Guarani em crise encara o sorriso de dentes de chumbo

Há algumas semanas, um amigo veio me cumprimentar após o Guarani ter vencido o Juventude, vice-campeão gaúcho, fora de casa. Estranhou, porém, a minha falta de empolgação e perguntou se eu não tinha motivos para vibrar com a excelente largada do Bugre na Série C. O torcedor calejado aqui comentou na época: "Espero que esta alegria seja mais do que uma brisa de verão." Pois bem, após o fim da invencibilidade bugrina e as notícias de uma nova crise rondando o Brinco de Ouro, foi inevitável ficar com estes versos de Paulinho da Viola tocando em minha jukebox mental:



Solidão é lava
Que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo...



A derrota por 1 a 0 para o Mogi Mirim, no campo do adversário, até poderia ter sido encarada com naturalidade se o Guarani não tivesse um retrospecto recente tão sombrio, marcado por dificuldades financeiras, trapalhadas da diretoria, resultados decepcionantes em campo e ilusões dadas à torcida que logo se desvanecem. E assim, a invencibilidade outrora celebrada, de sete rodadas sem perder e a liderança isolada da Série C, deu lugar à constatação atual de que o Bugre não vence e sequer consegue marcar gols há três rodadas. 


Jon Snow curtindo um inverninho básico


E como fundo de poço tem sempre um subsolo, eis que, junto com o péssimo futebol jogado em Mogi Mirim, surgiram algumas notícias capazes de deixar para baixo o torcedor mais iludido, a começar pela descoberta de que os jogadores bugrinos andaram pleiteando o pagamento de R$ 75 mil referentes a bichos atrasados. A assessoria de imprensa do Guarani divulgou que as premiações atrasadas foram quitadas ontem, mas o ambiente já foi devidamente tumultuado.


Mas pior mesmo foi ver que João Vittor, um dos jogadores mais promissores revelados pelo Guarani, assinou contrato com a Ponte Preta. E assim, por causa de atrasos no pagamento de FGTS, nós simplesmente perdemos uma revelação para o nosso maior rival sem que recebêssemos um centavo sequer pelos seus direitos federativos (enquanto isso, a amargura sorri escancarando seus dentes plúmbeos).


Marcelo Chamusca e seus comandados sabem que a próxima partida, diante do Ypiranga/RS, em Campinas, será uma oportunidade valiosa para espantar esses ventos invernais e mostrar poder de recuperação diante das primeiras adversidades que surgiram nesta Série C. Conseguiremos escapar dessa arapuca? Respostas a partir das 11:30 do próximo domingo, no Brinco de Ouro da Princesa.