Cruyff, Zago e a dificuldade em fazer o simples

Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Quando cansou de ser coadjuvante, D'Alessandro conduziu o Inter à vitória


"Jogar futebol é muito simples. Mas jogar um futebol simples é a coisa mais difícil que há". Uma das frases mais famosas de Johan Cruyff, que morreu há um ano e é considerado por muitos não apenas um gênio com a bola nos pés, mas também no modo de pensar o futebol moderno, resume perfeitamente o Inter de Antonio Carlos Zago.


Passei cerca de 15 dias sem atualizar o Blog do Povo. Meu último texto falava da vitória sobre o Sampaio Corrêa no Maranhão. De lá pra cá, o Colorado atuou em nada menos que seis partidas, contando a de hoje, em que ficou evidente a imensa dificuldade do nosso treinador em fazer o simples e óbvio: manter o que estava certo e mudar apenas o que ainda estava errado.


No segundo tempo do GreNal, Zago achou uma formação que deu muito certo, com D’Alessandro recuando para a posição de volante, Uendel na armação, Nico López no apoio e Brenner como único atacante posicionado. O Inter jogou muito bem e só não conquistou uma vitória na casa tricolor por conta da lesão de Carlinhos e de uma inesperada falha de Danilo Fernandes.


O próprio treinador colorado admitiu que o 4-3-2-1, chamado de "árvore de Natal", havia funcionado bem. E resolveu mantê-lo no jogo seguinte, contra o Sampaio Corrêa, apenas substituindo Carlinhos por Iago. Resultado? Uma vitória fácil, em que se novamente D’Ale, Nico e Brenner se destacaram.


Então, Zago pegou tudo que tinha feito de correto e jogou no lixo. Tirando uma nova vitória fácil sobre o Sampaio Corrêa, com time misto, nosso treinador conseguiu complicar a vida do Inter em todos os jogos do Gauchão que aconteceram de lá pra cá:


Contra o Juventude, escalou William no meio-campo, relembrando os piores momentos de Roth em 2016.


Contra o São Paulo-RS, voltou a utilizar o 4-3-3 que deixou o time sem nenhuma construção no meio-campo;


Contra o Ypiranga, entrou em campo com três zagueiros, utilizando o tão aguardado zagueiro Cuesta na lateral;


E contra o São José, colocou D’Alessandro para ser auxiliar de lateral.


Além dos evidentes erros do treinador, essas partidas tiveram, em comum, atuações destacadas de Danilo Fernandes que, com defesas extraordinárias, evitou que o time saísse de campo derrotado. Como bônus, o melhor goleiro do Brasil defendeu dois pênaltis na Recopa Gaúcha e garantiu a Zago seu primeiro título como técnico do Inter.


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Após passe magistral de D'Ale, Brenner fez seu 11º gol na temporada


Hoje, não foi diferente: uma defesa espetacular de Danilo Fernandes evitou o gol de empate do Zequinha. Mais do que isso, o Inter somente foi capaz de CRIAR algo quando D’Alessandro cansou de ser coadjuvante e assumiu o comando do time. Com duas assistências perfeitas para os gols de Brenner e Roberson, o Cabezón foi o fiador da vitória colorada, garantindo o treinador no cargo, sabe-se lá até quando.


Calma, não me entenda mal. De forma alguma estou pedindo a demissão de Zago, ainda que seja um crítico ferrenho do seu trabalho. Até porque, neste momento, o maior inimigo do treinador colorado é ele mesmo. Certamente, ele estaria com mais crédito junto à torcida se buscasse constantemente fazer o simples. Mas parece que, para Antonio Carlos Zago, isso é impossível.


ESPN.com.br | Inter leva sufoco, mas vence São José-RS fora de casa


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