Ainda sem treinador, já começou a limpeza na Inter

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Quem se importa com o clube deve ficar. Icardi, que nas últimas semanas também foi alvo de críticas, fez questão de reforçar isso


Diego Simeone, Antonio Conte, Mauricio Pochettino, Luciano Spalletti, Maurizio Sarri e Leonardo Jardim. Não faltam especulados para o instável cargo de treinador da Inter. Os argentinos já desmentiram com veemência que não sairão de Madrid e Londres, enquanto Conte quer uma valorização do contrato. Faltam informações sobre Sarri e Jardim, que são protegidos por multas rescisórias e a confiança de seus clubes. De qualquer forma, o fato é que todos têm formas diferentes de trabalhar, e isso mostra a confusão de ideias.


E sem definir um treinador fica muito complicado projetar a próxima temporada, em especial o elenco - sem falarmos na diretoria, que não tem um diretor geral e um gerente de equipe. Ainda assim, está bastante evidente que a Inter passará por mais uma reformulação. Por enquanto, isso será trabalho para Walter Sabatini e Piero Ausilio, que já mostraram ser bons negociadores, mas terão um novo desafio: montar uma equipe quase do zero. Com muito dinheiro à disposição, é verdade, e até por isso a pressão é maior.


Mas enquanto não define um treinador, o que tem travado a procura por novos jogadores, a direção ao menos pode começar a “limpar” a casa. Antes de dar nomes aos bois, é bom lembrar que embora o clube tenha cumprido - parcialmente - o acordo com a Uefa por causa do Fair Play Financeiro, a prioridade é fazer pelo menos uma grande venda antes da abertura da janela de transferência, em julho, para ter liberdade no verão - os gastos devem superar 200 milhões de euros.


Havia expectativa das vendas de Ranocchia e Jovetic ainda em maio, acumulando pouco mais de 20 milhões de euros - cerca de 12M pelo italiano e 13M pelo montenegrino -, mas no momento Hull City e Sevilla não fizeram avanços para isso. Os croatas Brozovic e Perisic, então, são os principais alvos. O meio-campista tem uma cláusula rescisória de 50M e pode sair por menos, enquanto o ponta não sai por menos de 40M, hoje avaliado em 25M. Vale lembrar que já estão garantidos 12M das vendas de Juan Jesus (Roma) e Taïder (Bologna).


As saídas de Ranocchia, Jovetic e Brozovic são prioridades, enquanto Perisic seria apenas por causa da grande procura e a necessidade de arrecadar antes de julho. Tendo como base o elenco do time principal, que atualmente conta com 27 jogadores, sem falar dos emprestados, pelo menos seis estão nos planos, mas nenhum é inegociável e a venda não está descartada. Handanovic, Medel, D’Ambrosio, Gagliardini, João Mário e Icardi são eles.


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A imagem da temporada


Carrizo e Berni não ficam, enquanto Radu pode ser o terceiro goleiro ou emprestado. Na defesa, Andreolli tem contrato encerrando e sua permanência é uma incógnita. Santon e Nagatomo tem prazo de validade e suas saídas também são prioridades. O clube não está nada satisfeito com Miranda, que falhou como líder e não tem bom desempenho. Murillo é o defensor mais valioso, avaliado em 20M, e pediu para sair - a direção já negocia sua venda. Sainsbury retorna para o Jiangsu Suning e o garoto Yao também não fica. Ansaldi é outra incógnita, já que foi operado e não sairá enquanto não estiver recuperado.


Entre os meio-campistas, além dos citados anteriormente, Banega tem um mercado bom e de qualquer forma a Inter terá lucro com sua saída. Seu futuro dependerá do próximo treinador, uma vez que mostrou serviço quando teve espaço, mas há uma certa falta de compatibilidade com o grupo. Ele é o único craque desse grupo, porém os problemas vão além do campo. Kondogbia teve alguns meses de alto nível, mas voltou a cair e seu comportamento não ajuda. Ainda tem bom mercado e o clube deve buscar o mínimo de lucro depois de gastar 40M. Nas últimas semanas, Candreva provou ser o maior problema do elenco, e será difícil recuperar o investimento, mas simplesmente não há ambiente para o italiano continuar na Pinetina.


No último setor, Palacio é o único com contrato encerrando e a tendência é o seu retorno para a Argentina. Biabiany foi completamente anônimo na temporada depois de ter tido um tempo considerável com Mancini, e também não fica. Éder é mais um da barca que não agrada muito por causa do comportamento, mas falta mercado. Com tantas saídas, poderia ser a chance de Gabriel ser mais valorizado, porém a expectativa é que seja emprestado. O garoto Pinamonti se recupera de lesão e vive o mesmo dilema de Radu: ser opção no banco ou emprestado para ganhar experiência.


Quem que seja o próximo treinador, a Inter caminha para mais um verão movimentado e passará por outra reformulação de elenco. Na década mais frustrante do clube, já foram várias. Em 2011/12, quando começou seu redimensionamento e o envelhecimento dos campeões do Triplete, com figuras como Álvarez, Forlán, Jonathan, Nagatomo, Castaignos, Zárate, Juan Jesus, Guarín e Palombo. No ano seguinte, mais uma penca de contratações medíocres, como Pereira, Silvestre, Gargano, Mudingayi, Schelotto, Kuzmanovic, Rocchi, Carrizo, ofuscando Handanovic, Palacio, Cassano e Kovacic, mesmo porque saíram Pandev, Maicon, Sneijder e Coutinho.


Com Mazzarri foram poucas mudanças, mas a frustração foi a mesma no mercado que levou Icardi para o clube. Taïder, Belfodil, Laxalt, Wallace, Campagnaro, Hernanes, D’Ambrosio e Botta são algumas das figuras contratadas. Até por pressão do treinador, a temporada seguinte teve mais contratações, mas sem gastar tanto, e também com muitos erros: Medel, Dodô, M’Vila, Osvaldo e Vidic. No inverno, já com Mancini, chegaram Brozovic, Podolski, Santon e Shaqiri. Nessa temporada simplesmente saíram Zanetti, Cambiasso, Samuel e Milito.


Na primeira temporada planejada com Mancini, enfim o clube voltou a investir pesado, mas também abrindo mão de um grande talento e com muitas vendas, num mercado em que gastou pouco menos de 100M e arrecadou mais de 100M, com um balanço positivo de quase 10M. Kondogbia, Perisic, Murillo, Miranda e Éder são alguns deles, hoje todos cotados para sair, além de Felipe Melo, Jovetic, Ljajic, Alex Telles e Montoya, que, na verdade, já saíram.


O mercado do ano passado foi o mais caro da história da Inter - sem fazer relação com a inflação dos últimos anos -, com mais de 150M investidos pela Suning, principalmente com João Mário, Gabriel, Candreva e Gagliardini, enquanto Ansaldi, Banega, Erkin e as compras definitivas de Éder, Miranda, Dodô, Brozovic e Jovetic foram um legado da gestão anterior. Para este verão, o clube não tem nenhuma pendência, uma vez que a compra definitiva de Gagliardini será apenas em 2018. Além das vendas de Juan Jesus e Taïder, restam também os 5,5M da Sampdoria por Dodô.


No mais, ir além disso é atirar no escuro. Digo, nem um treinador definiram...