Rivalidade apenas em campo

Geralmente, os dias que antecedem a um Grenal são cheios de polêmicas, reportagens sobre o histórico de Inter e Grêmio nos clássicos e depoimentos infelizes dos dirigentes que viram combustível para o adversário.


Mas dessa vez não foi assim. Porque o grande assunto da semana foi a transferência do Grenal decisivo do Gauchão para Caxias. E, deboche à parte por conta da torcida adversária, a verdade é que não se discutiu a principal razão para o clássico ser disputado no Centenário: a violência.


Na primeira final, imbecis vestidos com a camisa do Inter depredaram quase 200 cadeiras na área destinada à torcida colorada na Arena – fato que tem se repetido nas partidas na casa do rival, é importante ressaltar. Isso posto, alguém duvida que a resposta viria à altura caso o clássico fosse disputado no Beira-Rio?


Certamente que não.


Houve uma época em que colorados e gremistas dividiam as arquibancadas dos seus estádios, dando vida a um dos maiores clássicos do futebol mundial. Situação impensável nos dias de hoje, em que nem mesmo os 10% previstos no Estatuto do Torcedor são respeitados por medo que aconteça alguma tragédia.


Urge que dirigentes de Inter e Grêmio, em conjunto com o poder público, tomem medidas radicais para combater a violência nos estádios. Ou fatalmente caminharemos para os clássicos de torcida única que já acontecem em algumas cidades do Brasil, reflexo da total falência da civilidade no futebol.


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Coincidentemente, hoje faz 25 anos da tragédia de Hillsborough, quando, por causa da superlotação do estádio, 96 torcedores do Liverpool morreram e outros quase 800 ficaram feridos durante semifinal da FA Cup. A partir disso, uma série de mudanças foram implementadas na Inglaterra para preservar o torcedor e protegê-lo.


Enquanto isso, de 1988 a 2012, 155 pessoas morreram em virtude da violência no futebol brasileiro sem que tenha havido qualquer atitude das autoridades e dos clubes em relação a isso.


Para refletir.


Sete / Nove Fotografia
Sete / Nove Fotografia

É assim que deveria ser. Sempre.