Grêmio e a jornada de redescobrimento pela América Latina

Grêmio Oficial
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Geromel e Kannemman formam uma afiada dupla


Em 2017, o Grêmio parte rumo ao terceiro título da Libertadores. O clube gaúcho está em uma viagem de redescoberta da América Latina, território que conhece como poucos e que já pintou de Azul, Preto e Branco em duas oportunidades. Era preciso deixar pra trás o pensamento nostálgico que remete aos anos de 1983 e 1995 e lutar para reencontrar o nosso verdadeiro amor. A Copa sente a nossa falta. Assim como Copacabana sente a falta de Portaluppi. E ele precisou sair da zona de conforto que tem no Rio de Janeiro para fazer história novamente no clube do seu coração.


Antes de enfrentar as turbulências e os caminhos tortuosos do mata-mata da Libertadores, o Grêmio passeou tranquilamente pela primeira fase, quando passou por Paraguai, Chile e Venezuela, e selou a sua classificação para as oitavas de final com autoridade, praticando o futebol que se coloca entre os melhores do continente.


Foi preciso sair da primeira fase para que o Grêmio visse diante dos seus olhos e sentisse na pele as reais dificuldades de uma Libertadores. A Copa começa nas oitavas, frase já proferida por grandes personagens da história da competição, e que se mostra verdadeira a cada ano que passa. O Grêmio mesmo viveu isso nas últimas quatro edições que disputou. Passeio na primeira fase e volta pra casa logo nas oitavas. A realidade aparecia.


Neste ano, resultado de um trabalho da direção mantendo a base desde 2015, da competência e da maestria com as quais Renato Portaluppi comanda e tem na mão o seu elenco, da experiência calejada de alguns atletas, misturada ao talento puro e a juventude de outros jogadores, o Imortal está pronto para ganhar a Libertadores. Diante do Godoy Cruz, adversário violento, jogo encardido, campo pesado, o Grêmio soube se adaptar às nuances da partida e conquistou uma bela vitória. O tabu recente das oitavas está prestes a ser quebrado.

Em Mendoza, no Estádio Malvinas Argentinas, o Grêmio soube ser competitivo de acordo com a realidade que se apresentava. Não era jogo para o nosso já tradicional toque de bola envolvente, até porque o gramado não permitia, mas sim para igualarmos em termos de luta, catimba e poder de enfrentamento. O Godoy Cruz tentou intimidar o Tricolor. E o time gaúcho honrou o DNA de Libertadores do clube e soube reagir com força e sabedoria. Este Grêmio tem a inteligência para identificar rapidamente os cenários que se apresentam e jogar de acordo com as necessidades do momento.


E assim vejo o processo de um time que conquista a Libertadores. Ele não nasce pronto, vai se transformando durante as etapas. E o Grêmio está neste caminho. Em uma jornada de auto-descobrimento pela América Latina, quando a primeira partida do mata-mata o desafiou de forma mais incisiva e acendeu a chama que sempre esteve em sua alma e coração, está sendo forjado um time com imenso potencial de ser campeão da Copa Libertadores.


Além do futebol extremamente competitivo e talentoso, tu percebes que existe solidariedade entre os atletas. Além de formarem um time dentro campo, tenho relatos de que fora dele são amigos, se ajudam. E é assim, se adaptando às mais variadas realidades, que o Grêmio segue firme em seu sonho de conquistar a Libertadores outra vez.


O Grêmio sempre conheceu e amou a América Latina. E a Copa Libertadores sempre conheceu e amou o Grêmio. Neste 2017, o Tricolor já passou por sete etapas da sua viagem de redescobrimento do continente. Faltam mais sete. A luta continua. E os sonhos também...