É preciso aceitar que a Série B é mais difícil do que o Inter esperava

Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Na sequência de jogos no RS, Inter terá a oportunidade para subir na tabela


Foram cinco jogos até aqui: dois em casa, três fora, com duas vitórias e três empates, não necessariamente nessa ordem. Poderia ser melhor? Claro que sim. Deveria ter sido melhor? Com certeza. Mas pedir a cabeça do Guto Ferreira, nesta altura do campeonato, é algo que eu REALMENTE não consigo entender.


Não que haja pedidos pela troca de treinador no Inter, mas os burburinhos já começaram. SE não vencer os próximos jogos em casa… SE perder dois ou três jogos… SE isso, SE aquilo… sinceramente, onde a gente espera chegar com esse tipo de coisa? Na imprensa, vejo muitos dizerem que "o Inter ainda não entendeu que está jogando a Série B". Eu vou além: não apenas o clube; nós, torcedores, também precisamos entender o que vamos enfrentar neste ano. Que, assim como nossa história não nos manteve na Série A, tampouco nosso orçamento nos trará de volta. Porque, a cada jogo que passa, fica evidente que a Série B é mais difícil do que a gente esperava.


Caímos no conto do "vamos subir com um pé nas costas", assim como caímos no conto do "time grande não cai". Achamos que bastaria "fazer um 'time de Série A' pra jogar a Série B" que tudo se resolveria por encanto. Exigimos a saída daqueles jogadores marcados pelo rebaixamento, e a diretoria mandou mais de 40 jogadores embora. Exigimos contratações, e a diretoria trouxe outros 20 e tantos jogadores. Isso, em apenas cinco meses. Acho que o elenco do Inter nunca mudou tanto em tão pouco tempo. Mesmo assim, cá estamos, frustados, exigindo mais contratações e, quem sabe, talvez um novo técnico, caso o Guto não faça exatamente o que a gente quiser que ele faça.


Essa eterna insatisfação em relação ao elenco, por exemplo, não vai gerar nada além de mais angústia. Não dá pra gente, a cada rodada, olhar pro time e dizer: "precisa mais". Não dá pra reclamar que o Inter "gasta muito" num dia e, no dia seguinte, exigir MAIS contratações. Não dá pra todo santo jogo escolher um pra descer a lenha. Já foi o Paulão, já foi o Fernando Bob, já foi o Ernando… semana passada, o problema era o Elio Carravetta. Agora, o problema é o Cirino. Quem será a próxima Geni? Provavelmente, o próprio Guto Ferreira, se não vencermos BEM o Paraná, na próxima terça-feira, no Beira-Rio.


Cada mudança traz uma ruptura, e novamente escolhemos esse caminho ao trocar o Zago pelo Guto com o campeonato em andamento. Uma troca que trará vantagens e desvantagens, as quais a gente só descobrirá no decorrer da temporada. Uma desvantagem evidente? O grupo atual foi montado pela diretoria para a comissão técnica que foi mandada embora. Ou seja, a nova comissão técnica vai precisar trabalhar com o que tem (e o que não tem, considerando todo mundo que já foi mandado embora).


Eu olho pro Inter em campo e vejo um time totalmente sem confiança, não muito diferente do próprio torcedor. Por exemplo: nenhum time no mundo perde as oportunidades de gol que o time do Inter perde. Seja Brenner, Cirino, Carlos, Nico, Pottker, quem quer que seja (até mesmo o D’Ale!) TODOS já desperdiçaram oportunidades claras que certamente dariam mais tranquilidade pro time se fossem convertidas. Não importa qual seja a dupla de zaga, o time SEMPRE sofre gol. Será possível que são TODOS ruins? Que NENHUM serve pro Colorado? Ou será que TALVEZ o psicológico esteja afetando demais os jogadores, fazendo-os falharem acima do normal?


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

É surreal imaginar que Guto Ferreira recém fez seu quinto jogo pelo Inter, mas já está 'a perigo'


De minha parte, aprovei a troca do Zago pelo Guto e tenho fé que ele conseguirá fazer um bom trabalho no Inter. Mais do que isso: pra mim, já está fazendo. Deixou claro desde a chegada a preferência pelo 4-2-3-1, identificou de imediato o desgaste físico dos jogadores e tomou medidas para combatê-lo, e mostra uma busca constante pela melhor formação, mudando os jogadores e buscando alternativas de escalação. Ainda não encontrou o equilíbrio, mas foram apenas cinco jogos até aqui, alguns deles sem poder contar com algumas das principais contratações para este ano.


Isoladamente, pode ser que os empates contra América-MG e Santa Cruz não mereçam maiores comemorações (sempre lembrando que foram jogos que perdemos em 2016 com o time que acabaria rebaixado). Porém, se o Inter fizer a lição de casa nos próximos jogos, certamente se mostrarão pontos importantes na campanha da volta pra Série A. E pra isso acontecer, a nossa participação será fundamental. Como falei antes, se em algum momento achamos que seria fácil, nos enganamos redondamente. Vamos ter que lutar muito. E sofrer ainda mais antes de subir. Não vai ser fácil. Mas, se fosse fácil, a gente não torceria pro Inter né.


Internacional.com.br | Colorado terá sequência de jogos ao lado do seu torcedor


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