Sai Sérgio Rassi, entra Marcelo Almeida: será que só mudou o médico?

Até que tudo estava caminhando bem, ainda que novamente com a ajuda do acaso – esse companheiro inseparável da história de um clube sem planejamento. 


Por fatores externos ao clube, Sérgio Rassi pediu a toalha. Renunciou. Um homem do qual hoje não tenho dúvidas tanto em relação à honestidade como à incapacidade para gerir o Goiás. Infelizmente, ele demorou a tomar a decisão.


Como era esperado, Marcelo Almeida assumiu, o que, da forma como escrevemos no último texto para este Blog, poderia ser algo como uma antecipação da eleição do fim do ano. Enfim, o Goiás já poderia começar 2018 agora, com nova diretoria, nova comissão técnica e um elenco comprometido.


Rosiron Rodrigues / Goiás EC
Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Marcelo Almeida, novo presidente do Goiás: tomara que tudo seja ao contrário da primeira impressão


Poderia, mas não vai. Pelo contrário, o novo presidente já mostrou, na entrevista que serviu como seu cartão de visitas, que tem outro aspecto em comum com seu antecessor além da profissão: a defesa cega em "pessoas de confiança".


O problema é que pessoas de confiança não são obrigatoriamente pessoas de competência, pessoas de qualificação, pessoas de capacidade comprovada. Eu confio plenamente na minha mãe e ela sabe escrever, mas não posso por isso delegar a ela este Blog para escrever sobre o Goiás.


Já na primeira entrevista como novo presidente, Marcelo coloca em foco o mesmo discurso de "gente de bem" para justificar a permanência do veterinário Osmar Lucindo como diretor de futebol. E aproveita para chamar de "forasteiros" aqueles que vieram para o cargo e não mostraram resultados. Ou seja, não esperem investimento em profissionais de reconhecimento nacional para o cargo, são "forasteiros".


Mas ele foi além, ao bancar Silvio Criciúma até o fim do ano. Afinal, além de ser gente de bem e pessoa de confiança, nosso ex-zagueirão tem uma vantagem: os melhores números entre os treinadores que passaram por aqui nos últimos tempos. 


É como escolher a canoa em melhor estado para atravessar o Oceano Atlântico. Ou o velocípede mais moderno para ir de Goiânia a Brasília: a gente sabe que não vai chegar, mas é o melhor que experimentamos até agora.


E encontramos numa frase dita por Marcelo Almeida o resumo do pensamento serrinhista:



— Vou agir em cima de um plano estratégico emergencial: não vou mexer em nada.



Este é o Goiás Esporte Clube, cada vez mais perto da tumba e achando que está tudo normal.


Parece que teremos uma nova jestão.


LINCOLNEANAS

* * * * * A primeira impressão que Marcelo Almeida passa é desanimadora para o mais otimista esmeraldino. Se a maior mudança foi mandar o fraco Argel Fucks embora para trazer seu antecessor no cargo, pela mesma lógica podemos pensar que poderemos sentir saudades de Sérgio Rassi...


* * * * * Na verdade, essa história de manter Silvio Criciúma até o fim do ano é porque na Serrinha ainda não caiu a ficha de que o Goiás está seriamente ameaçado de rebaixamento. Os serrinhistas acham que esse time dá conta de se sustentar.


* * * * * Enfim, vão perder uma semana e meia, talvez o último grande intervalo do ano, em que poderiam investir em tudo novo, para tirar essa carga pesada, aproveitando a mudança da diretoria: novo técnico, novo diretor de futebol e um elenco enxuto.