. Para acalmar, só a borrifada de água que levou de Alves assim que Paolo Tagliavento encerrou a final.



É esse tipo de obrigação, de empenho em todos os jogos, que faz a Juventus de Allegri colecionar tantas vitórias. São seis com ele, com possibilidade real de mais dois para acabar a temporada de forma gloriosa. Até lá, lembremos que o treinador foi o único que conseguiu o tricampeonato na competição que existe desde 1922. Não teve Grande Torino, Juve de Carlo Parola e Omar Sivori, Roma de Nils Liedholm e Bruno Conti, Sampdoria de Toninho Cerezo e Gianluca Vialli, nem a Inter de José Mourinho e Leonardo. Somente Allegri e a esta Juve.