Dalbert e Vecino: dois sul-americanos para ajudar Spalletti

Divulgação/Internazionale
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Dalbert Henrique, ou apenas Dalbert, o 33º brasileiro e a mais nova esperança da lateral esquerda da Inter


Demorou, mas enfim Dalbert foi oficializado como jogador da Inter. Foram pouco mais de dois meses de negociação com seu procurador e a direção do Nice até a realização dos exames médicos e a assinatura do contrato em Milão nessa terça-feira. Motivo que também atrasou nossa avaliação do uruguaio Matías Vecino, apresentado na última quarta-feira - a expectativa era que o brasileiro fosse anunciado na mesma semana, o que não aconteceu.


A dupla sul-americana, como Milan Skriniar e Borja Valero um mês atrás, é uma contratação pontual, absolutamente necessária considerando a situação do elenco e com o perfil do sistema de Luciano Spalletti. Ainda não vimos o grande nome que a Suning promete, mas mais importante do que isso é que a direção está entregando um grupo mais coerente e equilibrado para o treinador, o que não vimos em nenhum dos últimos sete anos e isso refletiu nos péssimos resultados recentes.


Não é segredo para ninguém que a lateral esquerda da Inter é um problema constante. Isso não é recente, porque desde a saída de Andreas Brehme em 1992 ninguém se estabilizou ali - nem mesmo Javier Zanetti, destaque na função com Gigi Simoni em 1997/98, mas de volta à direita no ano seguinte, além de breves improvisações posteriormente. A última aposta tinha sido Cristian Ansaldi, um dos melhores da Serie A em 2015/16 com o Genoa, mas que não repetiu o desempenho em Milão e teve problemas físicos.


Dalbert foi um nome indicado por Walter Sabatini, profundo seguidor do futebol francês, e também o primeiro contratado com sua avaliação. O brasileiro nascido em 1993 teve passagens pelas bases de Fluminense e Flamengo, porém nunca jogou profissionalmente no país natal, e surgiu na segunda divisão portuguesa pelo Académico de Viseu. Destaque do Vitória de Guimarães em 2016, foi para o Nice por 2 milhões de euros e se tornou peça indispensável para Lucien Favre, terminando o ano como um dos melhores da Ligue 1.


Contratado pela Inter por dez vezes mais, Dalbert se trata de um lateral ofensivo e aos 23 anos está em um ótimo estágio técnico, físico e psicológico. Combina força e aceleração com boas médias em passes, cruzamentos e dribles, ainda que não tenha um gesto técnico tão chamativo - mais importante do que isso, é um jogador que erra pouco e tem boa leitura do espaço. Como destacado pelo L’Ultimo Uomo, desenvolveu seu jogo com Favre de uma forma que favorece muito a adaptação com Spalletti no futebol italiano.


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O mais novo charrua interista já jogou com Recoba


Para quem não conhecia muito bem Matías Vecino, certamente ele chamou atenção no jogo de abril contra a Inter, quando marcou duas vezes e deu uma assistência, explorando muito bem as deficiências do time de Stefano Pioli. O uruguaio, que jogou com Álvaro Recoba no Nacional, é um perfil novo para o meio-campo interista, que finalmente está completo e combina com o treinador. Mais uma vez destaco um artigo do L’Ultimo Uomo, que expôs suas virtudes e defeitos e o que traz de diferente para o grupo.


Vecino é bastante forte e mantém a média no setor com seus 1,89 m, mas se trata de um perfil mais próximo de Spalletti enquanto gestor, destaque nas equipes de Maurizio Sarri (Empoli) e Paulo Sousa (Fiorentina), atuando como meia-direita no 4-3-1-2 do italiano e mediocentro no 4-2-3-1 / 3-4-2-1 do português em três anos de titularidade na Serie A. Ocupa muito bem o espaço e tem um potente chute de média-longa distância, em contrapartida sofre com momentos de desconcentração e comete faltas pela pouca agilidade.


Enquanto isso, o mercado segue. O clube gastou pouco mais de 70 milhões de euros e arrecadou quase 50 milhões, mas ainda há trabalho a ser feito. Como as definições de Gary Medel, Jeison Murillo e Andrea Ranocchia e seus respectivos substitutos, afinal sobrariam apenas dois zagueiros. Sem contar Davide Santon, que dispensa apresentações. No meio, era esperada a saída de Marcelo Brozovic e por enquanto nada aconteceu, enquanto Geoffrey Kondogbia tem interessados, mas poucos têm o dinheiro. Pelo menos um deve sair no setor.


No ataque, se o Manchester United desistiu de Ivan Perisic, o Chelsea pode tentar Antonio Candreva no final da janela, e o clube precisa estar preparado para isso. O jovem Emre Mor está muito próximo de acertar e isso é um sinal direto para Gabriel, que tem diversas ofertas, porém não definiu seu objetivo - ou não entrou em acordo com a direção. Já Patrik Schick depende dos exames e do quão rápido a diretoria será contra os vários interessados pelo tcheco. Por fim, Stevan Jovetic pode acabar permanecendo. Indiscutível sua qualidade técnica, deixou boa impressão na pré-temporada, mas até onde está disposto a brigar por um lugar ou funcionar como um coringa para Spalletti?


No próximo sábado, a equipe terá seu último amistoso antes da estreia na Serie A contra a Fiorentina, domingo dia 20. Em Lecce, no simpático estádio Via del Mare, e como contra o Villarreal com expectativa de casa cheia, enfrentará o Real Bétis, às 15h30 no horário de Brasília. Mais um importante teste para definir as últimas situações da formação e avaliar a condição física de Mauro Icardi, além da estreia de Dalbert.