Primeira Liga precisa ser extinta

Grêmio Oficial
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Grêmio e Ceará entraram em campo pela Primeira Liga em março, frente a um estádio vazio


O que surgiu como uma revolução, algo que derrubaria a hegemonia da CBF sobre as diretrizes do Campeonato Brasileiro, dando protagonismo aos clubes, numa liga organizada, morreu no ventre. A Primeira Liga, hoje, é um percalço no calendário.

Morta na origem, com a falta de adesão de alguns clubes e falta de comprometimento de dirigentes a bater de frente com a CBF, a Primeira Liga nos brinda com um futebol pobre, com equipes reservas, horários e datas desagradáveis e um regulamento tão raso, nos moldes de uma Copa do Mundo, que traz disparidade entre as equipes.

O Grêmio, por exemplo, não havia vencido na competição. Bastou um simples 1 a 0 e o clube foi alçado às quartas de final do torneio. Como a competição, na fase de grupos, não tem jogo de volta, algumas equipes jogam menos vezes em casa. O Grêmio jogou duas vezes na Arena, contra uma partida do Ceará no Castelão e uma do América no Independência. O Flamengo, mesmo jogando em campo neutro, teve dois mandos a seu favor.


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Contra o América-MG, Everton marcou um golaço


Qualquer competição séria que se preze não pode existir com tais desequilíbrios. A impressão que se tem - e creio que seja o que realmente acontece - é que a Primeira Liga existe hoje por existir. Os mandatários da competição não se importam com o desinteresse total dos clubes e torcedores e seguem em uma fajuta luta, já perdida, contra a Confederação Brasileira de Futebol.

Ontem, o Grêmio foi a campo contra o América-MG. Quatro mil pagantes. Sete e quinze da noite. Em casa, quase dormindo, entediado com o embuste que eu me obrigava a assistir. A partida até foi interessante pra ver alguns jogadores reservas que podem ser úteis na temporada. Teve um golaço também. Mas nada disso importa.

O que importa é que ano que vem fingiremos que a Primeira Liga ainda serve para alguma coisa e nos obrigaremos a entrar em campo em dias ruins, horários terríveis e sem o menor interesse por uma competição que só atrapalha nosso calendário já inchado. Um torneio que nada vale, que ninguém se importa e que nunca deveria ter existido.