Se acesso à Série A1 fosse fácil, se chamaria miojo

Ah, Guarani. Nos últimos anos, é difícil se manter animado com as perspectivas de um time que tem amargado as divisões inferiores dos campeonatos Paulista e Brasileiro. As alegrias contam-se nos dedos, e toda vez que algum amigo meu me pergunta sobre o Bugre, é duro recordar as notícias sobre leilão de estádio, salários atrasados, insucessos nas tentativas de acesso, brigas políticas e contratações infelizes. Em meio a todo esse compêndio de infelicidades, o vice-campeonato da Série C no ano passado, que rendeu ao Guarani o acesso à Série B do Brasileiro, foi um oásis de sorriso em um deserto de abatimentos, mas alimentou a expectativa de que o jogo virasse e o Bugre enfim pudesse retornar aos seus dias de grandes ambições e vitórias.


Como sempre faço em todo começo de ano, acompanhei atentamente a pré-temporada e pesquisei referências sobre os jogadores que foram sendo contratados na montagem do elenco que anda disputando o Paulista A2. Fiquei animado quando soube que o Guarani havia contratado Ney da Matta, técnico que levou o Boa Esporte ao título da Série C justamente em cima do Bugre, e imaginei que enfim estávamos seguindo os passos certos para finalmente retornar para a elite do Campeonato Paulista, que não disputamos desde 2013. Os resultados positivos, porém, não vieram. Ney da Matta foi demitido após seis rodadas, e para o seu lugar o Guarani trouxe o jovem técnico Maurício Barbieri, de 35 anos (quatro a menos que Fernando Fumagalli), com passagens anteriores por clubes como Red Bull Brasil e Audax.


Gabriel Ferrari/ Guarani Press
Gabriel Ferrari/ Guarani Press

Maurício Barbieri, atual técnico bugrino, em sua apresentação oficial no Guarani ao lado do vice-presidente Carlos Queiroz


Porém, todavia, contudo, como qualquer pessoa que entende minimamente de futebol sabe, um técnico só não é capaz de operar milagres se tiver em mãos um elenco extremamente limitado, como é o do Guarani. Sob o comando de Barbieri, o Bugre disputou cinco partidas: ganhou apenas uma, perdeu outra e empatou três vezes. Resultado: o Guarani está atualmente em oitavo lugar, com 16 pontos, quatro atrás da zona de classificação para as semifinais da A2. 


Em um campeonato no qual apenas dois clubes subirão para o Paulista A1, é preocupante constatar que, passada mais da metade do campeonato, ainda estamos patinando na tabela de classificação. E o resultado do jogo mais recente, um modesto empate diante da Penapolense no Brinco de Ouro no último domingo, é de fazer franzir as testas de qualquer torcedor que sabe que temos apenas mais oito jogos para conseguir chegar às semifinais e disputar as duas vagas de acesso.


Reprodução/ Site oficial do Guarani
Reprodução/ Site oficial do Guarani

Fumagalli (sempre ele) preparando-se para cobrar uma falta durante o jogo contra a Penapolense, que terminou em empate de 1 a 1


Tá difícil? Tá. Tá puxado? Extremamente. E, como se não bastasse o desempenho modesto em um campeonato de nível técnico medíocre, o Guarani sofreu com o atraso de salários (mais uma vez), problemas entre a atual diretoria e Magnum (empresa que arrematou o Brinco de Ouro) e o acirramento das disputas políticas (as eleições para novo presidente, que deveriam ter sido realizadas na semana passadas, foram suspensas devido a uma liminar judicial e permanecem em suspenso até agora). Ou seja: se você acha que a situação política atual no Brasil é melancólica, é porque não acompanha o dia a dia das tretas de um clube no qual, antes de Horley Senna, um presidente não terminava um mandato há quase 20 anos. 


Como todo torcedor tem um quê de masoquista, continuarei acompanhando meu time até a derradeira rodada; e sofrendo com todos os passes errados e finalizações grotescas de uma equipe na qual poucos jogadores (como Fumagalli, Lenon, Bruno Nazário e Eliandro) escapam da mediocridade. Mantendo, porém, uma até saudável redução de expectativas. E permanecerei à espera de um milagre que faça esse time decolar rumo ao Paulista A1. Mas enfim, se o Guarani foi capaz de reverter um resultado de 4 a 0 ao vencer o ABC na inesquecível noite de 23 de outubro de 2016 em que goleou por 6 a 0, por que não crer que conseguiremos um novo acesso ainda neste primeiro semestre de 2017?