A arbitragem caseira não pode esconder a péssima atuação do Grêmio

Grêmio Oficial
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Lucas Barrios foi a única boa notícia da noite


A arbitragem do senhor Germán Delfino foi, acima de tudo, caseira. Quase todas as marcações do argentino prejudicaram o Grêmio e beneficiaram o adversário chileno de nome Iquique. O pênalti que originou o empate inexistiu, assim como a falta que ocasionou a virada. Fora isso, a falta de critério também teve destaque na atuação do homem do apito, que distribuiu cartões amarelos, e um vermelho, para os jogadores gaúchos e economizou nas punições para os atletas chilenos. O Iquique fez 16 faltas e levou dois amarelos. O Grêmio fez oito faltas e tomou seis amarelos e um cartão vermelho. No mínimo, intrigante.


O árbitro desestabilizou o Tricolor e mudou o rumo da partida, mas não pode ser usado como muleta para tirar o foco da nossa péssima atuação. Em sua entrevista coletiva após a derrota, Renato Portaluppi fez questão de colocar na arbitragem toda a responsabilidade pelo resultado negativo. Sim, como escrevi anteriormente, o árbitro funcionou como um décimo segundo jogador para o Iquique, mas isso não pode apagar os defeitos da performance gremista no Chile. Primeiro destaco a fraqueza mental do nosso elenco. Os clubes fadados a ganhar a Libertadores da América muitas vezes passam por cima da arbitragem para conquistar o título.


Os jogadores do Grêmio simplesmente não demonstraram nenhum poder de reação para superar as adversidades que apareceram em meio ao deserto chileno. Primeiro, Portaluppi pecou nas suas escolhas. Inadmissível o talentoso Arthur ficar no banco de reservas para Michel e Jaílson. O jovem promissor só pode perder vaga no time para Ramiro e Maicon. Quando um destes está fora, é fundamental que Renato escale Arthur no 11 inicial. A idade e a suposta experiência não podem ser fatores fundamentais para garantir a escalação, mas sim a qualidade. Fernadinho, o velocista, o explosivo, mas burro, não pode estar na frente de Everton como alternativa.


A falta de um meia também faz o Grêmio cair muito de rendimento. O maestro Douglas deixou uma lacuna que foi bem preenchida por Miller Bolaños. Com os dois ausentes, o Tricolor fica acéfalo, não tem toque de bola no meio, a transição entre volância e ataque acaba e o time acaba exagerando nos chutões. O craque Luan tem a mesma quantidade de talento e displicência. Marcelo Oliveira tem medo da bola, não pode ser titular, compromete. Essa soma de fatores faz com que o Grêmio vá perdendo, aos poucos, a principal qualidade que nos levou ao Penta da Copa do Brasil. O toque de bola, a movimentação dinâmica, que envolviam os adversários.


Portaluppi tem méritos como técnico, nos conduziu ao Penta da Copa do Brasil. Mas é preciso que tenha um auto crítica. Soninho, arbitragem, falta de tempo para treinar, as desculpas já estão manjadas. Quando vai admitir os próprios erros? Se o Grêmio perde uma ou duas peças do time titular, o coletivo sucumbe. E isso é responsabilidade do comandante. Nesta temporada, o Tricolor ainda não encontrou um padrão de jogo consistente, estamos muito irregulares.


Não tenho dúvidas de que vamos nos classificar para a próxima fase, mas, se as atuações não melhorarem consideravelmente, o destino mais provável é mais uma eliminação nas oitavas de final da Libertadores. Se Renato Portaluppi não corrigir os erros no rumo do seu trabalho, estamos sendo derrotados taticamente, só as individualidades podem nos salvar. Ainda somos os líderes do grupo, não existe motivo para crise, mas uma profunda reflexão é necessária. Para acabar o texto com uma boa notícia, Lucas Barrios embalou e merece a titularidade.