A Inter ainda não superou a perda de Maicon e Zanetti

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Volta, 22 de maio de 2010


Javier Zanetti é uma entidade da Inter. Símbolo da época mais vencedora do clube, exemplo por sua dedicação, comportamento e liderança. Além de tudo isso, foi um grande jogador de futebol. Por mais engraçado que seja, isso às vezes é um pouco esquecido quando falamos de Pupi. Pela ótima condição física, conseguiu jogar regularmente por 18 temporadas. E pela inteligência e qualidade técnica, se destacou em várias funções.


Seu auge foi cobrindo todo o lado direito com muito vigor físico e técnica na Argentina de Marcelo Bielsa e na Inter de Héctor Cúper, como lateral, ala ou ponta, no início dos anos 2000. Mas venceu muito mais e entrou para o mainstream como meio-campista pela direita, já após os 30 anos, cobrindo e apoiando Maicon. Mas na ausência de laterais na esquerda, Zanetti cumpriu muito bem com Gigi Simoni, Roberto Mancini e José Mourinho.


Em 1998, inclusive, marcou golaço na final da Copa Uefa contra a Lazio, primeiro título da gestão de Massimo Moratti. Naquela temporada, no sistema de Simoni, era o lateral atacante pelo lado esquerdo, combinando muitas jogadas com seu compatriota Diego Simeone e o fenomenal Ronaldo.


Com exceção dessa temporada, até hoje a Inter ainda não teve um lateral-esquerdo tão impactante quanto Andreas Brehme, último titularíssimo na função, entre 1988 e 1992, sendo Giacinto Facchetti, entre 1962 e 1977, o maior da história do clube e do futebol italiano. Desde então passaram Luigi De Agostini, Roberto Carlos, Alessandro Pistone, Francesco Coco, Maxwell, Cristian Chivu, Yuto Nagatomo e entre outros.


Na direita, depois de Beppe Bergomi e Zanetti, curiosamente os jogadores com mais partidas na história da Inter, um colosso tomou conta da lateral direita por seis temporadas, com destaque para os anos no comando de Mourinho: Maicon. Por sua força, aceleração e técnica, o brasileiro foi até mais impactante como lateral-direito que os históricos capitães interistas. Seu nome está muito bem valorizado na história da Inter.


E desde que Maicon saiu, a Inter também não encontrou um substituto. Jonathan foi contratado como promessa, mas teve um único bom ano e não foi suficiente para se afirmar no clube, sofrendo com problemas físicos na temporada seguinte. No anos seguintes, ninguém nem mesmo conseguiu se firmar no time titular.


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Em meio à insuficiência técnica, D'Ambrosio é o único a ter se provado útil


Hoje temos Danilo D’Ambrosio atuando com regularidade, e prestes a renovar o contrato, mas muito aquém do que se espera de um titular. O italiano tem sua utilidade, até pela versatilidade e bom desempenho defensivo, porém é nítida sua limitação técnica. A grande esperança para a posição, Cristian Ansaldi, teve boa pré-temporada até sofrer lesão e ficar dois meses fora. No retorno, encontrou um time caótico e não recuperou a forma física, além da falta de confiança e erros que têm diminuído cada vez mais seus minutos.


No mais, o que falar de Davide Santon e Yuto Nagatomo? Ter começado mais uma temporada com eles foi um erro grave da direção, mas há de se observar que o italiano foi rejeitado em incríveis três exames médicos no verão e outro no inverno, enquanto o japonês recusou algumas ofertas por gostar do clube e da cidade. Ambos têm salário alto e estão à margem do elenco, porque simplesmente são insuficientes tecnicamente para uma equipe que quer voltar para a Liga dos Campeões e busca as posições mais altas da Serie A.


Sobre Yuto, vale ainda acrescentar que o fato dele e Andrea Ranocchia serem os jogadores a mais tempo com contrato explicar muito bem a gestão futebolística da Inter. A dupla está desde janeiro de 2011 em Interello e nunca convenceu. E mesmo assim ganharam duas renovações de contrato, as últimas no ano passado, na justificativa de não perdê-los de graça. E não são negociados. Continuam no clube, não jogam e geram altas despesas.


O 3-4-2-1 é a última alternativa testada para contornar a situação das laterais. Falta mais confiança aos jogadores na formação, mas também mais treino e condicionamento físico. É notável a queda de Candreva no último mês, e cobrindo todo o lado direito sozinho não facilita sua condição. Atuando 20 metros mais baixo, esteve mais longe do gol e perdeu sua chegada no último terço, criando menos e errando mais.


Conversa não muito diferente de Perisic. Como ala, atua muito longe do gol e isso não é algo que Pioli pode abrir mão, como o croata deixou muito claro contra o Cagliari. No outro posicionamento, não esteve nada confortável jogando por dentro, confuso nos movimentos, sem conseguir ser profundo e perdendo suas principais características: a linha de fundo e a diagonal.


João Mário também perdeu referência nos movimentos, caindo fisicamente por ter que cobrir uma área muito maior. Icardi jogou pouco, mas sofreu com a falta de apoio e isolamento no último terço. Até Gagliardini e Kondogbia caíram, porque tiveram que cobrir um espaço maior, perderam peso no apoio e deixaram buracos entre defesa e meio. Por ora, o único ponto positivo foi Murillo, Medel e Miranda, mais confiantes e confortáveis.


Enquanto espera novos laterais no verão, se é que continuará no comando do time na próxima temporada, Pioli tem opções limitadas e está de mãos atadas diante da pressão por resultados e desempenho. Apesar das derrotas, o time mostra crescimento e segue vencendo jogos menores, mas sempre ficará aquele porém nas laterais.


Aliás, amanhã é o aniversário da Beneamata. 109 anos e contando.