Grêmio precisa de uma reflexão profunda, ou fracassará nesta temporada

Grêmio Oficial
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Bolzan e Portaluppi conversam no gramado da Arena do Grêmio


Já estamos no quinto mês do ano. O tempo não para, como diria mestre Cazuza, e o Grêmio parece que ainda não abandonou a ressaca pelos merecidos festejos em virtude da conquista do Penta da Copa do Brasil. É um título histórico, somos o Rei de Copas, mas é preciso seguir em frente e ambicionar outras taças. Neste domingo, vamos estrear no Campeonato Brasileiro. Dias depois na Copa do Brasil. E ainda tem a Libertadores da América, em que a nossa classificação para as oitavas de final está bem encaminhada, fechando a primeira fase diante do Zamora na nossa Arena.


São três competições extremamente importantes e, se o Tricolor seguir com este futebol cambaleante, não tem chances de ganhar nenhuma. Se o Penta da Copa ainda serve de argumento nas entrevistas da direção, elenco e comissão técnica, o belo rendimento que nos trouxe o título, especialmente as apresentações nos quatro jogos finais diante dos mineiros, deixa saudades. Ainda que tenham aparecido de forma esporádica neste ano, o toque de bola constante e a dinâmica que fizeram com que o Grêmio dominasse Cruzeiro e Atlético Mineiro no Mineirão vão desaparecendo aos poucos da nossa rotina.


É claro que os desfalques, especialmente Maicon e Miller Bolaños, que fazem parte da espinha dorsal da equipe, precisam ser levados em conta na hora da avaliação, mas a realidade, infelizmente, nos mostra que, se o conjunto estivesse verdadeiramente ajustado, o nível da atuação não cairia tanto. Na eliminação contra o Novo Hamburgo, na esmagadora maioria dos 180 minutos, o Grêmio se viu inferior ao oponente que vai disputar agora a Série D. Inadmissível se compararmos os elencos. Isso que o foco esteve totalmente voltado para esta semifinal, poupamos na Libertadores para que os titulares estivessem inteiros para a volta.


Renato Portaluppi é o maior ídolo da história do Grêmio, mas nunca estará acima da instituição e muito menos é incriticável. Os méritos que ele teve na Copa do Brasil, a redescoberta de Ramiro, o ajuste na bola aérea defensiva e a injeção de ânimo no elenco jamais serão esquecidos, afinal de contas, quando saímos da fila, no primeiro título da Arena, o técnico era ele. Isso já está na história. Como também é inegável a participação de Roger Machado na conquista. Ele que construiu diariamente nos treinos a essência daquele futebol que encantou o Brasil na reta final da Copa do Brasil. Não é proibido elogiar os dois, viu, povo gremista?


Portaluppi mesmo já afirmou que deu continuidade a muitos aspectos do trabalho que vinha sendo feito por Roger Machado. Porém, isso já é passado. O fato é que as desculpas do soninho, arbitragem, falta de tempo para treinar, não podem mascarar que, em várias partidas da temporada, fomos dominados taticamente por adversários inferiores. Diante do Iquique na Arena, o segundo tempo foi de apagão, ou o técnico adversário mudou o esquema e o nosso não soube reagir. Contra os chilenos fora de casa, fomos prejudicados pela arbitragem, mas não podíamos ter aceitado tão passivamente a derrota.


Novamente falando dos duelos contra o Novo Hamburgo, muitos focaram as responsabilidades nos jogadores que erraram os pênaltis, mas o fato é que tínhamos que ter nos classificado no tempo normal. De quem é a responsabilidade pela queda tão brusca de rendimento? De todos. Da direção, permitindo que o insuficiente Marcelo Oliveira começasse mais um ano como titular absoluto; dos jogadores, que demonstram uma vergonhosa acomodação em algumas partidas e estão longe da competitividade de reta final do ano passado; e sim, de Renato Portaluppi, que entre bravatas sobre estudo e respostas bem humoradas nas coletivas, parece ter permitido que o nosso padrão de jogo acabasse.


É preciso uma reflexão no clube como um todo e atitudes firmes, para que retomemos o rumo. Musto precisa ser contratado. Necessitamos do camisa cinco mordedor e que saiba sair jogando, é o caso do volante do Rosário Central. Urge a vinda de um lateral esquerdo e um meia. Além disso, a direção precisa conversar com Renato Portaluppi. Ele segue focado no Grêmio? Se sim, assuma a responsabilidade de reconstruir o time vencedor. Possui virtudes e terá todo o apoio da torcida. E os jogadores têm que compreender que foram campeões pelo talento, questões técnicas e táticas, mas também porque mantiveram o sangue nos olhos e a competitividade.


Ou o Grêmio faz uma profunda autocrítica e trabalha para melhorar, ou estaremos fadados ao fracasso nos grandes desafios que vem pela frente. A torcida vê em Portaluppi um Deus, em sua grande maioria aprova a gestão de Romildo Bolzan, apoio não faltará. Mas que não se acomodem e adormeçam em cima do título da Copa do Brasil. Lanço o desafio: provem que não aconteceu por acaso.