Pelo quarto ano seguido, Guarani vacila e fracassa no Paulista A-2

O Guarani precisava de uma vitória simples para se classificar, nada mais. Porém, dependendo unicamente dos seus próprios resultados, titubeou e sequer conseguiu se classificar para as semifinais de um campeonato de nível técnico tão esdrúxulo como é o Paulista A-2. Ao final da partida contra o Batatais, em que foi derrotado por 1 a 0, foi inevitável lembrar destes versos clássicos de Cartola em "O Mundo é um Moinho":



Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés



Mas o fato é que a desclassificação precoce do Bugre neste campeonato, sacramentada com a derrota de ontem, não foi resultado exclusivo do péssimo jogo contra o Batatais. É possível elencar pelo menos 5 motivos pelos quais o Guarani, pelo quarto ano consecutivo na segunda divisão do Campeonato Paulista, não conseguiu sequer se classificar para a fase final da A-2:



  • 1) Um elenco montado de forma equivocada e amadora, que incluiu a renovação injustificada de jogadores comprovadamente limitados como Renato Henrique, Gilton e Evandro, a contratação absolutamente nonsense de dois "destaques" do Guaratinguetá (os rebaixados Flaysmar e Anderson, que só fizeram número e sequer jogaram), a inexistência de um lateral direito de origem (Lenon continuou sendo improvisado na posição) e a falta de um segundo volante capaz de auxiliar na armação de jogadas ofensivas (Lenon, que poderia ser usado nessa função, foi fixado na lateral direita enquanto brucutus de marcação como Auremir, Evandro e Escobar compuseram o meio de campo na ausência de Alex Santana e Wesley, duas peças da Série C que fizeram falta demais nesse time);



  • 2) A perda da melhor dupla de zagueiros que o Guarani teve em muitos anos, composta por Ferreira e Leandro Amaro, que acabou sendo reposta de forma pífia, através das contratações de Diego Jussani (com muito mais vontade do que talento, falhou grotescamente na jogada que resultou no gol da vitória do Batatais), Philipe Maia (que vinha de um longo histórico de contusões e, surpresa!, sofreu mais uma logo no começo da campanha da A-2) e Alef (um zagueiro que, pasmem, não havia disputado uma partida sequer na temporada de 2016);



  • 3) Os problemas financeiros de sempre, que incluíram briga da diretoria com o Grupo Magnum, atraso de salários e um departamento de marketing incapaz de trazer um patrocinador master para a nossa camisa;



  • 4) A vinda de um técnico, Ney da Matta, criticado pelos treinos ruins que comandou, após o Guarani ter contratado diversos atletas a seu pedido - como Ernani, Escobar e Brian Samudio - que acabaram sendo pouco aproveitados pelos treinadores que o sucederam. Mesmo o momento de sua demissão (em um momento no qual o Guarani estava em quarto lugar, na zona de classificação para as semifinais e após uma vitória), mostra o quão mal feito e descoordenado foi o planejamento feito para a disputa desta série A-2;



  • 5) A substituição de Ney por Maurício Barbieri, um treinador inexperiente que logo sucumbiu à pressão de comandar um time com o histórico e a torcida do Guarani, dando entrevistas desastrosas e demitido após uma derrota, quatro empates e apenas uma vitória à frente do Bugre.


Gabriel Ferrari/ Guarani Press
Gabriel Ferrari/ Guarani Press

A volta de Vadão, que teve apenas sete rodadas para tentar obter o milagre da classificação, foi um dos poucos acertos bugrinos neste campeonato


Quando Oswaldo Alvarez chegou para assumir o banco do Guarani, restavam apenas sete rodadas para o término da primeira fase do campeonato. Ainda assim, o Bugre embalou e quase obteve a classificação, mais na base do aspecto emocional do que do talento. O problema é que, com um elenco limitadíssimo, logo esse fôlego extra se dissipou e o Guarani levou um tombo digno de quem estava nas nuvens e foi bruscamente trazido de volta à realidade.


Agora, com a desclassificação precoce no A-2, é preciso pensar na remontagem do elenco e no desafio que será disputar a Série B do Brasileirão, uma pedreira na qual, enquanto o Inter de Porto Alegre receberá uma cota de R$ 60 milhões e o Goiás terá outros R$ 35 mi para investir no futebol, os times oriundos da Série C (Guarani, Boa Esporte, ABC e Juventude) receberão R$ 4,1 milhões cada um. Sendo que, no caso do Bugre, nem essa quantia estará à sua disposição, por causa das porcentagens que serão retidas por conta dos inúmeros processos judiciais de dívidas que o Guarani ainda amarga. Lembrando que Vadão precisará comandar uma reestruturação quase completa de um elenco no qual se salvam poucos nomes como Leandro Santos, Lenon, Auremir, Bruno Nazário e Eliandro, não dá pra não pensar que, se o Bugre conseguir se manter na Série B, já será uma campanha satisfatória.