O dia em que o Guarani deu adeus à Série C

Sábado, 8 de outubro de 2016, foi dia de redenção.


Para Marcelo Chamusca, que ao chegar para assumir o banco do Guarani foi alvo de boatos insinuando que a diretoria só o teria contratado por mera confusão, crendo que na verdade ele seria seu irmão Péricles (técnico do Santo André na conquista da Copa do Brasil em 2004). Após ter levado o Fortaleza a ser líder na primeira fase da Série C nos campeonatos de 2014 e 2015, sendo derrotado em ambas as ocasiões na fase do mata-mata, Marcelo correu o risco de seguir o mesmo script com o Guarani. A história não se repetiu, e Marcelo jamais se esquecerá deste 8 de outubro de 2016 que levará sua carreira de treinador para um novo status, se desvencilhando em definitivo da sombra do irmão.


Rodrigo Villalba/ GuaraniFC.com.br
Rodrigo Villalba/ GuaraniFC.com.br

Marcelo Chamusca, o técnico que levou o Bugre a uma campanha de, até agora, 12 vitórias, 5 empates e 3 derrotas nesta Série C


Para Leandro Santos, goleiro que chegou ao Brinco de Ouro para ser reserva e foi muito contestado após atuações ruins em jogos-treino, mas que acabou se tornando titular absoluto ao longo da primeira fase. Após algumas falhas no primeiro jogo contra o ASA de Arapiraca voltou a ser alvo de críticas, mas neste dia 8 de outubro de 2016 fez defesas importantes e marcou seu nome na história do Guarani.


Para Eliandro, centroavante que estava encostado na reserva do Bragantino quando, graças à insistência de Marcelo Chamusca e do executivo de futebol Rodrigo Pastana, foi contratado especificamente para disputar este mata-mata. Após ter sido titular na derrota contra o ASA foi fortemente contestado, mas no 3 a 0 deste sábado Eliandro teve atuação fundamental, marcando dois gols e sendo aplaudido de pé por toda a torcida após sua substituição aos 37 minutos do 2º tempo por Éverton.


Para Rodrigo Pestana, que foi contratado para ser o principal executivo de futebol do Guarani após insucessos à frente de times como Bahia, Criciúma e ABC. Agora, por ironia do destino, verá o bom elenco que montou para o Bugre enfrentar nas semifinais da Série C justamente o ABC no qual trabalhou no primeiro semestre de 2016.


Para Horley Senna, que em outubro de 2014 se tornou o quarto presidente do Guarani em menos de três anos. Após diversas decisões equivocadas, declarações polêmicas e contratações desastradas, Horley celebra enfim seu primeiro acesso à frente do Bugre em um mandato que já ficará marcado pela venda do Brinco de Ouro para o grupo Magnum.


Para Fernando Fumagalli, ídolo incontestável da etapa mais difícil de toda a história do Guarani. Do alto de seus 39 anos de idade, Fumagol já marcou 78 gols honrando a camisa alviverde. Neste 8 de outubro de 2016, provou mais uma vez sua importância ao cobrar a falta concluída com o cabeceio certeiro de Leandro Amaro, que abriu o placar no Brinco de Ouro. Nosso incansável camisa 10 merecia demais a alegria deste acesso à Série B.


Facebook @guaranifc.oficial
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Fernando Fumagalli: ídolo, capitão do time e sexto maior artilheiro da história do Guarani com 78 gols marcados


Para todos os demais jogadores do elenco profissional do Guarani, que terão este acesso como motivo de orgulho em suas carreiras e merecem ser citados nominalmente: os goleiros Luís Carlos, Esteban e Passarelli; os laterais Lenon, Denis Neves, Daniel Damião, Gílton e Régis; os zagueiros Ferreira, Leandro Amaro, Genílson, Maurício e Léo Rigo; os volantes Auremir, Wesley, Evandro e Zé Antônio; os meio-campistas Alex Santana, Marcinho, Renatinho, Edinho e Renato Henrique; e os atacantes Pipico, Deivid, Éverton, Pedro Hulk e Eliélton.


E, claro, para a torcida bugrina. Que, após amargar sucessivos rebaixamentos e tentativas mal-sucedidas de acesso nos últimos anos, deu show ao encher o Brinco de Ouro com 12.713 pagantes neste dia 8 de outubro de 2016 (maior público em uma partida de futebol da cidade de Campinas nesta temporada). Que esta data fique marcada na história do único campeão brasileiro do interior como o dia em que o Guarani se redimiu de um passado recente difícil e subiu o primeiro degrau rumo ao lugar de onde jamais deveria ter saído: a elite do nosso futebol.


Rodrigo Villalba/ Memory Press
Rodrigo Villalba/ Memory Press

Registro do momento em que a torcida recebeu com festa e confiança o ônibus que trouxe a delegação bugrina ao Brinco de Ouro: "Na vitória ou na derrota, hoje e sempre Guarani!"