Por que Edinho é fundamental


Lucas Uebel/Grêmio Oficial
Lucas Uebel/Grêmio Oficial

Edinho em ação contra o Nacional-COL na Libertadores da América.


Edimo, apelido/nome próprio de Edinho, é a surpresa mais interessante de 2014 no Grêmio. Rejeitado pela torcida, por ser um ídolo do Internacional, Edinho mostrou porque sua contratação justifica-se, suprindo uma deficiência cancerígena no Tricolor. Edinho é um volante-volante, ele não é volante moderno, ele é simplesmente volante, cabeça de área, número cinco. Esse atleta, o cão de guarda, o zagueiro do meio campo, era o atleta que faltava para o Grêmio há anos.


Já não é de agora que o Grêmio vem minando seu meio de campo de volantes "ofensivos", volantes que "saem para o jogo", volantes que "chegam bem na área". Tirando alguns craques da posição, incentivar homens de marcação limitados a subir para o ataque é o mal do futebol do século 21. O "terceiro homem", como chamam. Terceiro homem é a posição que não existe, é o atleta que não sabe onde joga, não sabe o que faz em campo. E o Grêmio incentiva, com a ajuda de treinadores grotescos, a prática de manter um meio de campo minado de atletas dessa estirpe.


Viemos de um 2013 em que Souza, Ramiro e Riveros revezavam-se de forma atabalhoada quem marcava e quem subia, não fazendo nem uma nem outra coisa bem. Todos com o selo "chega bem no ataque", mas com uma efetividade pífia na prática do ato. Então chegou 2014 e com ele Edinho, o volante-volante, o atleta que não sobe (ta bem, ele sobe às vezes). Edinho veio para suprir essa carência de marcação efetiva no meio de campo do Grêmio e tornou-se uma das peças indispensáveis para o time atual.


No último Gre-Nal, as coisas estavam até ocorrendo bem, o Inter vencia por 1 a 0, mas o jogo mantinha-se, digamos, parelho. Então, Edinho, estimulado por seus viscerais instintos de marcação, deu uma entrada forte em Aranguiz na linha de fundo e levou cartão amarelo. Os adeptos do jogaprafrentismo pediram sua imediata substituição, Enderson atendeu no intervalo. O fim todos já sabem, um chocolate colorado e absolutamente ninguém marcando no meio campo do Grêmio. Para se ter uma noção, Dudu, atacante, era o mais motivado em marcar. O jogo só voltou a tranqüilizar-se defensivamente para o Grêmio na entrada do contensor Léo Gago, quando já estava 4 a 0.


Riveros e Ramiro juntos não funcionam, não adianta. E manter três volantes é algo inadmissível, um antijogo. Edinho não é um jogador tecnicamente brilhante, é tosco, joga de cabeça baixa, mas é volante. Volante-volante. Camisa cinco. Cabeça de área. Sua presença é imprescindível no time titular do Grêmio. Se for para questionar alguém, que seja Ramiro ou Riveros. Eu diria Ramiro.