O trabalho de Renato sempre será avaliado por sua arrogância

É notório que Renato Portaluppi, técnico do Grêmio, é arrogante. Uma arrogância que faz parte da sua caricatura, desde os tempos de jogador, até hoje, como treinador. A arrogância de Renato não é patológica, é jocosa, quase uma “arrogância do bem”. E isso é o que o coloca, segundo os analistas, numa espécie de sub-raça de treinadores.


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Número 1: Renato apresenta o melhor futebol do Brasil no Grêmio


A arrogância de Renato é folclórica, muito mais do que séria. Ele é uma pessoa que sabe que jogou menos que Cristiano Ronaldo, mas fala que jogou mais; ele sabe que foi mal em algum momento de sua carreira como jogador, mas diz que jogou bem em todos os times o qual passou; ele até pede sua própria estátua e como quer que a imagem seja esculpida. E nós rimos. Rimos porque sabemos quem é Renato e que, no fundo, ele não é nenhum monstro megalomaníaco. É egocêntrico, dentro dos limites do egocentrismo.

Assim, nessa imagem de Renato como personagem, muito mais do que como profissional, entra suas declarações sobre os técnicos brasileiros. “De que adianta ir a Europa estudar e não trazer nada novo no Brasil?”. A declaração bate com contundência naquele espírito cavalheiresco que todas as classes profissionais rezam ter pra se proteger. Renato não se importa. E sua declaração traz sentido ao que é hoje o neofutebol brasileiro: uma excitação quase sexual pela tática, utilizando termos inventados para explicar o nada e render mais nada ainda em campo.


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Nesta quarta, contra o Fluminense, Luan arrebentou com o jogo


Renato não se coloca no mesmo saco da farinha dos estudiosos, mas isso não lhe impede de ser um estudioso – assim como dizer que jogou mais que Cristiano Ronaldo não lhe dê a ciência de que, na verdade, ele não jogou. Renato diz que, em vez de estudar, ele joga futevôlei e bebe chope em Copacabana. Sabemos que é verdade, que esse é o lazer mor que faz as engrenagens do técnico do Grêmio viver, mas Renato sabe o que faz ao treinar seu time.

Em uma declaração, ele diz não precisar estudar tática com professores europeus, seu aprendizado vem da análise. Ele vê jogos, muito jogos, e através deles Renato aprende o que precisa para sua vida como treinador. E tudo isso, toda essa imagem caricata de Renato Portaluppi, com sua arrogância habitual, faz com que ninguém dê o braço a torcer sobre os méritos do treinador. Quando perde, a derrota é mais gritante, porque a sede de dizer que Renato não estuda como os outros técnicos fala mais alto e não há subsídios na teoria que o defendam de um escracho público pelos analistas.


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Nogueira dá carrinho por trás em Luan, que disparava em direção ao gol, e é expulso aos 4 minutos de jogo


Renato está na sua terceira passagem pelo Grêmio e, desde que reassumiu o time desta vez, há um bom tempo – o que é raro no futebol brasileiro –, já expôs defeitos e erros, como todo técnico do esporte. Mas Renato, hoje, apresenta ao Brasil o melhor futebol jogado em território nacional. Muitos dizem que ele pegou o time pronto de Roger, mas o Grêmio de Renato joga com seis, sete jogadores que sequer foram treinados pelo antecessor.

Está na hora de o Brasil parar de avaliar o trabalho de Renato como treinador por sua arrogância alegórica e começar a avaliá-lo de forma séria, como um entendedor do esporte; que foi atleta – e dos bons – e hoje faz a equipe do Grêmio jogar com a beleza do toque de bola de um europeu e a qualidade e ganância de um campeão sulamericano. 


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Renato em sua primeira passagem pelo Grêmio, em 2010, no Estádio Olímpico