Cruzeiro 0x2 Inter – Um ano depois, a ruptura com a Era Argel

Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Se antes dependíamos de Andrigo, Aylon e Sasha, agora temos Nico López para definir


Um ano. Esse foi o tempo necessário para o Inter de Zago romper definitivamente com o Inter de Argel. Não, eu não estou ignorando que no grupo colorado ainda temos jogadores remanescentes do ano passado. Alguns, inclusive, são titulares do time atual, enquanto outros aparecem de vez em quando como alternativas. Mas me parece que finalmente chegou aquele ponto em que o Antonio Carlos Zago não precisa recorrer a nenhum deles para formar o seu time titular ideal.


Sim, eu sei que o Argel foi contratado no meio de 2015 (portanto, há mais de um ano), mas entendo que foi a partir da sua permanência para 2016 que se consolidou uma ideia que resultaria no apequenamento do clube. Explicando um pouco melhor: eu vejo o segundo semestre de 2015 como uma tentativa de mudança após o "fracasso" (entre aspas, porque discordo) com Aguirre na Libertadores. A recuperação no Brasileirão fez a diretoria acreditar que havia tirado a sorte grande, e a manutenção da comissão técnica para 2016 foi um recomeço consciente por parte da direção. Um recomeço sem D’Ale, Aránguiz e Juan, e com Anderson, Fernando Bob e Paulão, entre outros que formariam o elenco que nos levou à Série B.


No dia 10 de abril do ano passado, enfrentamos o São Paulo de Rio Grande, no Beira-Rio, com:


Alisson no gol;
Paulão e Ernando na zaga;
Paulo Cezar e Artur nas laterais;
Fernando Bob e Fabinho como volantes;
Anderson e Andrigo como meias;
Eduardo Sasha e Vitinho no ataque.


São nada menos que 11 jogadores diferentes do time que enfrentou o Cruzeiro hoje:


Marcelo Lomba;
Leo Ortiz e Victor Cuesta;
William e Carlinhos;
Rodrigo Dourado, Edenílson e Uendel;
Roberson, Nico López e Brenner.


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

A chegada de Victor Cuesta faz com que Zago não precise recorrer a Paulão ou Ernando


Utilizo o jogo de hoje para comparação por causa das datas das partidas, mas, obviamente, estou considerando que Danilo Fernandes e D’Alessandro, que não estiveram em campo, são titulares indiscutíveis da equipe. A questão é que, até poucos dias atrás, não seria possível para nosso treinador abrir mão dos jogadores do ano passado pela simples falta de alternativas. Nesse sentido, as recentes contratações de Victor Cuesta, Edenílson e Felipe Gutiérrez foram fundamentais.


(A propósito: em apenas dois jogos pelo Inter, Edenílson já fez mais do que Anderson em dois anos de clube. Alguém ainda sente falta dele?)


A mudança de fotografia do elenco permite que Antonio Carlos Zago possa enfim colocar em prática sua ideia de futebol de forma plena. Isso ainda não aconteceu contra o Cruzeiro, diga-se a verdade: embora o Inter tenha conquistado duas vitórias, o gol de Valdívia (no jogo de quinta) e a defesa de Marcelo Lomba (no jogo de hoje), impediram que o adversário mudasse o rumo das partidas. Mas não precisar recorrer a nenhum jogador do time do Gauchão 2016 para colocar 11 jogadores em campo é uma ruptura não apenas bem vinda como extremamente necessária.



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