O bom momento do Inter passa pela presença de Camilo

Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Camilo preencheu uma lacuna no Inter: enfim, temos um substituto para D'Alessandro


Foi a partir do jogo contra o Oeste que o Inter iniciou uma sequência importante de vitórias – que podem levá-lo a liderança da tabela em caso de novo sucesso, hoje à noite, no Beira-Rio. Mas foi no jogo contra o Goiás que o time colorado começou a tomar forma, após a contratação de dois jogadores: Leandro Damião e Camilo.


Gostando ou não do Damilão, provavelmente concordará comigo que ele é um jogador com cara de Série B. Após um 2011 espetacular (e fora da curva) e a artilharia dos Jogos Olímpicos de 2012, nos anos seguintes voltou ao patamar de jogador mediano que é. Ou menos que isso, se considerarmos que ele é um atacante que simplesmente não faz gols. Mas não quero diminuir a sua contratação, pelo contrário; acho que sua chegada trouxe uma alternativa que Guto Ferreira não tinha no elenco: um centroavante forte, que briga com os zagueiros, faz parede e permite que jogadores como Pottker e Sasha brilhem e façam os gol que ele não consegue fazer.


Camilo, por sua vez, chegou para preencher uma lacuna no grupo colorado: o de substituto para o D’Alessandro. Nesses anos todos de Inter, poucas foram as vezes em que o elenco teve um jogador, no banco, capaz de suprir a sua ausência. Lembro do Andrezinho, e lá se vão sete anos, e do Alex, que estava no Beira-Rio até o ano passado e que, na verdade, nunca foi um substituto do D’Ale, mas um bom parceiro. (Tanto é verdade, que sucumbiu com o time enquanto nosso capitão passava uma temporada no River.) Lembrou de mais alguém? Eu não. Por isso, a contratação do Camilo foi tão festejada.


Acontece que, com a sua chegada, veio também a tal da problematização, porque, enfim, o torcedor colorado é um eterno insatisfeito, e tá cheio de palpiteiro (tipo eu) na imprensa e fora dela pra encher a nossa cabeça de dúvida. Então, lá vem a pergunta de um milhão de reais, que sempre aparece pra criar problema onde ele não existe: "Camilo e D’Alessandro podem jogar juntos?"


Jeferson Guareze/Agif/Gazeta Press
Jeferson Guareze/Agif/Gazeta Press

Com 36 anos, D'Alessandro segue sendo um dos principais jogadores do Inter


Poder, é claro que podem. Em algum momento, é claro que eles jogarão juntos (inclusive, isso já aconteceu). Mas POR QUE essa neura de ver Camilo e D’Ale lado a lado no time? Por que não celebrar que FINALMENTE o Inter contratou alguém com qualidade para substituir o "velhinho"? E eu usei aspas de propósito, porque apesar de a imprensa repetir diariamente que o D’Alessandro não conseguirá jogar em alto nível toda a Série B, lá está nosso capitão gastando a bola e sendo, novamente, a principal referência do time.


D’Ale é o jogador que mais dá passes no time colorado, e um dos que mais toca na bola. Provavelmente por isso, é o que mais sofre faltas. Também é o jogador que mais deu passe para finalizações, o que comprova a sua importância para o bom desempenho colorado. Quando está em campo, D’Alessandro se empenha para ser o centro do time, concentrando em si a responsabilidade e tirando o peso das costas de jogadores menos calejados ou mais jovens. Mesmo com 36 anos, D’Ale não se omite, o que obviamente resulta num desgaste que precisa ser monitorado pela comissão técnica, de forma que possamos contar com ele durante a temporada inteira.


Por isso mesmo, é tão importante a presença de Camilo no elenco. Não como companheiro, mas como um jogador que entrará em campo e manterá o ritmo lá em cima, exatamente como na vitória contra o Londrina. É claro que em certos momentos ambos serão vistos em campo juntos, mas é na possibilidade de alternar um com o outro que está o grande mérito da sua contratação.


Assista à entrevista coletiva de D’Alessandro


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