Uma nova oportunidade para Guto Ferreira fazer história no Inter

Felipe Oliveira/EC Bahia
Felipe Oliveira/EC Bahia

Guto Ferreira volta ao Inter após conquistar a Copa do Nordeste com o Bahia


Foi há quinze anos que Guto Ferreira treinou o Inter pela primeira vez. Em 2002, era técnico dos juniores quando foi chamado a comandar o time principal nas finais do Supercampeonato Gaúcho, após a demissão de Ivo Vortmann. Pode parecer estranho, mas esse foi um título fundamental na história recente do clube, pois marcou o início do seu período mais vitorioso. Naquela época, o Colorado vivia uma seca de títulos, e reconquistar o campeonato estadual era questão de honra para o novo presidente: ele mesmo, Fernando Carvalho. De lá pra cá, muita coisa aconteceu. E não deixa de ser uma bizarra coincidência que justamente Guto Ferreira esteja voltando para comandar o Inter em outro momento decisivo para o futuro do clube.


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Na base do Inter, Guto Ferreira conquistou a Copa São Paulo de 1998, a última vencida pelo clube, com um time que tinha Lúcio e Fábio Pinto, entre outros menos conhecidos. Permaneceu nos juniores até assumir o time principal quatro anos depois. Venceu o Gauchão sobre o 15 de Novembro, dirigiu o Inter em algumas partidas do Campeonato Brasileiro e depois partiu para carreira solo. Chegou a voltar ao Colorado como assistente técnico e observador do futebol profissional, mas retomou a carreira solo em 2011 e, desde então, dirigiu uma série de clubes brasileiros. O último deles, o BAHIA, onde recém conquistou a Copa Nordeste.


Mas não foi apenas no clube baiano que Guto mostrou suas qualidades. Antes disso, bons trabalhos na PONTE PRETA e na CHAPECOENSE fizeram com que passasse a ser visto com outros olhos pela imprensa esportiva e também pelo torcedor. No meu último texto, citei o André Sales, blogueiro do #MacacaNaESPN, que o considera "um dos melhores técnicos do Brasil". Mas também a Letícia Sechini, do Vamo, Verdão, guarda boas lembranças do treinador:


– A passagem do Guto pela Chape pode ser resumida na Sul-Americana 2015 e no Catarinense 2016. Chegou após a saída do Vinícius Eutrópio, considerado instável e contestado pela torcida. Conseguiu contornar muitas limitações que a gente já tinha, criando um clima diferente e fazendo aquilo que o David Luiz não conseguiu: deu alegria pro seu povo. Gordiola vai ser sempre lembrado com carinho em Chapecó.


Marcio Cunha/Mafalda Press/Gazeta Press
Marcio Cunha/Mafalda Press/Gazeta Press

Na Chape, Guto ficou marcado pelas campanhas na Sul-Americana 2015 e no Catarinense 2016


Vendo pelo lado emocional, acho importante esse comentário da Lekka sobre o clima criado pelo Guto na Chape. O rebaixamento tirou completamente a confiança do grupos de jogadores. Quase todos foram mandados embora, mas aqueles que chegaram já sofrem com a pressão de uma torcida que foi machucada demais. E o perfil do Zago em nada colaborava nesse sentido: sempre foi um cara frio com o torcedor, mesmo que muitas vezes descontrolado à beira do campo. Durante os cinco meses em que esteve no Beira-Rio, não conseguiu criar ligação alguma com o torcedor. Diferente do Guto, que já chega identificado com o clube.


Ao mesmo tempo, dos nomes especulados, Guto é o que tem mais identificação com o que estava sendo feito no clube até aqui. Segundo Douglas Verli, do Nasci para Vencer!, é um treinador que "investe no entrosamento do grupo, e não em individualidades", o que seria totalmente o oposto do que o Inter se acostumou a fazer após a saída de Diego Aguirre, dependendo de lampejos individuais de jogadores como Vitinho, Valdivia ou mesmo D’Alessandro. No Bahia, Guto apostou num trio de jogadores de movimentação na frente, sem um homem de referência, o que tem dado certo, segundo o relato de Douglas.


Claro que Guto Ferreira deve ter seus defeitos e teimosias, mas são suas qualidades, apontadas pela imprensa e pela torcida, que me fazem acreditar que a diretoria colorada, que ERROU RUDE ao contratar Antonio Carlos Zago, desta vez tomou uma decisão correta. Assim como em 2002, precisamos de alguém que entenda o momento pelo qual o Inter está passando e tenha a capacidade de unir o clube não apenas dentro de campo, mas fora dele. Dificilmente, outro técnico teria tanto apoio quanto GORDIOLA terá na sua volta ao Beira-Rio. Que tenha igualmente toda a sorte do mundo. Estamos precisando.


Internacional.com.br | Guto Ferreira assume o comando técnico do Inter



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