Entre Gagliardini e Gabriel: mais simples do que parece

Reprodução/Internazionale
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A 'Inter italiana' comemorou hoje com gols de Éder e Candreva, além de outra enorme exibição de Gagliardini


Como Antonio Candreva e João Mário - jogadores considerados de alto nível por Itália e Europa, respectivamente -, Roberto Gagliardini e Gabriel Barbosa são duas peças importantes do projeto da Suning na Inter. O meio-campista de 22 anos tem o perfil do “jovem promissor italiano”. Já o atacante brasileiro de 20 anos tem o perfil “jovem promissor estrangeiro”. Em campo, porém, as coisas têm sido bem diferentes para os dois.


Se Gaglio já coleciona 570 minutos em um mês, com cinco titularidades, em campo durante todo o jogo e ausente apenas uma vez, Gabigol tem pouco mais de 120 minutos desde setembro, com cinco partidas entrando nos minutos finais e uma titularidade com 70 minutos. Se questiona muito o espaço reduzido do atacante, até por causa de todo o frisson causado por mídia e torcedores, mas é fácil entender por que a reticência. Antes disso, um pouco de contexto.


A história de Roberto é interessante. Rodou por três clubes na Serie B até ser aproveitado na equipe principal da Atalanta. Sua estreia na Serie A veio na última partida de 2015/16 e começou esta temporada como reserva. Entrou no lugar do titular lesionado e não saiu mais da formação. De surpresa, foi convocado para a seleção italiana principal em novembro. E em janeiro, com apenas 13 partidas no campeonato, foi para a Inter em uma negociação envolvendo cerca de 25 milhões de euros.


Mesmo inexperiente, Gagliardini trouxe exatamente o que faltava ao meio-campo interista. Com 1,88m, tem altura e força para dominar o setor fisicamente, ganhando duelos aéreos, divididas e segundas bolas, e ainda que não seja tão talentoso com a bola para driblar e tentar passes geniais, tem bom domínio, chuta razoavelmente bem e faz o básico na distribuição. Mas são seus movimentos que o torna tão importante para o time. Sempre ocupa bons espaços quando apoia e defende.


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Contra o Empoli, Gabriel teve minutos importantes e deixou boa impressão


Gabriel, não. Produto da base do Santos, foi preparado para o sucesso e com 16 anos já jogava como titular na Vila Belmiro. Nem tinha atingido a maioridade e o Barcelona tinha preferência de contratação. Contratado por 29,5 milhões de euros pela Inter, no vigésimo aniversário foi anunciado e depois apresentado com muita ostentação na sede da Pirelli. Carismático e muito talentoso, rapidamente caiu nas graças da torcida. Em campo, contudo, não foi bem assim e o jovem ainda luta para conquistar um espaço digno.


Apesar do sucesso precoce no futebol brasileiro, Gabriel está longe de ser um jogador pronto - também pudera, tem apenas 20 anos. Tem ótimos atributos técnicos e fisicamente está boas condições para competir na Itália, mas taticamente ainda é muito imaturo. Não se trata apenas da marcação, haja vista que tem boa disposição para defender - às vezes até exagera, e isso é outro aspecto para crescer. Tem a ver com ocupar melhor os espaços, atacando ou defendendo, tomar decisões mais espertas, seja um desmarque, um apoio, segurar a bola, não se precipitar com um chute ou drible. Enfim, são vários fatores. Somado a isso, a concorrência no seu setor é muito maior: é justamente Candreva o titular, enquanto o esquema tático atual não tem possibilidade para ele em outro posicionamento.


Na Inter, ainda pesa ter chegado em um time longe de ter uma estrutura equilibrada. Quando contratado, Roberto Mancini, que era o treinador quando as negociações iniciaram, já nem estava mais no clube, e com Frank de Boer teve um treinador sem qualquer experiência na Itália. Agora com Stefano Pioli, mais pragmático, mas também mais cauteloso, tem a oportunidade de amadurecer como jogador e ser humano. Sem a badalação que sempre o cercou, treinando forte, aproveitando os minutos, pouco a pouco Gabriel crescerá e, quem sabe, se ele e o clube tiverem paciência, um dia se tornará importante também em campo.


Nesse domingo, contra o Empoli, Gagliardini teve outra atuação muito consistente, dando segurança e regularidade para um setor que há anos gera problemas para os treinadores e seu sistemas na Inter. Nas ausências de Ivan Perisic e Mauro Icardi, Pioli naturalmente optou por Éder e Rodrigo Palacio, mas Gabriel teve pouco mais de 15 minutos e, com a ajuda dos companheiros, deixou boa impressão, mostrando muita vontade para crescer. É exatamente esse o espírito que se espera. Contra o Bologna, com quem fez sua estreia em setembro, terá outra chance.