Neste Dia dos Namorados, eu só queria me apaixonar pelo Inter novamente

Acervo pessoal
Acervo pessoal

Inter querido, eu só quero voltar a ser feliz ao teu lado


Lembro bem da primeira vez em que me reconheci como torcedor do Inter. Foi na sala de aula, lá em 1986, quando ouvi alguns colegas falando do GreNal. Pode parecer estranho, mas antes de ser torcedor do Inter eu era torcedor do Brasil. Tenho algumas lembranças do time de 82 e outras ainda mais fortes da Copa de 86. Lembro bem daquele Brasil x França pelas quartas-de-final, mas não faço ideia de que GreNal meus colegas falavam no colégio naquele dia.


Mas era a época em que eu começava a me interessar por futebol, isso eu sei. Tenho lembranças vívidas da seleção do Carlos Alberto Silva, assim como não esqueço até hoje do lance em que o Paulo Roberto inventou de driblar o Renato em vez de dar um bico e perdeu a bola (é claro) no início do lance que resultou no gol do Bebeto, o gol do título na Copa União 87. Taffarel e Aloisio marcavam presença em ambos os times, e ali a gente, os nascidos no meio da década de 70, tomava ciência da GRANDEZA do Inter.


Eu queria me apaixonar, mas o Inter não retribuía. Vi as finais da Copa União 88 em Brasília, visitando familiares que foram pra lá antes de a cidade existir de fato, e nunca vou esquecer da defesa do Ronaldo em cima da linha na cabeçada do Luis Fernando Flores. Pra mim, a perda desse título foi ainda mais marcante que a eliminação na Libertadores seguinte, não por causa do Bahia, que muitos esquecem que era um grande time, mas porque o GreNal do Século nos colocou nas alturas. Perder aquele Brasileiro no Beira-Rio foi o meu primeiro pé-na-bunda como torcedor do Inter.


Até que chegou 92. Naquele época, eu já acompanhava futebol diariamente. Lembro como se fosse hoje do Milan dos holandeses, da Inter dos alemães e da Copa de 90, que deu nome para meus times de botão. Meus goleadores eram o Skuhravy e o Schillaci. Meu camisa 10 era o Scifo (e pensar que tem gente que foi conhecer a Bélgica só agora. Francamente!). Não que não tivesse nenhum jogador do Inter, mas é que do Colorado eu tinha aquele PANELINHAS enquanto que esses eram os PUXADORES.


Mas tergiverso. Voltando pro Inter, 92 foi o ano do primeiro grande título. Lembro de ter prometido que, se o Inter fosse campeão da Copa do Brasil, eu tocaria o hino do clube 28 vezes na frente do meu prédio. Por que 28 vezes? Sei lá. Mas eu fiz isso. Abri as portas do Monza Hatch do meu pai (talvez fosse outro carro, mas eu lembro desse) e mandei ver: GLÓRIA DO DESPORTO NACIONAL a todo volume, vinte e oito vezes. Não sei como não apanhei. Mas lembro até hoje. Foi a primeira vez em que eu declarei pra quem quisesse ouvir que amava o Sport Club Internacional.


No ano seguinte, eu entrava na FAMECOS, onde conheceria a Fer. Assim como o Inter, ela me achou com cara de otário logo que a gente se conheceu, mas com o tempo ela percebeu que eu não iria desistir fácil, e em 96 a gente começou a namorar. Eu achava que ela era gremista, vê se pode. Mas daí a gente viu junto o GreNal dos 5x2 no Olímpico e eu não tive mais dúvidas que o coração dela era colorado como o meu. Fomos juntos a alguns jogos no Gigante, mas ela foi mais rápida em perceber que o Inter tava de sacanagem com a gente. Que 97 seria um ano atípico e que a gente sofreria bastante nos anos seguintes, como direito a choro compulsivo (de minha parte, é claro) nas arquibancadas quando achei que estávamos rebaixados apôs aquela derrota pro Cruzeiro, em 2002.


Felizmente, eu estava enganado. Não só o Inter não caiu como, a partir daquele ano tive a oportunidade de conhecer o clube a fundo, trabalhando na agência de propaganda que atendia o Colorado. Foram cinco anos de amor intenso, com declarações apaixonadas quase diárias. Tenho até hoje o anúncio que fizemos praquele Gauchão. Assim como tenho o feito para o penta de 2006 que não aconteceu (risos). Criei a campanha da Libertadores 2006 num dos anos mais intensos como torcedor e apaixonado. Não havia hora pra pensar no Inter, eu vivia com ele na cabeça. E quando o Inter ganhou o mundo, naquela manhã de domingo, eu só conseguia rir descontroladamente enquanto a Fer chorava do meu lado.


Eu achava que sabia o que era paixão, até o dia em que o D’Alessandro desembarcou no Beira-Rio. Pra Fer, foi amor à primeira vista. Desde o primeiro jogo e o primeiro gol do Cabezón pelo Colorado. Casais costumam ter fotos do namorado/marido/whatever no wallpaper do celular, certo? Ela tem uma foto com o D’Ale. E carrega uma foto dele na carteira. E foi em todos jogos da Sul-Americana de 2008 que aconteceram no Beira-Rio, mesmo aquele no meio da tarde que não tinha ninguém. Ela tava lá. Fielzona. E na final me fez (e a todos que estavam em volta) acreditar que teria um PIRIPAQUE quando subiu enlouquecida na grade da Inferior gritando sem parar.


Bons tempos aqueles. Desculpa, Inter, mas não dá pra ignorar que tu já me fez muito mais feliz. Outra Libertadores. Outra Recopa Sul-Americana. Um sem número de campeonatos gaúchos, que só não vale nada pra quem nunca consegue ganhar (não disse quem). Em 2015, eu tinha certeza que venceríamos a América mais uma vez. Foi a última vez em que eu REALMENTE fui feliz ao teu lado. Mas quando o Aguirre foi demitido, alguma coisa aconteceu. Ali, eu sabia que não tinha volta. Que tu iria cair pra Série B. E que ficar ao teu lado seria a prova definitiva do meu amor por ti.


Confesso: ainda não consegui. Esses últimos dois anos doeram demais. Não deixo de te acompanhar, mas pela TV ainda. Não tive coragem de voltar ao Beira-Rio. De novamente declarar meu amor. Porque não sei o que tu vai fazer. E não se trata de VENCER, o futebol não é só isso e mesmo em outros momentos ruins nunca te abandonei. Mas agora me vejo sempre em dúvida: será que ele vai corresponder? Será que vai me fazer sorrir? Será que vou voltar a ter prazer em ir ao Beira-Rio? Sinceramente, não sei. Mas não vou desistir. Porque eu só quero voltar a me apaixonar por ti de novo, Inter. Se tu me der uma nova chance, eu prometo corresponder.



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