A metamorfose ambulante entre o 'Grêmio Show' e o soninho

GazetaPress
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A sarrada no ar de Luan, Léo Moura e Miller Bolaños


Em meio a uma metamorfose ambulante que foi a atuação da equipe, entre sonhos e pesadelos, entre obras de arte e dramas cinematográficos, entre sarradas no ar e tensão no ambiente, o Grêmio conquistou a essencial vitória diante do Iquique e manteve os 100% de aproveitamento na Libertadores da América. Os seis pontos nos deixam em posição confortável em termos de classificação e para a viagem ao Paraguai, onde enfrentaremos o Guarani. As duas primeiras missões foram cumpridas.


A poesia e a obra de Raul Santos Seixas são absolutamente geniais. “Tente Outra Vez”, “Maluco Beleza”, “Ouro de Tolo”, “Gita”, “Meu Amigo Pedro”, “Medo da Chuva”, “Eu nasci há dez mil anos atrás”, “Eu sou egoísta”, “O conto do sábio chinês”, “Quando acabar o maluco sou eu”, entre outras inúmeras canções, formam o repertório deste magistral personagem que ultrapassou as fronteiras da arte. Para finalizar esta homenagem que faço ao rockeiro baiano fã de Elvis Presley, digo que o Grêmio se apresentou como a Metamorfose Ambulante na Arena.


Nos primeiros trinta minutos, arrisco a dizer que o Grêmio teve uma das melhores apresentações de um clube neste ano. Isso considerando o futebol mundial. Falando racionalmente. Um pouquinho de megalomania, talvez. Mas é a empolgação justificada pela atuação gremista no primeiro tempo. Uma aula de futebol. Que espetáculo. Seguro na defesa e avassalador do meio para frente. A combinação dos talentos, da movimentação intensa, dos passes dinâmicos e da velocidade dos homens do ataque fez com o que o Tricolor envolvesse completamente o Iquique. O adversário chileno esteve atordoado diante do GRÊMIO SHOW.


Pedro Rocha tem sido pauta de constante debate entre a torcida e a imprensa gaúcha. É óbvio que precisa melhorar o fundamento da finalização, perdeu chances inacreditáveis e o futebol é cruel e costuma não perdoar estes desperdícios. Porém, merece seguir na titularidade do Grêmio. Com sua velocidade, facilidade nos dribles, criação, movimentação intensa e capacidade de marcação, ele se mostra fundamental para o esquema de Renato Portaluppi. Outro jogador mais fixo no ataque pode afrouxar o meio campo e deixar o sistema defensivo mais vulnerável. Lucas Barrios, obviamente, é uma sombra importante e qualificada. E isso mostra a força do elenco.


Algum gremista ainda tem ressalvas em relação ao Luan e ao Miller Bolaños? Se sim, sugiro que procurem rever seus conceitos futebolísticos. São craques e qualquer time da América Latina, e vários da Europa, gostariam de contar com esta dupla magistral. O Grêmio deu uma aula de futebol no primeiro tempo e no segundo virou aluno de uma lição extremamente importante. Inadmissível o soninho, como disse Portaluppi em sua coletiva, do time. A Libertadores pune cruelmente a displicência. Para sonhar com grandes conquistas, é preciso manter o alto nível de competitividade durante os noventa minutos.