A direção do Inter não se preparou para disputar a Série B

Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

A convicção na contratação e no trabalho de Antonio Carlos Zago durou apenas seis meses


No sábado, a Gestão Medeiros completou seis meses no comando do Internacional. E a inesperada derrota pro Boa Esporte, na nossa casa, após uma desejada semana de treinos no Vila Ventura, escancarou que os nossos problemas vão além do resultado da partida. A impressão que fica é que a atual diretoria não se preparou para assumir o clube na Série B.


Desde a campanha eleitoral, o objetivo da chapa que se lançava à presidência do clube era um só: contrapor a gestão anterior, que rebaixou o Inter. Acima de tudo e antes do IMENSO desafio que a direção teria pela frente, estava o projeto político. A nova gestão do biênio 20017/18 precisava se mostrar o OPOSTO TOTAL à gestão que tinha recebido o Colorado na Libertadores e entregue na Segunda Divisão.


A apresentação do departamento de futebol foi feita com toda a pompa no final do ano passado: no lugar do neófito Carlos Pellegrini, Roberto Melo, dirigente reconhecido (na imprensa, inclusive) por ser um entendedor de futebol; no lugar do sanguíneo Argel Fucks, Antonio Carlos Zago, um técnico estudioso, moderno, que fez estágio na Europa. E no lugar de uma cadeira vazia, pois ninguém ocupava essa posição na antiga gestão, Jorge Macedo como diretor executivo de futebol. Até mesmo na presidência vimos (e vemos) mudanças: se Vitorio Piffero era arrogante e onipresente, Marcelo Medeiros prega humildade sempre que possível e é bem discreto, muitas vezes sendo criticado por sua ausência.


"Ah, mas tu tá esquecendo da SWAT", alguém poderá dizer. Não, não estou. Eu apenas preferi desconsiderar essa bizarrice, porque foi um erro do princípio ao fim, da concepção ao final melancólico. Talvez tenha sido, entre todos, o MAIOR erro de Vitorio Piffero e sua Confraria de Amigos.


Mas, voltando: na minha visão, e posso estar totalmente enganado, a preocupação principal sempre foi romper totalmente com a Gestão Piffero. O que era extremamente necessário, é claro; porém, me parece que o principal objetivo, trazer o Inter de volta à Série A, foi deixado em segundo plano. Senão, vejamos:


– mandamos embora mais de 40 jogadores. Será mesmo que NENHUM deles poderia estar no elenco atual? Houve uma análise profunda do elenco ou a direção simplesmente ouviu o clamor da torcida e dispensou todo e qualquer jogador que pudesse ter um mínimo de ligação com o rebaixamento? (Alguns ainda permanecem no Beira-Rio, mas porque a direção não conseguiu negociá-los.) Quais desses jogadores dispensados poderiam ser úteis na disputa da Série B?


– contratamos mais de 20 jogadores. Quantos desses vieram para suprir as carências do time? Antes disso, houve uma análise dessas carências? Quantos jogadores foram trazidos a pedido do Zago para se encaixarem na sua ideia de futebol (e quais foram dispensados a pedido da antiga comissão técnica)? Quais foram contratados INDEPENDENTEMENTE da ideia de futebol do Zago e que poderão atender as necessidades da nova comissão técnica do Guto Ferreira? 


Divulgação SC Internacional
Divulgação SC Internacional

Guto foi contratado por convicção em seu trabalho ou pela falta de convicção no trabalho de Zago?


Desde as minhas primeiras críticas à comissão técnica anterior, eu sempre cobrei que o time deveria estar PRONTO no início da Série B. Pois hoje, analisando o cenário atual do Inter, percebo que isso não aconteceu porque não houve planejamento para tanto. Porque se houvesse, o Zago não teria sido demitido. Mesmo com as críticas ele teria sido bancado por ser parte fundamental do projeto de futebol da direção. A impressão que fica é que sua demissão foi uma resposta pra torcida. Um – por que não? – FATO NOVO.


(Nesse sentido, Melo e Medeiros terem vindo a público para BANCAR a permanência de Guto após a derrota pro Boa Esporte é um bom sinal. Resta ver se essa decisão durará até o resultado da próxima partida.)


A questão é que a direção atual me parece tão perdida quanto a anterior. Com uma diferença: quando trocaram Aguirre por Argel e fizeram uma limpa no vestiário, mandando embora todos os medalhões e apostando na gurizada, Piffero e Pellegrini tinham convicção no que estavam fazendo. Acreditavam que era o caminho que deveriam seguir. ATENÇÃO: não estou julgando se foi certo ou errado (como viu-se, com o passar do tempo, que foi); estou apenas falando em CONVICÇÃO da diretoria. E hoje, passados seis meses, eu não vejo convicção em nada que a atual diretoria faz. E é isso que mais me preocupa.


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