Derby da China: Inter x Milan em horário inédito

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Vai acordar cedo por causa da gente, sim


Chegamos na véspera de mais um Derby della Madonnina. Ou seria da China? Na quinta-feira, enfim a Fininvest oficializou a venda das suas ações do Milan para a Rossoneri Sport Investment Lux, empresa liderada pelos investidores chineses Yonghong Li e David Han Li, como o vizinho Rodrigo Moraes já nos contou mais detalhadamente no Ovunque Milan. E como bem sabemos, desde junho a chinesa Suning é a sócia majoritária da Inter.


São novos rumos em Milão. Silvio Berlusconi e Massimo Moratti, vieram, viram e venceram. Nos últimos anos, porém, quebraram, e levaram Milan e Inter junto. Com menos investimentos e muita desorganização, os clubes vivem uma década muito complicada em todas as áreas. Com os novos donos, agora ambicionam voltar a competir contra a Juventus. A rival, inclusive, passou por essa instabilidade há dez anos e se reestruturou.


Enquanto a Suning ainda se ambienta à Itália e neste verão terá uma perspectiva melhor para administrar a Inter, Yonghong Li sofreu bastante com a burocracia italiana em um processo longo e caro para oficializar a compra do Milan. Mas escolheu bem duas pessoas para gerir o clube e o futebol: os ex-interistas Marco Fassone e Massimiliano Mirabelli, que até pouco tempo atrás ainda trabalhavam na Pinetina.


De qualquer forma, mais do que agora propriedade de chineses, Inter e Milan serão protagonistas de uma partida histórica para o clássico e também para o futebol italiano: pela primeira vez o Derby de Milão será às 12h30 do horário local - 7h30 aqui, com transmissão da ESPN Brasil, neste sábado.


O novo horário tem como objetivo atender a grande audiência asiática, especialmente na China, e mostra novos caminhos da Serie A. A liga está negociando um novo acordo para os direitos de transmissão do campeonato, inclusive tem enfrentado alguns problemas com os clubes grandes, e muito do novo contrato passará pela mudança de horários e datas visando um público que cresce cada vez e está investindo no futebol europeu.


Apesar do horário insólito para os mais conservadores - um sábado de Páscoa no almoço -, a expectativa é que o San Siro esteja lotado como de costume, mas será a audiência nas televisões o grande destaque. A Lega Serie A divulgou um estudo que aponta potenciais 862 milhões de espectadores no mundo vendo a partida, um recorde no futebol italiano. Muito desse público está na Ásia, com 566 milhões espectadores. Pela não concorrência com Premier League, La Liga e Bundesliga, como normalmente acontece no horário nobre das 20h30, também haverá muita procura na Europa pelo clássico.


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NLa Scala del Calcio

Não é chamado de La Scala del Calcio à toa


Mudando de assunto, na partida do primeiro turno, o assunto foi o San Siro e o futuro desconhecido do estádio. O que mudou desde então? Nada, na verdade. Se a Inter não fez avanços sobre seus planos, ao menos publicamente, o Milan nem se fala, com todo o imbróglio da sua venda. Enquanto isso, o Conselho Municipal segue travando, já que não se dispõe a investir na renovação, assim como não quer abrir mão da arrecadação.


Duas semanas atrás, a assessora de Turismo e Esporte de Milão, Roberta Guaineri, falou sobre as negociações com os clubes sobre um novo acordo para a administração do estádio, que venceu em dezembro - foi alterado especialmente por causa da final da Liga dos Campeões no ano passado. Atualmente, um consórcio criado pela dupla aluga o San Siro e é responsável por 70% das despesas e principais reformas, além de pagar quase 10 milhões de euros por ano para a exclusividade do local.


Guaineri ressalta que a reestruturação do estádio não será feita toda pela prefeitura, que não se responsabilizará pelas mudanças com objetivos comerciais, como os novos camarotes, a tão falada Sky Box - o terceiro andar, como no projeto da Inter, seria desativado para arquibancada comum e destinado para áreas comerciais. Mas a assessora se preocupa com plataformas para deficientes, banheiros e portões externos, por exemplo. San Siro é, essencialmente, um estádio antigo, mesmo com todas as reformas.


Nessa semana, quem voltou a falar sobre o assunto foi o prefeito, Giuseppe Sala. Como já relatamos, Sala ambiciona o estádio com espaços especiais e exclusivos para nerazzurri e rossoneri, como se fosse dividido meio a meio para Inter e Milan. Seria uma grande mudança, já criticada pelas torcidas, e ainda assim o prefeito não dá a entender para ir além da conversa, com investimentos para seguir com o projeto. Enquanto isso, os clubes também não avançam e não lucram tanto quanto podiam. O torcedor segue com o espetáculo, mas com um estrutura velha.