Tirem o chapéu para Dani Alves, o maior da geração

A escalação de Andrea Barzagli era surpreendente. O retorno aos três zagueiros para uma semifinal de Europeu, mais ainda. A Juventus mostrou o outro lado de uma mesma faceta para passar pelo Monaco, no Principado. Uma mutação defensiva, mesmo que Gianluigi Buffon continue colossal, e ofensiva, com Dani Alves fazendo tudo e mais um pouco.



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Na apresentação, escrevi que o brasileiro “ainda tinha gás para ser o Cafu” bianconero. As estatísticas mostraram somente parte do que o lateral entende de futebol. As duas assistências dadas para Gonzalo Higuaín nesta quarta-feira (3) foram gloriosas: a primeira, após grande jogada desde a saída com Buffon, de calcanhar; a outra, um cruzamento na medida para o rapaz que marcou oito vezes nas últimas oito partidas.


Getty Images
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Que alegria ver Glik, ex-Torino, perdido na jogada do segundo gol no Louis II


E sem precisar somente dele. Por muitos anos - e algumas vezes em Turim -, Alves tinha um peso importante: o volume de jogo. No Louis II, o brasileiro foi letal quando foi chamado e necessário, bem como o companheiro de corpanzil rechonchudo que veste a camisa 9. Reparar nisso é evidenciar a excelente partida de Miralem Pjanic e Claudio Marchisio.


O bósnio já tinha feito o fino contra o Barcelona. Ante o Monaco, o fez mais uma vez. O italiano, ainda aquém da melhor forma, também foi exemplar - se marcasse no primeiro tempo, então, quando a bola sobrou para ele na frente da área… Nenhum deles é o famoso volante-volante. Seria igual se Sami Khedira, suspenso, tivesse jogado. Os escalados nas posições constroem, avançam, voltam, recuperam, cercam e desarmam o atacante adversário no ato da finalização.


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O Monaco de 146 gols na temporada precisa de outra fórmula. Buffon soma 600 minutos sem ser vazado na competição. Ele buscou a bola na rede em somente duas ocasiões nesse campeonato. Porque além da zaga ajudar um bocado, ele tem o corpo fechado. O goleiro é uma obra-prima da humanidade. É a Grande Muralha contemporânea fechando o gol para Radamel Falcao, Kylian Mbappé, Bernardo Silva e Valère Germain.


Voltemos a Barzagli. A ideia de Massimiliano Allegri era, na teoria, preencher o território de ação dos dois atacantes. Nos primeiros minutos, a formação com três zagueiros voltou a aparecer. Depois, a linha era de quatro. Na sequência, cinco ou seis. Mbappé deu um baita trabalho ao veterano, mas foi ineficiente. Ainda bem.


O time que mais marcou na Europa não conseguiu vibrar. O melhor ataque do continente, o do Barcelona, também não. Um 2-0 a favor torna a missão do Monaco quase impossível.