Vitória importante, mas o "carteiraço" exige reflexões

GazetaPress
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Cortês tem tido belas atuações e fez o gol do alívio


Nas últimas semanas, o Grêmio alinhou o time de maneira avassaladora e venceu com autoridade seus adversários na Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores. Além das vitórias, o nível de atuação exibido esteve à beira da perfeição. O esquema com a figura do centroavante engrenou e Léo Moura agregou qualidade no lado direito. Com grandes méritos, Renato Portaluppi construiu no Tricolor o melhor futebol do país e um dos melhores do continente.


De maneira quase que simultânea, Léo Moura e Lucas Barrios se machucaram, enquanto que Edílson e Maicon foram liberados pelo Departamento Médico. Miller Bolaños deve voltar já na partida diante do Fluminense. Diante deste novo cenário que se apresentava, Portaluppi elogiou as alternativas que tem no elenco, mas afirmou com firmeza que, no time dele, ninguém se escala no carteiraço, na grife, no nome, os que estão em melhor momento vão jogar sempre.


O discurso é correto, mas na prática, o técnico foi incoerente e não seguiu as próprias palavras. Na lateral direita, fez a alteração óbvia. Edílson no lugar do Léo Moura. No meio campo, para acomodar o cascudo Maicon no onze inicial, escalou quatro volantes. Michel, Arthur, Ramiro e Maicon. Todos são bons jogadores, mas o toque de bola ficou muito burocrático e o Grêmio perdeu a verticalidade e a capacidade de criação.


A pelota rodava de pé em pé, a posse de bola era muito maior do que a do adversário, mas o time não era incisivo. Com a lesão de Barrios e a ainda impossibilidade de Miller Bolaños, Everton seria a escolha lógica, ainda mais depois de ter feito três gols na quinta, confiança lá em cima. Ou até mesmo Gata Fernández, que foi muito bem nos jogos que entrou e é um meia. A opção de Portaluppi por mais um volante sobrecarregou Luan na criação e fez o Grêmio perder muito da sua capacidade ofensiva.


Diante de um Bahia que entrou na Arena com o único intuito de se defender, e fez isso de maneira organizada e competente, este erro na escalação poderia ter feito o Grêmio perder dois pontos vitais. Ao tentar remontar a equipe com a entrada de Everton, Portaluppi tirou Arthur, que vinha atuando melhor que Ramiro e Maicon. Outro carteiraço. Antes que comecem a me xingar, óbvio que Portaluppi faz ótimo trabalho e tem muito crédito, mas também erra. E para os próximos jogos, precisa refletir e escalar realmente quem está no melhor momento, como ele mesmo disse que iria fazer.


Diante de todas estas circunstâncias já citadas, o roteiro parecia estar sendo desenhado para um empate melancólico na nossa Arena. Só que o Grêmio, embora não tenha repetido as boas atuações anteriores, seguiu sendo competitivo ao extremo, buscando de todas as maneiras o triunfo. Foi então que, aos 41 do segundo tempo, Luan bateu escanteio, Geromel desviou na primeira trave e Cortês concluiu para as redes. E o lateral vem jogando muito bem, merecia o tento.


Apesar de todas as ressalvas, o Grêmio venceu e segue forte na luta pelo título do Campeonato Brasileiro. E equipes campeãs também são forjadas nestes momentos. Mesmo quando a atuação não é boa, os três pontos são conquistados. Temos time, alternativas no elenco e técnico. Podemos sonhar!