Zago, o Inter não é o Barcelona

Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Nico é bom, mas não é nenhum Neymar. Ou Suárez. Ou, muito menos, Messi


Caro Zago,


eu sei que tu chegou ao Colorado há pouco tempo. Que ainda está conhecendo o grupo de jogadores. Que foram apenas três jogos oficiais no comando do time. Mas este é um ano especial para nós. Temos uma longa temporada pela frente, em que a volta à Série A se apresenta como objetivo principal – e, devido a sua importância, talvez o único a ser perseguido.


Diante disso, não temos tempo a perder. Desculpe, eu sei que posso estar sendo injusto contigo (provavelmente estou), mas, infelizmente, tu não terá o tempo necessário para testar formações e colocar jogadores à prova. Passamos um ano e meio jogando um péssimo futebol, que nos levou para a Série B. Não conseguiremos passar por isso novamente. As vaias que o time recebeu hoje, em pleno Beira-Rio, demonstram isso.


Não sou treinador. Nem jornalista. Sou apenas um torcedor, como muitos outros; porém, com um espaço privilegiado para colocar minha opinião. Nessa condição, quero expor algumas impressões sobre a derrota de hoje, diante do Novo Hamburgo:


1 – Dourado e Bob não funcionam juntos. Não funcionaram em 2016 e não funcionarão em 2017. Por favor, não insista. Charles está pedindo passagem. Entrou bem na quarta e entrou bem hoje. Não ignore isso. Coloque o guri pra jogar imediatamente.


2 – Ceará é um grande cara, mas já tem seus 36 anos. Quando ele vai, não volta. Vimos isso em muitos gols sofridos pelo time (hoje, inclusive). Sim, eu sei que William está treinando em separado e Alemão já está contratado. Mas, enquanto isso, que tal apostar em Junio? Olha como ele entrou bem hoje. E ele já tinha jogado bem na quarta-feira, lembra? Aposta nele, que vai dar bom.


3 – a ausência do D'Ale foi decisiva para a queda vertiginosa do Inter no ano passado. A volta dele ao time precisa ser celebrada, não contestada. Mas daí tu precisa ajudar. Não dá pra deixar o Cabezón isolado no meio, sem companhia e à mercê da marcação. É ele que faz o time jogar. Mas, pra isso, ele precisa de parceria. Pra tabelar, pra abrir espaços, para aquele passe qualificado que tanto faltou em 2016. Hoje, mesmo sem parceria, ele deixou o Nico na cara do gol duas vezes. Imagina como seria se ele tivesse com quem jogar desde o início do jogo?


4 – percebi que tu gosta muito do Roberson. Tanto, que o trouxe pro Inter. Tudo bem, é importante contar com jogadores da sua confiança. Mas, por favor, não morre abraçado nele.


5 – sabemos que ele não é craque, mas não contratamos o Seijas para que ele passasse mais uma temporada no banco por motivos que o torcedor não faz a mínima ideia. Tudo bem, ele não foi bem na quarta-feira, mas pensa: será que não teve a ver com a forma como ele foi escalado? Com a falta de parceria, não por acaso o mesmo problema sofrido pelo D'Alessandro? 


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

A volta de D'Ale deve ser celebrada, não criticada. Zago precisa saber como explorar sua qualidade


Por fim, meu caro Zago: o Inter não é o Barcelona.


Não temos um Messi, um Suárez e um Neymar no elenco; portanto, não precisa insistir com uma formação com 3 atacantes. Por sinal, não é de hoje que o ataque é um grande problema no Inter. Durante um bom tempo, esperamos que Valdívia ou Vitinho resolvessem lá na frente. Não dá pra esperar o mesmo de Roberson, Brenner, Aylon, Andrigo ou Diego. Nem mesmo do Nico, que, apesar de ter custado uma fortuna, não é, nem nunca será um "homem-gol".


Pra citar um profissional que saiu corrido daqui, seja mais pé no chão. Vamos começar pelo básico: defesa protegida, meio-campo preenchido e ataque rápido. Como falei antes, não somos um Barcelona. Nem um Atletico de Madrid. Somos o Inter. E estamos cansados de sofrer.


ESPN.com.br | Inter perde para o Novo Hamburgo e segue sem vencer no Gaúcho



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