O Maracanã se curva ao futebol do Grêmio

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Luan é craque com potencial de gênio


“Viver é saber que você faz algo neste mundo para seu nome ser dito mesmo depois que você não puder mais ouvi-lo” - Mário Filho


O Maracanã, cujo nome oficial homenageia o genial jornalista citado acima, sempre temeu a Celeste e o Azul, Preto e Branco. Mesmo depois que todos nós já estivermos longe deste mundo, a história seguirá contando por muitos e muitos anos as façanhas do Uruguai e do Grêmio no Maraca, “som semelhante a um chocalho” em tupi guarani, devido ao som de pássaros que viviam por ali. A poesia escrita pelo Imortal neste templo sagrado do futebol nos remete às linhas lúdicas escritas por Mário Filho e seu irmão Nelson Rodrigues.


Em 1950, a Celeste era vestida pelos valentes uruguaios que superaram os favoritos brasileiros e colocaram seus nomes na história do Maracanã. Naquele mesmo ano, o Grêmio derrotou o Flamengo e tornou-se o primeiro clube de fora do Rio de Janeiro a atuar e vencer naquele gramado. Em 1997, diante do mesmo Flamengo, o tri da Copa do Brasil calou o Maraca lotado. E agora, em 2017, mais uma vez o estádio se rende a uma camisa Celeste, desta vez ostentada por mais uma versão do Grêmio Show.


O Grêmio de Renato Portaluppi ama a bola e a trata tão bem quanto os irmãos Mário e Nelson tratavam as palavras. O único Tricolor do Brasil, os outros possuem três cores, nunca se livra do seu maior amor de forma precipitada. A bola passa de pé em pé, em uma espécie de fantasia que acaba atordoando os seus adversários, esperando o momento certo para obedecer quem está lhe dando mais carinho. Os gols e as vitórias nada mais são do que o futebol agradecendo ao Grêmio por estes momentos de utopia em meio ao caos.


O Grêmio de Renato Portaluppi é um sopro de inspiração neste futebol muitas vezes burocrático e insosso. A alegria e a desenvoltura com as quais os jogadores gremistas se movimentam em campo encanta e faz sonhar. O Imortal está organizado enquanto instituição, ajeitado taticamente e o talento completa este trio de características que pode nos fazer ganhar o Brasil, a América e o mundo novamente, sem falar na torcida mais fanática do Brasil, que joga junto, atormenta os rivais e faz a diferença.


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Pedro Geromel é um dos melhores zagueiros do mundo


O ano de 1983 é considerado o mais importante da história do Grêmio, dentre outros extremamente relevantes. Teve Libertadores e Mundial. O de 1950 é um ano histórico para o Uruguai, lembra o mítico Alcides Ghiggia. E este 2017 será marcante por conta do Imortal e de Luan, o herói que não veste capa. Ora genial, ora supostamente desleixado, mas vital para a equipe. A direção precisa manter o nosso maior craque pelo maior tempo possível. Após o jogo, revelou que está feliz no Grêmio e que não tem pressa para sair, é feliz no clube. A torcida agradece.


Com os titulares, são nove vitórias seguidas, 24 gols marcados e apenas quatro sofridos, sendo que levou gols em apenas duas destas partidas. O Grêmio tem o melhor ataque do Brasileirão, com 18 gols. O desempenho fora é de 75%, três vitórias e a derrota para o Sport, quando fomos com o time C. São 85% de aproveitamento nesta edição do campeonato. Com Geromel em campo, o Tricolor não levou gol. O Imortal é o time que menos erra passes na competição, tendo em Arthur e Ramiro os pilares neste quesito.


É o melhor futebol do Brasil, sustentado por números impressionantes. Elenco fechado e com ótimas alternativas ao time titular, com o comando do maestro Portaluppi, talento e competitividade. Parafraseando Mário Filho, neste ano, o Grêmio está vivendo na maior acepção da palavra, fazendo algo para que o nome destes jogadores seja dito mesmo depois que nós não pudermos mais ouvi-los. No futebol, assim como na vida, é complicado fazer previsões. Mas para o Imortal, é possível dizer que as glórias deste 2017 permanecerão no imaginário tricolor por muito tempo.