A Inter precisa voltar para a Liga dos Campeões

Getty Images
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Porque nunca será o bastante lembrar daquele dia (sai daí, Quaresma!)


Ter visto a festa dos napolitanos na terça-feira resgatou algumas memórias dos tempos que a Inter disputava a Liga dos Campeões. Mais do que o dinheiro, que é bastante generoso e importante - não à toa quase quebrou o clube -, a atmosfera de um jogo da fase final da competição é algo extraordinário e a falta dessa experiência afeta muito mais do que as contas. Por bastante tempo a participação interista se tornou um hábito na competição.


Apesar dos títulos na Copa Uefa em 1991, 1994 e 1998, o clube esteve longe nos anos 90, até estrear - no novo nome, formato e organização - em 1998/99, caindo nas quartas de final para o campeão Manchester United. O novo século começou com uma constrangedora eliminação para o Helsingborg no terceiro turno preliminar, seguido da ausência no outro ano. Em 2002/03, protagonizou a semifinal mais italiana da competição, eliminado pelo Milan por causa da desvantagem no gol fora de casa - jogando em casa.


Com Alberto Zaccheroni veio a frustrante eliminação na fase de grupos, atrás de Arsenal e Lokomotiv. Destaque para os confrontos com os ingleses, com vitória por 3 a 0 no Highbury, mas uma dura derrota por 5 a 1 em San Siro com enorme exibição de Thierry Henry. A vaga, porém, foi perdida contra os russos, que arrancaram empate em Milão e venceram em Moscou. A partir de então, com Roberto Mancini, o time encaixou uma sequência de eliminações entre oitavas e quartas de final. Mas tornou um hábito disputar a fase final.


Reuters
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Materazzi e Rui Costa relaxam em meio ao caos


Antes do título, o time parou nas quartas de final para o Milan em 2005, no jogo do sinalizador que acertou Dida e levou à suspensão da partida de volta, além da eliminação somando o W.O. e a derrota na ida. Na temporada seguinte, caiu para o Villarreal de Sorín, Riquelme e Forlán, tendo vencido em casa por 2 a 1, mas perdido fora por 1 a 0, eliminado pelo gol fora de casa. Mesmo situação em 2007, quando perdeu para outro espanhol, o Valencia, protagonizando uma guerra no San Siro numa das partidas loucas do clube. 2 a 2 em casa, tudo zerado fora.


Na sequência, duas quedas de muito aprendizado nas oitavas de final para os ingleses: Liverpool (3 a 0 no agregado) e Manchester United (2 a 0 no agregado). O time que dominava a Itália caiu precocemente, mas cresceu com as derrotas para levantar o troféu mais desejado da Europa 45 anos depois do bicampeonato nos anos 60, em 2010, fechando a temporada mais vitoriosa do clube, também campeão do campeonato e da copa nacional, até hoje o único italiano a conquistar o triplete tradicional.


Após o auge, uma grande queda, passando, é claro, pela competição. Com Leonardo, depois da primeira fase complicada com Rafael Benítez, outra grande vitória contra o Bayern de Munique, mas humilhante eliminação para o Schalke, com direito a derrota por 5 a 2 em San Siro. Em 2011/12, com Claudio Ranieri, o choro de Esteban Cambiasso é o melhor resumo da eliminação para o Marseille, que avançou com gol de Brandão nos acréscimos.


Ausente desde então, há cinco longos e dolorosos anos, a Inter acumula fracassos na Liga Europa e em tentativas de voltar para a principal competição europeia. No campeonato, desde a última vez que ficou na zona de classificação, em 2010/11, com o segundo lugar, os posicionamentos são: 6º lugar (2011/12), 9º (2012/13), 5º (2013/14), 8º (2014/15) e 4º (2015/16), sendo que atualmente está em 6º, seis pontos atrás do terceiro.



Enfim, nesse 9 de março de 2017, 109º aniversário da Beneamata, o desejo de todo interista é ver a Inter grande de novo, e isso passa por jogar a Liga dos Campeões novamente.