Invencibilidade não pode ser cortina de fumaça

Passadas sete rodadas do Brasileirão Série C, o Guarani permanece invicto no campeonato, com quatro vitórias, três empates e a liderança isolada do grupo B. Mais: é o único time que ainda não sabe o que é derrota nas três divisões do Campeonato Brasileiro de 2016. Legal? Legal, mas quem é torcedor bugrino sabe que invencibilidade não dá troféu nem garante acessos. Em 2013, o time treinado por Tarcísio Pugliese esteve invicto por 11 rodadas na Série C e sequer conseguiu se classificar para a 2a. fase do campeonato. E, neste ano mesmo, Pintado resistiu 13 partidas e mais de seis meses como treinador bugrino sem conhecer derrotas, outro feito inútil: mais uma vez o Guarani foi incapaz de conseguir o acesso para o Paulista A-2.


Departamento de Comunicação/ Guarani Futebol Clube
Depto. Comunicação Guarani Futebol Clube

Em um campeonato tão nivelado quanto a Série C, mais do que técnica são a raça e a união que farão a diferença em campo


É na condição de torcedor calejado, pois, que encaro o momento atual com certa preocupação. Apesar de estarmos na liderança do nosso grupo, o Guarani não marca gols há duas rodadas e não tem um centroavante no elenco que pareça ser capaz de reverter essa situação. Além disso, é visível que temos problemas também na armação de nosso meio de campo: Deivid, Edinho e Renato Henrique já mostraram ser jogadores muito limitados, e um Fumagalli só não é mais capaz de fazer verão, do alto de seus 38 anos de idade. Vale lembrar também das saídas conturbadas de Watson e João Vittor, revelações das nossas categorias de base que foram titulares na A-2 e lamentavelmente optaram por entrar na Justiça e sair pela porta dos fundos do Brinco de Ouro. 


Felizmente Marcelo Chamusca, ao contrário de outros técnicos que passaram recentemente pelo Guarani, tem preferido trabalhar com as peças que tem em vez de ficar se lamuriando pelas carências do elenco. E conseguiu montar uma equipe competitiva, que se deixa a desejar no ataque ao menos consegue compensar isso com a melhor defesa da Série C: apenas dois gols sofridos nas sete primeiras rodadas do campeonato. Méritos para Chamusca, mas também para Ferreira e Leandro Amaro, a melhor dupla de zaga da Série C, e Leandro Santos, um goleiro que começou desacreditado mas conseguiu se firmar com a camisa 1 do Bugrão.


Nesta semana, o executivo de futebol Rodrigo Pastana declarou que o Guarani está em busca de um camisa 9, mas procura por um centroavante que esteja em atividade, pronto para entrar jogando, e não encostado no elenco de algum outro time. E está certo: no Paulista A2 o Bugre investiu em atacantes como Flávio Caça-Rato (que tinha ficado sete meses sem jogar profissionalmente) e Max (que passou mais tempo no departamento médico que em campo), e os resultados foram lamentavelmente pífios. Por mais que o setor ofensivo do Guarani precise muito de um goleador, de nada adianta trazer medalhões fora de forma ou apostas que dificilmente vinguem.


O próximo desafio do Guarani será diante do Mogi Mirim, no campo do adversário, na próxima segunda-feira às 19 horas. Avante, avante, meu Bugre!