Inter 1x1 Corinthians – Foi muito bom, mas ainda não o suficiente

Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Jogando na sua posição original, Rodrigo Dourado fez uma partida excelente


Em São Paulo, há uma concordância: o Corinthians é a quarta força paulista. Antes que os torcedores corinthianos me xinguem, esclareço que não sou eu quem está dizendo; estou apenas reproduzindo o que ouço e leio sobre os quatro grandes clubes paulistas na imprensa regional e nacional. O Palmeiras, hoje, é tido como melhor equipe do país. São Paulo e Santos dividem as opiniões conforme os resultados das equipes. E o time de Fábio Carille aparece depois desses, por conta de uma profunda reformulação que está acontecendo no clube após a saída de Tite.


Faço essa contextualização porque Corinthians e Inter vivem momentos parecidos, mesmo que após situações completamente opostas: um foi campeão brasileiro e perdeu seu badalado treinador e seus principais jogadores; o outro foi rebaixado para a Série B e colocou como meta livrar-se de todo atleta marcado pelo rebaixamento (principalmente, aqueles marcados pelo torcedor). Outra diferença é que o trabalho de Carille começou bem antes do de Zago. E talvez por isso o Inter não tenha conseguido um resultado melhor no jogo de quarta-feira.


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Carille está no Corinthians desde 2009 e sempre foi visto como discípulo de Tite. Não por acaso, a equipe tem sido elogiada por se defender bem, mas criticada pela dificuldade em fazer gols. Zago, por outro lado, assumiu o Inter no pior momento de sua história. Sem legado algum após uma temporada em que o clube teve nada menos que QUATRO comandantes de estilos completamente diferentes, o novo treinador teve que começar do zero.


Num primeiro momento, Zago apelou para antigas soluções. Assim, vimos Paulão e Ernando na zaga, Fernando Bob e Anselmo no meio e Andrigo e Aylon no ataque. Demorou, mas os resultados pífios comprovaram que não havia nenhuma chance de recomeço enquanto as soluções fossem as mesmas de um ano atrás, quando a antiga direção deu carta branca para Argel reformular o elenco. Tendo em vista as ideias de jogo de Antonio Carlos Zago, a direção enfim contratou as peças necessárias para o novo comandante fazer um time à sua maneira. E com Víctor Cuesta e Edenílson, isso finalmente foi possível.


Com ambos no time, o Colorado jogou bem contra o Cruzeiro-RS, vencendo as duas partidas pelas quartas-de-final do Gauchão. E jogou muito bem contra o Corinthians, na primeira partida das oitavas-de-final da Copa do Brasil. Mesmo assim, mesmo fazendo a sua melhor partida na temporada, o time não foi bem o suficiente para conquistar uma vitória que lhe deixaria em vantagem no confronto.


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Visto com desconfiança pela torcida, Marcelo Lomba fez uma partida extraordinária


No primeiro tempo, foi difícil escolher o destaque do Inter. O time todo jogou bem. Mesmo Brenner, que perdeu chances que não costuma perder, e Nico López, um pouco abaixo do que esperamos deles, foram satisfatórios. Dourado fez uma partida excelente na sua posição original. Edenílson, D’Ale e Uendel se entenderam bem demais e o time construiu com naturalidade boas oportunidades de gol, que poderiam ter nos deixado à frente no placar. Mas quem teve e melhor chance foi o Corinthians, e Marcelo Lomba evitou o gol com uma defesa espetacular.


O Colorado manteve a postura pro segundo tempo, mas o Corinthians nunca deixou de ser perigoso. E abriu o placar explorando uma deficiência do time de Zago: bola nas costas de William e cruzamento para o centro da área. A superioridade numérica do adversário deixou a defesa sem saber a quem marcar, então Romero, que já havia perdido uma chance clara minutos antes, estava livre para fazer o gol. Menos mal que o empate veio logo depois: D’Ale cobrou curto o escanteio para Nico, e Dourado se antecipou a marcação para, de cabeça, completar o cruzamento perfeito.


A partir daí começaram as substituições, e nem Carlos, nem Valdivia, nem Felipe Gutiérrez, que fez sua estréia com a camisa colorada, conseguiram mudar a partida a ponto de mudar o seu resultado. Pelo contrário, o Inter deu uma leve piorada após as trocas. E não por culpa dos jogadores que entraram, especificamente, mas porque acabaram por mudar, também, a forma como o time estava jogando. D’Alessandro, por exemplo, que começou o jogo na ponta do vértice do losango no meio-campo, o encerrou na ponta direita, puxando contra-ataques, para se desgastar menos.


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O final do jogo acabou deixando uma mistura de sentimentos no torcedor (em mim, pelo menos): de um lado, a satisfação pela boa partida do Inter; mas, de outro, a insatisfação pelo resultado. Acredito que se esses confrontos contra grandes equipes ocorressem daqui um mês ou dois, o time estaria mais pronto. Neste momento, é visível que, após um longo período de experiências (algumas delas, bastante infrutíferas), Zago achou o time para enfrentar a longa Série B e o desafio de voltar à Primeira Divisão. Mas talvez não a tempo de seguir adiante na Copa do Brasil.



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