Só houve um 'novo Cristiano Ronaldo', e ele foi Lanzafame

Estamos mal acostumados. Semana sim, semana não, Cristiano Ronaldo enfatiza recordes individuais para mostrar a grandeza dele. O último, a tripletta contra o Atlético de Madrid na ida da semifinal europeia, foi para mostrar o quão pipoqueiro o português não é: 52 gols em fases eliminatórias da Liga dos Campeões do líder absoluto, recheando a marca total de 103 na competição. Significa que ele fez mais gols que 113 equipes que jogaram o campeonato ao menos uma vez.



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Escrever sobre o luso significa buscar superlativos a todo momento. “O melhor”, “o maior”. Se não é Lionel Messi, um alienígena entre os mortais, Ronaldo usou a genética abençoada para se tornar sobre-humano, alcançar um extraterrestre baixinho e chegar à primazia.


Divulgação/Budapest Honvéd
Divulgação/Budapest Honvéd

Ele bebe água como craque


Por ser inventivo, cravou o nome na história como, aí o superlativo, melhor Ronaldo. Aberto, como pelo Manchester United e seleção portuguesa, ou centralizado, visto pela última vez na traulitada do Real Madrid no Santiago Bernabéu, acabou com qualquer discussão acerca do nome: ele é o Ronaldo, e não o outro ou o Gaúcho. Os brasileiros foram enormes nos respectivos auges curtos, rápidos tiros de magia. O português está assim há 10 anos. Quem o para? Quem o alcança?


Existem vantagens em crescer nos principais vivaios da Itália. Genoa, Atalanta, Inter, Milan, Juve… Os jovens que aparecem nas categorias de base destes times têm certa pompa, certo respeito. Os 11 gols marcados na Copa Viareggio de 2007 e o título na Coppa Italia Primavera do mesmo ano como titular fizeram com que a luz brilhasse em cima de Davide Lanzafame.


O atacante nativo de Turim tinha uma eficiência ofensiva incrível entre os adolescentes. Era ágil, rápido e inteligente. O técnico Antonio Conte foi o responsável pela intensa e ligeira fama do rapaz de 21 anos. Contratado para o lugar de Giuseppe Materazzi, o treinador lançou um 4-2-4 e aproveitou Lanzafame na ponta-direita. O Bari nem fez um campeonato tão bom na Serie B (apesar de montar a base que seria campeã no ano seguinte), mas, individualmente, “Lanciafiamme” ("Lança-chamas", em português) chamou muita atenção: convocação para a seleção sub-21 e comparações a Ronaldo.


Reprodução/Corriere dello Sport
Reprodução/Corriere dello Sport

A manchete no jornal: o prodígio que não alcançou a devida fama


Pierluigi Casiraghi, ex-atacante de Juve, Lazio e vice-campeão mundial de 1994, era só elogios a Lanzafame. O ligeirinho tinha “força explosiva nas pernas, velocidade, atuava na mesma posição e tinha o senso de gol”, apesar da distância e da possibilidade do exagero puro, do português. O italiano, aos 21 anos, era uma figurinha certa para o futuro italiano - e do Palermo, equipe que o havia contratado em co-propriedade.


O turinês está desde o ano passado na Hungria. É a segunda passagem pelo Budapest Honvéd, opção exercida por não ser uma liga tão tática. Em entrevista recente ao jornalista Gianluca DiMarzio, o atleta afirmou que tropeçou algumas vezes na carreira. São 29 anos de idade, 10 de profissional, 10 times e 19 treinadores. Em pouco mais de 230 partidas, apenas 38 foram na Serie A; gols, somente oito.


O italiano não deu certo por muito pouco. Detalhes o separaram das glórias. Na busca infindável por um jogador com a capacidade de mudar tudo, a cria da Juventus vai ficar ligeiramente longe dos mais de 500 gols, 21 títulos e 4 Bolas de Ouro de Ronaldo.