Sensação estranha, mas boa: Juve é mesmo a favorita na Champions

A Juventus não é inventiva. Não tem algo que Massimiliano Allegri faça de inovador, que jamais fora visto noutro momento do futebol. O modo complexo mas simples de pensar o jogo, sempre de forma inteligente, é o que difere a Velha Senhora dos outros semifinalistas. A sensação é um bocado estranha, porém, boa: o bianconero é o favorito ao título europeu.



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Ver Miralem Pjanic e Paulo Dybala jogando é maravilhoso. A maneira pela qual o bósnio se move em campo é belíssima. Não precisa procurar o jogo: o jogo o busca - e naquela posição que outrora era desconfortável. O argentino até arrisca mais dribles (como o rolinho dado em João Moutinho no terço final do primeiro tempo), contudo, parece que tem olhos na parte de trás da cabeça. Os passes em ponto futuro, de primeira, são uma alegria.


Getty Images
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Não tem como não ficar feliz vendo esse homem comemorar


A ovação para Andrea Barzagli, substituído no fim da etapa final, é outra razão para comemorar. De forma parecida com a de Giorgio Chiellini, sumido na primeira metade da temporada, o zagueiro de 36 anos segue gigante. A missão de frear a promessa mais temida da Europa foi concluída com sucesso. Kylian Mbappé teve seus momentos, mas acabou derrotado, no geral, por Barzagli.


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A mudança e escolha por três zagueiros efetivada pelo técnico rival, Leonardo Jardim, foi somente um auxiliador para a vitória de 2-1 no JStadium. O Monaco atacou bastante nos minutos iniciais, entretanto, perdeu toda a ligação do meio de campo que fora mostrada na partida de ida e tantas outras do Francês. A Juve só precisava aguardar. Na reposição rápida de Gianluigi Buffon, sete toques na bola até Mario Mandzukic guardar. Depois de cruzamento de Daniel Alves, no corredor aberto porque Benjamin Mendy tentava realizar outra função. O golaço do brasileiro foi a cereja do bolo de um time pronto, letal e sólido.


O tento solitário do Monaco tem motivo simbólico somente para o marcador. Mbappé vazou Buffon pela primeira vez para quebrar uma marca de 689 minutos sem sofrer gols. Um toquinho a centímetros da linha do gol, após um cruzamento rasteiro. Para a Juve, ela se fortalece ainda mais porque este evento foi natural: alguém, em algum momento, fatalmente balançaria a rede.


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Enquanto Real Madrid e Atlético disputam a vaga restante, a Juve assiste sabendo que os adversários têm mais problemas que ela: o primeiro com problemas defensivos mostrados por Napoli e Bayern de Munique; o outro pela falta de compactação vista na partida de ida, realizada na semana passada.


Há dez anos, no 3º dia de junho, o torcedor da Juve lamentava, do estádio ou pela TV, a derrota para o Bari durante a campanha da Serie B. No mesmo dia, este ano, ele tem a confiança (pois certeza, só a minha) que a equipe que torce é favorita contra qualquer uma das equipes semifinalistas que enfrentará no País de Gales. Finalmente.