A última vez que a Inter interrompeu a seca de título

Divulgação/Internazionale
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Córdoba levanta a taça que interrompeu um tabu de sete anos sem título da Inter


Quando falo que esta é a pior década da história da Inter, não é somente pela falta de títulos. Clube nenhum no mundo mantém uma série de vitórias por dez, quinze anos, e eventualmente passa por alguns períodos de seca. Até Real Madrid, Bayern e Juventus, acredite. Não é exceção com a Beneamata, e não é novidade para os nerazzurri terem épocas de poucas alegrias como agora.


Por exemplo, a Inter venceu o Campeonato Italiano logo no seu segundo ano de profissionalismo, em 1910, mas voltou a ganhar o título só dez anos depois. Da mesma forma, retornou a ser campeã somente em 1930, quando pela primeira vez o campeonato virou liga. Na época da Ambrosiana-Inter, ficou mais oito anos sem título, até ganhar em 1938 e 1940, e também conquistou a primeira copa em 1939.


De volta à Internazionale após o fim do regime fascista de Benito Mussolini, o clube viveu seu maior período sem conquistas: de 1940 até 1953, interrompido pela doppietta do time de Alfredo Foni. E depois foram novamente mais dez anos na seca até surgir a Grande Inter de Helenio Herrera, que dominou o futebol italiano e europeu nos anos 60. Com o envelhecimento do time, foram cinco anos até o novo título após ter conquistado a estrela.


A segunda copa veio sete anos mais tarde, e em 1980 ganhou o 12º scudetto, além de mais uma copa dois anos depois. Apesar da ótima geração e os investimentos nos anos 80, a Inter voltou a comemorar somente no comando de Giovanni Trapattoni, com o scudetto dei record em 1989, a primeira supercopa italiana em 1990 e também a primeira Copa Uefa em 1991. Título europeu que seria repetido em 1994 e novamente em 1998, o primeiro da gestão de Massimo Moratti.


Mas os anos 90 e início dos 2000 não foram muito gentis com o clube, colecionando algumas campanhas históricas no pior sentido possível, como o 13º lugar em 1994, apenas um ponto acima do primeiro rebaixado, ou o desastroso 1999, com quatro treinadores e muitas decepções individuais. Também pelos scudetti que não vieram por pouco em 1998, 2002 e 2003, além da semifinal da Liga dos Campeões perdida para o Milan por gol fora de casa jogando em casa.


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Divulgaç~

R.I.P. Il Capitano Facchetti


Até o quarto título da Coppa Italia, em 2005, motivo da ideia desse texto graças à lembrança do amigo Pedro Spiacci, foram mais sete anos na seca, quase levando Moratti à loucura e falência. A conquista do time de Roberto Mancini, inclusive foi a primeira de muitos interistas que nasceram nos anos 90 e da geração que começou a acompanhar mais de perto o futebol internacional. Como eu, primeiro por culpa de Ronaldo, depois de Zanetti, Recoba e Vieri. Mas foi com Adriano que a coisa mudou, e o Imperador conduziu a equipe ao título com uma temporada fantástica.


No período mais vitorioso do clube, foram mais seis temporadas com títulos, com cinco scudetti, outras três copas, quatro supercopas, a tão sonhada orelhuda depois de 45 anos finalizando o inédito Triplete, até hoje não superado pelos rivais, e o Mundial de Clubes, este o último título internacional, também em 2010. O último no geral, como bem lembramos, foi a copa em 2011, na mesma temporada.


Mas por que estamos na pior década da Beneamata? Além de entrar no sétimo ano sem título e sexto longe da Liga dos Campeões, poucas vezes o clube fracassou tanto com tamanha regularidade. Mesmo nos períodos sem vitórias citados antes, nunca os nerazzurri passaram tanta vergonha como em 2012, 2013, 2015 e 2017, sem contar que em 2014 e 2016, apesar das boas posições, a desilusão também foi enorme. Ou seja, desde 2011 o interista não teve um momento sequer para comemorar no final da temporada. Ou melhor, desde então só comemorou o final, cansado de tantas derrotas durante o ano.


Queria ter otimismo - algo que perdi ao longo da década - para acreditar que Luciano Spalletti será como Roberto Mancini no seu primeiro ano de Inter, encerrando o tabu conquistando um título depois de tanto tempo. Enquanto não temos ideia do que será o time da próxima temporada, vamos ficar com o de 2005 - que não era lá essas coisas, mas virou a base do time mais vitorioso da história do clube.



Primeiro jogo, 2 a 0 na Roma, Olímpico, 12 de junho de 2005, dois gols do Adriano


Toldo; Zanetti, Materazzi, Mihajlovic, Favalli; Zé Maria, Stankovic, Cambiasso, Kily González (Van der Meyde); Adriano, Martins.


Segundo jogo, 1 a 0 na Roma, San Siro, 15 de junho de 2005, gol do Mihajlovic


Toldo; Córdoba, Materazzi, Mihajlovic, Favalli (Gamarra); Zé Maria (Verón), Stankovic (Biava), Cristiano Zanetti, Kily González; Cruz, Martins.