Maldito vírus Fifa: sistema imbatível da Juve está em risco

Os últimos jogadores que defenderam as respectivas seleções em Eliminatórias ou amistosos voltaram nesta quarta-feira (29) a Turim. A pior notícia foi a lesão de Marko Pjaca, que vai perder o resto da temporada. Com ela, o sistema super ofensivo e imbatível da Juve foi posto em xeque - o que é um perigo se existe a pretensão de disputar três títulos em 2016-17.



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O amistoso contra a Estônia na Le Coq Arena foi, teoricamente, a última partida do ponta croata até a próxima época. Um pisão errado e lá se foi o ligamento cruzado. O colega Ivan Perisic, da Inter, culpou o gramado. O resultado, porém, não muda: intervenção cirúrgica e fisioterapia - exatamente como aconteceu, nos últimos anos, a rodo na Serie A: Riccardo Montolivo, Mario Rui, Alessandro Florenzi, Arkadiusz Milik, Mattia Perin e Claudio Marchisio.


Getty Images
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Tempo mínimo para recuperação de Pjaca é seis meses


Não há hora boa para lesão, mas esta de Pjaca veio num momento horroroso. Nas próximas três semanas, a Juventus encara o Napoli pela Coppa Italia e Serie A e joga a vida por uma vaga na semifinal continental contra o Barcelona. O grande trunfo, a tática que Massimiliano Allegri tirou da cartola, pode ser repensado. O sucesso da Juventus passava pelo tridente ofensivo posicionado atrás de Gonzalo Higuaín. Pjaca era utilizado como um reserva de Juan Cuadrado e teve apresentações regulares nos últimos meses - sendo a mais expressiva contra o Porto, quando marcou vindo do banco.



“Não há razão para organizar um amistoso desse tipo. O campo estava indigno para o futebol profissional. Foi criminoso. A maior derrota foi perder Pjaca” (Ivan Perisic)



Sem o croata, a Juve não tem outro jogador para cumprir a função da mesma forma. Até que seria uma boa ver Moise Kean (lembra quem ele é?) ganhando mais minutos no time profissional, porém, ele se machucou contra o Club Brugge, nas oitavas de final da Copa Viareggio. É possível que ele volte à ação na semana do confronto decisivo na Catalunha; por outro lado, é quase impossível que ele receba uma chance na Liga dos Campeões. O ótimo Luca Clemenza, retornando de lesão até o fim da semana, é outro que fica nesse meio-fio.


A escolha por Dani Alves mais avançado é a mais sensata em caso de permanência do mesmo sistema tático. Ele sabe jogar por ali e fez uma partida satisfatória contra o Milan. Só que vejo mais contras que prós: caso ele seja o escolhido, Stephan Lichtsteiner vai atuar a partir do início; o reserva, Andrea Barzagli. Quanto os dois podem ser úteis nesses jogos complicados? O suíço não tem jogado bem e o estado físico do zagueiro preocupa.



A alternativa é modificar o módulo para uma base com três jogadores no meio de campo. Assim, as opções são muitas. Sami Khedira, sempre titular, atuaria ao lado de Claudio Marchisio e Miralem Pjanic; todos atrás de Higuaín, Cuadrado e Paulo Dybala. Tomas Rincón e os inconstantes Mario Lemina e Stefano Sturaro não ficam de fora, pois eles conseguiriam jogar no centro, permitindo que o bósnio aproximasse mais da dupla de ataque - Cuadrado e Mandzukic, assim, perderiam a vaga. Um 4-3-3 é fantasioso demais porque a Juve perderia o poder de fogo de Dybala.


Acredito, contudo, que o maior erro seria retornar para três zagueiros. Talvez contra o Napoli valha a pena, pois é uma equipe que tem dificuldade para enfrentar essa formação. Contra o Barcelona, não. O conjunto formado dessa forma não tem sido regular o bastante na Serie A. Imagina, então, retornar à Liga dos Campeões dessa forma.