3 medidas urgentes para livrar o Goiás da Série C

Na tarde desta terça-feira, um amigo me mandou uma mensagem via WhatsApp me pedindo opinião sobre o resultado do jogo.


Ele queria apostar 10 reais na vitória do Goiás. Só a vi no fim do expediente e, quando lhe respondi aconselhando a não cometer tal desatino com a grana de um misto quente, infelizmente a aposta já havia sido feita. "Mas vai ganhar", disse a fé dele para mim.


Jonathan Silva / GE Brasil
Jonathan Silva / GE Brasil

Para onde vai o Goiás? Se não antecipar para já as medidas para o próximo ano, a resposta não é nada boa


Como se viu, só mesmo pela fé do torcedor para acreditar. O Goiás 2017 foi, é e será um clube totalmente sem rumo.


Nessa perspectiva, a derrota para o Brasil de Pelotas – um time cheio de deficiências técnicas, tantas ou maiores que as nossas – foi totalmente esperada.


Não tenho como dizer outra coisa: na toada que segue, o destino natural do Goiás em 2018 é a Série C.


Mas ainda é possível evitar o desastre maior. Isso, no entanto, pede três medidas urgentes, "para ontem", com as quais a Serrinha se salvaria do vexame de cair com R$ 35 milhões de receita e com todas as certidões negativas na pasta da firma.


Vamos, então, aos tópicos sequenciais da receita antiqueda:


1) ANTECIPAÇÃO DA ELEIÇÃO E POSSE DA NOVA DIRETORIA


Já sabemos todos que o próximo presidente será Marcelo Almeida. Não é nem questão de esperar uma renúncia de Sérgio Rassi (que hoje seria um gesto nobre da parte dele, mais do que isso, uma prova de amor ao clube); é de adiantar medidas que salvem o mínimo deste ano e favoreçam o planejamento do próximo. O Goiás precisa de uma grande sacudida na gestão para poder escapar da humilhação que só não será suprema porque inventaram a Série D.


2) DISPENSA IMEDIATA DE QUEM NÃO TEM CONTRATO PARA 2018 


Jogador boleiro, como é a maioria contratada este ano, não está nem aí para o clube. Sabe que no próximo ano vai estar empregado em algum de porte semelhante e que vai poder enganar outro trouxa (ou, quem sabe, até jogar bola, dependendo do comando diretivo). Por aqui, estão aproveitando o salário em dia e a jestão de futebol para curtir a vida adoidado. Que fiquem aqueles que mostram o mínimo de esforço/identificação e que tenham razão para isso por questão contratual. Certeza que a turma que sobrar dará conta do recado, porque o nível técnico da Série B é baixo e basta um pouco de garra e motivação para não cair. É exatamente isso que não temos visto.


3) CONTRATAÇÃO DE UM GRANDE TREINADOR COMO "RECADO"


Quando falo "grande treinador" é alguém muito maior do que qualquer um que passou por aqui nos últimos, sei lá, dez anos. Que seja o maior nome de todos os tempos, que receba para isso uma oferta irrecusável – será um dinheiro bem gasto. Que o cara chegue aqui inquestionável por imprensa, torcida e, principalmente, elenco. Que seja sério, como um Tite ou um Wagner Mancini, e não um "disciplinador" ridículo. Que ele estabeleça sua comissão técnica, com especial atenção ao preparador físico. Quem está desempregado neste momento e que tenha esse perfil? Cada um tem sua lista, Marcelo Almeida também.


Uma medida deve levar à outra. E somente o conjunto delas pode dar ao Goiás Esporte Clube o alívio no fim do ano por garantir a disputa de uma inédita terceira Série B consecutiva.


Porque, se é ruim ficar mais um ano na Segundona, pior será ter de ouvir "ão ão ão, Terceira Divisão!" de quem poderá até estar na Série A.


imaginaram?


LINCOLNEANAS

* * * * * Vou repetir a receita agora com letrinhas "ABC" (sem ironia): a) mudança total de comando, com antecipação da eleição e posse da nova diretoria; b) dispensa de jogadores que não continuarão para o próximo ano; c) contratação de um grande treinador para começar agora o planejamento para 2018, incluindo ficar na Série B.


* * * * * O Goiás pode não cair, mesmo sem adotar essas medidas? Pode, porque o acaso existe. Mas, se for para torcer pelo acaso, já estaremos abrindo mão de qualquer planejamento para a próxima temporada. 


* * * * * Sobre o jogo em Pelotas, só Carlos Eduardo merece, apesar de tudo, minha absolvição. Mas o evangélico Marcelo Rangel não pode ser satanizado sozinho. A defesa do Goiás é diabólica.


* * * * * Por fim, ainda em tempo, registro a morte do ex-craque esmeraldino Luís Frazão, grande meia dos anos 70. Mais do que um jogador como não se vê mais, um ser humano de rara educação e gentileza.