Grêmio: empate trouxe importantes lições

Grêmio Oficial
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O GIGANTE Ramiro tem sido o maior destaque do começo da temporada


O empate diante do Veranópolis trouxe lições importantes para a direção, comissão técnica, jogadores e torcida. Para o presidente Romildo Bolzan, a quem considero um ótimo gestor, digo que não podemos mais atuar sem o nosso fator local. A Arena está parecendo um teatro e muito disso se deve ao fato da festa estar sendo coibida no nosso próprio estádio. Os bumbos, as barras e as bandeiras não geram a violência. E, certamente, com tudo liberado, a atmosfera seria diferente e o Grêmio teria maior poder de reação na tarde deste domingo. É preciso que o nosso mandatário reflita sobre o prejuízo esportivo que a falta da festa completa está trazendo ao clube.


Para a comissão técnica, que parece ter entendido o recado no intervalo, é preciso que compreenda de forma definitiva que o Grêmio não pode atuar sem a figura do meia. Após a lesão de Douglas, Miller Bolaños estava exercendo a função com muita competência. Na ausência do equatoriano, Portaluppi optou pela entrada do centroavante Lucas Barrios. E o time ficou acéfalo, sem criação. Com a entrada do Lincoln, a armação melhorou e o futebol do Tricolor fluiu com mais naturalidade. Então entre Douglas, Gata Fernández, Miller Bolaños e Lincoln, pelo menos um tem que estar em campo para cumprir o papel essencial do meia.


Aos jogadores, a mensagem importante é que não adianta ter mais técnica e talento que o adversário, se não igualar na vontade. O Grêmio entrou desatento em campo e isso é inadmissível. Depois melhorou, mas o nível de competitividade precisa estar sempre no topo. Perder dois pontos assim em casa tem que ser motivo de incômodo e inquietação no elenco. Falando ao povo gremista, a torcida precisa aprender a nunca perseguir o talento. As críticas, por vezes, são compreensíveis, mas a perseguição de parte da torcida ao Luan é bizarra. Ele é craque! Ponto. Tem que ser titular sempre. Se por vezes passamos dificuldades com ele, muito pior sem. O golaço demonstrou que possui excesso de talento. É diferenciado e vital para a equipe.


Analisando alguns atletas de forma individual, comecemos pelos reforços. É deveras precipitado afirmar que o Grêmio não sabe atuar com o Lucas Barrios. Ele logo foi substituído depois da entrada do meia. No primeiro tempo sucumbiu junto com os demais companheiros. O próprio paraguaio disse que pode dar muito mais ao time, mas é preciso ter paciência. É importante ter alternativas. Um esquema consolidado com e sem a figura do centroavante. Temos peças pra isso. Não cometam com o Barrios o mesmo erro que muitos cometeram com o Bolaños. Não sejam precipitados com o talento. O centroavante recém está se ambientando.


La Gata Fernandéz atuou poucos minutos, mas mostrou um bom cartão de visitas. Técnica perfeita em três ou quatro lançamentos precisos e o perfil sanguíneo. Levou duas chegadas fortes, depois deu o troco. Óbvio que não pode enlouquecer e ser expulso por bobagem, mas anima observar o sangue nos olhos do argentino. Sobre os volantes, Michel e Jaílson formam uma dupla muito insegura, são jogadores para compor grupo. Maicon está fazendo muita falta e é essencial a contratação de Damián Musto para ocupar a lacuna deixada por Walace.


O goleiro Léo falhou. Não podemos queimar o garoto, mas fica cada dia mais claro que Marcelo Grohe é essencial para o Grêmio. É o dono absoluto da camisa 1. Léo Moura está jogando muito, Edílson vai ter que se redobrar para reconquistar a titularidade. Mas o grande destaque deste começo de ano é o gigante Ramirinho. Incansável na marcação, ótimos passes, movimentação intensa. Teve a coroação da bela fase com o espetacular lançamento para o gol de Luan. O Grêmio está no caminho certo. São necessários alguns ajustes para acertar todos os detalhes do roteiro que nos fará lutar por títulos.