Mandzukic é um atacante que não faz gol. Isso é ótimo

Esta não era para ser a temporada de Mario Mandzukic. A Juventus buscou Gonzalo Higuaín para ser o homem-gol exatamente no ano seguinte ao de pior rendimento do croata desde 2011. A passagem do atacante parecia culminar para um fim semelhante ao vivido no Atlético de Madrid. Entretanto, a mudança de postura e a retomada da filosofia alemã modificaram o cenário: essa é, definitivamente, a temporada dele.



Curta o Gazzebra no Facebook. Siga Murillo Moret no Twitter.



Os modelos de Pep Guardiola e Diego Simeone não foram bons para Mr. No Good. Deixou a Alemanha para trás depois de uma época com 21 gols porque não se adaptou às propostas do treinador catalão da mesma forma que deu adeus à Espanha após somente uma temporada. Substituir Diego Costa e David Villa no Atlético que fora campeão da Espanha era uma tarefa árdua sobretudo porque ele não tinha a velocidade para realizar o trabalho dos colchoneros. Pensei que o futuro da Juve passava pelos gols de Mandzukic. Errei. Ele é importante pelo que voltou a fazer.


A recomposição defensiva dos atacantes é vital para o sucesso dos times nas competições de alto nível. No Arsenal invencível da década passada, Thierry Henry era o primeiro a voltar correndo para recuperar a bola perdida. Mais recentemente, Diego Costa ou Luis Suárez são exemplos de combatividade: um com força; outro com jeito, malemolência, perspicácia ou, caso prefira, malandragem.


Getty Images
Getty Images

Mr. No Good não sorriu nem quando vazou Skorupski - até porque o árbitro marcou gol contra do Empoli


Após a derrota para a Fiorentina por 2-1, Massimiliano Allegri resolveu testar uma escalação com quatro jogadores, em tese, super ofensivos. Na teoria, o croata, Paulo Dybala e Juan Cuadrado ficavam atrás de Higuaín. Na prática, a Joia buscava o jogo, Mandzukic invertia ou se posicionava perto de Pipita e o colombiano corria freneticamente pelos lados. Contra a Lazio, vitória impecável e nova formação feita.


Alexis Sanchez, Roberto Firmino, Valère Germain, Sandro Wagner, Jimmy Briand, Andrea Belotti, Giovanni Simeone, Diego Falcinelli, Manuel Pucciarelli. Todos eles têm responsabilidades defensivas importantes, contudo, majoritariamente buscam a correria pela marcação-pressão - o que Lucas Barrios e Robert Lewandowski faziam no Borussia Dortmund.


Movido para a esquerda do ataque, Mandzukic é ponta e meia. Ele faz tudo e sempre com o mesmo empenho. Nos minutos iniciais, procura pressionar o adversário juntamente com os outros jogadores para não ficar só, correndo feito um abobado; noutros, marca pela esquerda desde a linha do meio-campo até a de fundo. No jogo fora de casa contra o Sassuolo, o croata terminou a partida com nove bolas recuperadas - o mesmo que o zagueiro Francesco Acerbi.


Não tem um atacante na Serie A melhor que Mandzukic na defesa. Quem diz isso são os números, via WhoScored (média de 1,3 desarmes/jogo). Ele também é um dos melhores ao encarar adversários no um-contra-um: apenas 0,4 dribles sofridos. Ser esse tipo de “atacante defensivo” não é para qualquer um. Não adianta ter preparo físico e correr a esmo. A inteligência para antever a jogada é crucial, e Mandzukic a executa, pela primeira vez em anos, à perfeição.



Aliado ao desempenho goleador, estas foram as características que fizeram Jupp Heynckes manter o croata na titularidade do Bayern de Munique em 2013, relegando Mario Gomez e Claudio Pizarro. A atuação dele contra a Juventus, em Turim, foi, ano depois, usada como exemplo para o interesse do Atleti. No JStadium, Mandzukic jogou de forma colossal: além de pressionar na frente, recuava rapidamente para o Bayern sempre ter 10 jogadores no campo defensivo. Além de incomodar o trio defensivo da Juve, ele venceu 16 duelos pelo alto nessa partida.


No Piemonte, essa foi a chance que o camisa 17 precisava para deixar de ser a segunda ou terceira opção. O gol determina tudo: significa a vitória, o título, a queda do técnico ou a fúria da torcida. Mas Mandzukic conseguiu contornar o fundamentalismo de um atacante que não marca desde a primeira semana de fevereiro (seria menos, mas o gol marcado 15 dias depois, contra o Empoli, foi assinalado como contra do goleiro) para ser o grande personagem da Juve na temporada. Se tem alguém que eu prezo sempre que acaba um jogo, este é o homem que não sorri.