O que o futuro reserva para a nova geração campeã da Inter?

Divulgação/Internazionale
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Após cinco anos, a Inter voltou a ser campeã italiana do sub-19


Duas semanas atrás, ao falar da geração sub-19 mais vitoriosa da Inter, destaquei com pessimismo o futuro incerto dos jovens de Interello. Apesar do clube seguir produzindo bons atletas e contar com um ótimo sistema de recrutação, poucos têm oportunidade no time principal e muitos se tornam moedas de troca. Isso basicamente acontece desde os anos 90 e a perspectiva não é boa, até pela falta de estabilidade e pressão por resultados.


Enquanto isso, a base interista é uma das mais vitoriosas da Itália, da Primavera ao Pulcini, atualmente campeã do sub-18 e na disputa pelos sub-17 e sub-15. Mas a geração de Samuele Longo, Daniel Bessa e Lorenzo Crisetig, campeã italiana e europeia em 2012, foi justamente a última a conquistar o campeonato sub-19, a última categoria do setor juvenil italiano. Desde então, venceram a Coppa Italia em 2016 e o Torneo di Viareggio em 2015.


No último domingo, porém, a geração 1998-99 quebrou o tabu e conquistou a Primavera. O time de Stefano Vecchi, ele mesmo que fez a transição entre Frank de Boer e Stefano Pioli e substituiu o parmense nas últimas rodadas da Serie A, teve uma campanha muito sólida no grupo mais difícil da primeira fase, terminando três pontos atrás da líder Atalanta com 60 pontos em 26 partidas, sofrendo quatro derrotas e 18 gols - a melhor defesa do campeonato.


Na fase final, passou com vitórias apertadas sobre Chievo (2-1), Roma (1-0) e Fiorentina (2-1), sendo o último jogo contra os viola a grande final, ao todo com gols de Zinho Vanheusden (duas vezes), Rigoberto Rivas, Xian Emmers e Andrea Pinamonti. Os quatro são justamente os principais destaques de um grupo à Internazionale: são italianos, franceses, belgas, sérvios, croatas, irlandeses, ganenses, marfinenses, nigerianos, argelinos, guineanos e hondurenhos.


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Com 17 anos, Vanheusden virou titular no sub-19 e foi protagonista na fase final


Enquanto Michele Di Gregorio foi o goleiro menos vazado do campeonato, a defesa titular teve Alessandro Mattioli (ou Federico Valietti) na direita, Andrew Gravillon e Zinho Vanheusden no centro e Andrea Cagnano na esquerda. Gravillon cresceu no seu último ano na base, mas o guadalupense ainda é um defensor que passa insegurança, diferente de Vanheusden, o belga de 17 anos que assumiu o posto com muita personalidade. Técnico e forte, também mostrou liderança e poder de decisão, marcando contra Chievo e Fiorentina, considerado o melhor jogador da fase final.


No meio-campo, entre as diferentes formações abordadas por Vecchi, Theophilus Awua e Marco Carraro jamais saíram do time. O nigeriano, aliás, que tem uma certa deficiência técnica, teve grande desempenho nos jogos finais e foi fundamental com muito esforço físico e diversas recuperações, desarmes e interceptações. Mais à frente, o belga Xian Emmers também cresceu durante o ano e foi decisivo no final, se destacando pela dinâmica e força nos apoios, sempre buscando a área adversária. Com menor destaque, o ganês Stephen Danso foi reserva e teve bastante tempo de jogo.


O hondurenho Rigoberto Rivas foi outra surpresa que virou titular ao longo do ano, rendendo também convocação para a seleção principal do seu país - e estará na Copa Ouro, principal torneio da Concacaf. Rápido e habilidoso, se destacou mais pela força e pelo equilíbrio a partir da ponta esquerda, protagonizando jogadas em profundidade e forte chutes de direita, como no gol da vitória contra o Chievo. Do outro lado, Matteo Rover virou titular pelo equilíbrio que trouxe ao sistema, deixando o veloz francês Axel Bakayoko como opção, um cenário que desempenhou muito bem, diferente de quando era titular e participava pouco.


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O artilheiro Pinamonti retornou para a base e foi decisivo com o gol do título


No ataque, o menino dos olhos da Inter: Andrea Pinamonti. Com 16 anos já disputava vaga no time e marcava gols no sub-19. Entre a Primavera e o time principal, onde teve três breves experiências, marcou impressionantes 19 gols em 23 partidas. Retornou para o grupo justamente para a fase final, e fez o gol do título. Alto e técnico, se destaca pelo cabeceio e pivô, com bom controle de bola e finalização com os dois pés. Ao longo do ano foi substituído pelos velozes Mouhamed Belkheir, argelino, e Moussa Souare, guineano.


Curioso que não falamos de uma geração tão promissora no sub-19, sendo que os garotos de 2000-01 do sub-17 são os que mais impressionam. Apesar disso, o grupo que Vecchi formou mostrou grande capacidade coletiva e com alguns destaques individuais que levaram a equipe para o título. Como destacado antes, Vanheusden, Emmers, Rivas e Pinamonti são os mais demonstraram capacidade para jogar no profissional, e há grande expectativa para 2018 para o quarteto, em especial o italiano, que novamente fará parte do elenco principal.


Ainda assim, resta a dúvida: todos conseguirão dar o salto para o profissional? O clube dará oportunidades para eles? Serão novos Di Gennaro, Pecorini, Kysela, Spendlhofer, Mbaye, Romanò, Duncan, Crisetig, Bessa, Longo e Livaja? Ou novos Bonucci, que precisaram sair do clube para se tornarem jogadores de alto nível? Ou quem sabe novos Balotelli, que tiveram oportunidade, se destacaram, foram vendidos e não vingaram?


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